
Raramente choro, acho que muitas vezes passo uma imagem de insensibilidade.
Acumulo as coisas em camadas, coisas bafientas, guardo imensas: a dor de ter de dizer ao meu pai, que não, nunca mais iria ver o mar ou pegar num neto ao colo; o perder em definitivo alguém que nos faz falta e continua a fazer falta todos os dias; a sensação de não conseguir armazenar mais pedras no peito, que nos puxam para baixo, sem nunca nos deixar ir à tona; depois engolimos outras coisas, que não queremos, não digo sapos, que até gosto de perninhas de rã, mas outras coisas, mais viscosas e amargas que não depuramos devidamente, que deixam resíduos e acumulam com as coisas bafientas.
Depois há uma catarse num dia qualquer, num dia qualquer, num dia até sem muitas nuvens, sem chuva, mas que gelamos por dentro, aliás eu gelo por dentro, e solta-se um dique, uma torrente, porque entalei um dedo na porta, porque bati com um pé numa pedra, porque ouço uma música que parece que foi escrita para mim, naquele momento.
Todas as coisas bafientas saem em cachões de lágrimas, grossas, cheias de mágoas.
Fico com um aspecto deplorável de olhos e nariz inchado, mas depois respiro melhor, durmo melhor.
Tenho de ver se entalo um dedo numa porta, anda a fazer-me falta….
Acumulo as coisas em camadas, coisas bafientas, guardo imensas: a dor de ter de dizer ao meu pai, que não, nunca mais iria ver o mar ou pegar num neto ao colo; o perder em definitivo alguém que nos faz falta e continua a fazer falta todos os dias; a sensação de não conseguir armazenar mais pedras no peito, que nos puxam para baixo, sem nunca nos deixar ir à tona; depois engolimos outras coisas, que não queremos, não digo sapos, que até gosto de perninhas de rã, mas outras coisas, mais viscosas e amargas que não depuramos devidamente, que deixam resíduos e acumulam com as coisas bafientas.
Depois há uma catarse num dia qualquer, num dia qualquer, num dia até sem muitas nuvens, sem chuva, mas que gelamos por dentro, aliás eu gelo por dentro, e solta-se um dique, uma torrente, porque entalei um dedo na porta, porque bati com um pé numa pedra, porque ouço uma música que parece que foi escrita para mim, naquele momento.
Todas as coisas bafientas saem em cachões de lágrimas, grossas, cheias de mágoas.
Fico com um aspecto deplorável de olhos e nariz inchado, mas depois respiro melhor, durmo melhor.
Tenho de ver se entalo um dedo numa porta, anda a fazer-me falta….
Comentários
beijinhoss
(isto digo eu, que acho que um homem chora...)
Um beijo.
Defesas que arranjamos.
Chora, Mulher! Faz-nos bem e ficamos aliviadas...
Um beijo
Abreijos.
Não chorei, mas exteriorizei uns palavrões daqueles que não gostas.
Mas choro quando vejo a alegria de uma criança queniana, que com o seu esforço de intervenção, conseguiu canalizar doações para construir uma rudimentar bomba de água.
Ou num hospital de Lepra, com pacientes de bacilo Mycobacterium leprae, que afecta os nervos e a pele, onde uma enfermeira com sentido universal espalha energia quente e carinhosa com efeito muito acima de qualquer fármaco made in laboratório multi-nacional.
Há coisas neste mundo do arco-da-velha. A questão é relativizar.
Beijos,
Zorze
Beijo
Bjs
Fernando Samuel-Os homens a sério, sim.
Maria-Sabes qual é o botão? Eu ainda não descobri, tirando o de entalar um dedo....
Salvo-Basta que não entale o médio, é o único que uso para escrever, sou muito poupada.
Zorze-Talvez os teus palavrões substituam o meu choro.
Luis Filipe-Volte sempre!
Diogo-è, estranha esta mulher....
Ferrão-Doem imenso!
Beijos