terça-feira, 7 de abril de 2009

A família sempre

Na medida em que escrevo neste espaço sobre a minha família dou-me conta da sua singularidade.
Claro que para mim é normal, cresci assim, numa família muito alargada onde existem e existiram personagens fantásticas. Já falei de alguns, mas faltam muitos, e alguns dos já citados têm mais peripécias.

Na minha família dá-se de uma forma natural e que nunca achei estranha um destaque e primazia ao conhecimento e à cultura, desde o mais letrado ao semi analfabeto, contam-se histórias dos antepassados, guardam-se fotos amareladas, objectos, transmite-se episódios trágicos e anedóticos e por vezes parecem que vivem todos comigo.
Costumamos dizer na brincadeira que vivemos em tribo ou clã, mas é um pouco verdade, afinal relaciono-me quase diariamente com primos em quinto grau, pessoas com quem se calhar não partilho muito ADN, mas partilho antepassados.
Somos próximos, até os mais longínquos (a minha tia vivia no Canadá e falava com ela várias vezes por semana), apoiamo-nos, somos altos e baixos, gordos, magros e assim assim, louros, ruivos, morenos de olhos escuros e claros, o gosto pela cozinha, pela musica pela literatura, uma certa frontalidade com as causas, uma certa ingenuidade também.
Quando toca a ossos, somos uma muralha impenetrável, com todas as divergências, politicas, de opinião, religiosas, não interessa estamos juntos.
Vejo com uma certa graça o nariz do meu avô paterno em todos os primos, maior, mais pequeno, mais arrebitado, os olhos cinzentos do meu avô materno no meu primo, a alegria e boa disposição da minha avó no meu filho mais novo, o rigor horário e não só de vários membros da família no meu filho mais velho, o “despacho” da minha avó na minha irmã, o gosto pelas farras e pela boa mesa no outro meu primo, outras coisas em mim como a tenacidade do meu pai ou o gosto pela culinária da minha avó, um certo encantamento com a vida, mas é claro isto tem dias.

8 comentários:

Anónimo disse...

Tu e a tua família!
Realmente, como podias ser diferente com todas essas inspirações e "HERDAÇÔES" genéticas?!
Por cá estou ouvindo música!
Um beijinho
Lagartinha de Alhos Vedros

Anónimo disse...

Ana

De facto tu és das pessoas que conheço com mais sentido de familia, mais engraçado é que quase que queremos fazer parte dessa tribo.


Beijo do tamanho do mundo

salvoconduto disse...

Com essa do "toca a ossos" fizeste-me sorrir. :)

Abreijos.

zorze disse...

Anocas, Anocas...

Venho aqui comentar de forma padronizada e sem Nesquick's. Não quero que te assustes.
Lembrei-me agora de que uma vez tomei um UCAL e um pão de Deus ao "piqueno" almoço antes da labuta. Pronto o resto não conto. Não tinha asneiras, mas era assim de modos, coiso e tal.

As famílias e tal. Pois...
Olha eu tive sorte, outros nem por isso. Dos traumas das famelgas que "resistiram" em acolhê-los confidenciam-me seus traumas. Dou-lhes sempre o mesmo conselho, criem outra. Acarinhem-na e esqueçam o passado pois todos os dias, à meia-note a folha das tasks volta a ficar branca. Nem que seja a fingir.

Alguns desconfiam da terapia.
Repenso a psicanálise e porque não uma pézada violenta na boca de Paulo Pedroso? Daquelas que partem os ossos. E quebram a personalidade.

Ando a matutar? Talvez...

Beijos,
Zorze

Tretoso Mor disse...

Ana,

E que bonita homenagem fazes à tua família!...

Eu também sou muito apegado à minha, e nops encontros bienais que se fazem, onde se reunem mais de 80 primos, é muito bonito recordar os antepassados...

Tretices grandes para ti.

duarte disse...

Pois...revemos em nós , parte do mundo que nos fez...
abraço

Fernando Samuel disse...

E ainda bem que... isto tem dias...

Um beijo.

Ana Camarra disse...

Lagartinha-Sou um sucedâneo dessa gente toda.

Anónimo-Para a próxima identifica-te...

Salvo-Agora, neste momento toca mesmo a ossos

Zorze-Está visto que andas a matutar.

Tretoso-è bom ter familia.

Duarte-è isso mesmo.

Fernando Samuel-Tem dias, melhores e piores.

Beijos