quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ser ou não ser pai


Logo de manhã no rádio do carro um dignitário da Igreja com esses sibilantes na voz, qual caricatura de si próprio, falava contra o casamento dos homossexuais.
Segundo ele porque é mau para as crianças, porque as crianças precisam de um pai e de uma mãe, não de dois pais ou de duas mães…

De propósito ou por estranha coincidência passa por mim e faz-me adeus com um sorriso franco um dos meus meninos perdidos, nasceu com pai e mãe, a mãe separou-se do pai, levou-o para uma ilha de bruma do Arquipélago dos Açores, onde o deixava sozinho numa cama com um biberão, todo o dia, por vezes toda a noite, com as fraldas sujas e no escuro, foi resgatado pelo pai, com consentimento da mãe, que cedeu a custódia a troco de mil e quinhentos euros…
Relembro ainda o caso do Felipe (tem outro nome, claro), queimado deliberadamente pela mãe com água a ferver aos 5 anos, do pai absolutamente indiferente a tal coisa “Alguma coisa ele fez…” era o que repetia com ar de torpor alcoólico.
Recordo ainda todos os meninos e meninas indesejados, que nascem de pai e mãe, que são maltratados por vezes até à morte por quem os devia proteger.
Recordo o exemplo do Gabriel, que a mãe depois de um casamento falhado, encontrou paz, sossego e carinho com outra mulher, outra mulher que levava o Gabriel à Escola, às vacinas, que o ajudava nos trabalhos de casa, hoje o Gabriel é casado têm um filho que coloca à guarda dessa outra mãe, não tem dúvidas sobre a sua sexualidade, o pai dele nunca procurou conhecer aquele neto.

Por fim pensei se o senhor dos esses sibilantes saberia do que estava a falar?
Se cumpriu todas as normas da conduta que abraçou não procriou, não sabe que mais do que tudo uma criança precisa é de amor, incondicional, carinho, claro que precisam de outras coisas também, quantas mães e quantos pais por outros motivos sem ser a orientação sexual educaram sozinhos os seus filhos, quantos pais só de carinho educaram filhos alheios, quantos heterossexuais, casais, maltratam os seus filhos?

18 comentários:

TM disse...

Não deixa de me surpreender a forma como se cruzam palavras de suposta sabedoria com uma tremenda ignorância....
Será que as incontáveis crianças que não têm o amor que deveriam receber preferem ficar sem amor que o receber de dois homens ou duas mulheres?

Maldonado disse...

É fácil fazer filhos, mas educá-los é difícil.
Eu sou a favor da adopção de crianças por parte de casais homossexuais.
Na educação duma criança o que conta é o afecto e o amor e não o ADN ou o género dos seus educadores. Porque não aceitar-se um novo modelo de família? Porque é temos de aceitar sempre o modelo da Igreja ou da sociedade burguesa?
A bem dizer, há muitos pais que não passam de meros progenitores, i.e., só se limitaram a pôr crianças no mundo, não lhes dando nenhuma educação. Os exemplos que enuncias são uma demonstração inequívoca disso...
É preciso mudar a nossa mentalidade!
Infelizmente o português comum ainda é um reduto do Estado Novo...

mugabe disse...

É claro que tens toda a razão Ana.

Abraço!

Capitão Merda disse...

Ainda bem que as crianças não são educadas pela padralhada...

salvoconduto disse...

Hoje já comentei o tema em diversos blogues, à falta de melhor aqui vai o que escrevi no último que visitei.

Ao que parece para a igreja reunida no casino uma criança para crescer tem que ter um pai e uma mãe a acompanhá-la em simultâneo. Condenada está a criança filha de mãe solteira, de homem ou mulher divorciada ou órfã de mãe ou de pai...

Ainda um dia me hei-de confessar no casino.

Zorze disse...

Ana,

A questão central aqui é darem importância a um fulano que representa uma igreja e consequentemente as suas afirmações.
Ele tem a importância que lhe quiserem dar. Teria que ter alguém que lhe explicasse primeiro acerca das questões religiosas. Explicar-lhe que está totalmente errado. Eu poderia fazer isso.

A opinião dele vale o que vale, como tantas, somos cerca de 6 biliões.

Tanta excitação pelo opinião de um?

Beijos,
Zorze

Diogo disse...

Julgo que num caso de adopção, e em caso de empate em tudo o resto (amor e condições para dar a uma criança), a melhor solução é um casal heterossexual adoptante. As crianças precisam idealmente de uma figura materna e paterna. No caso humano é a mãe natureza a falar.

Quanto ao bispo ou ao padre que falou de forma sibilante, era interessante saber de que forma supera ele os apetites carnais.

Beijo

Ana Camarra disse...

TM-Todos sabemos que o ideal para uma criança será crescver, amada, respeitada, com o pai e mãe biológico. Mas todos sabemos que a realidade tem muitos cambiantes...

Maldonado-O Estado Novo deixou raizes nas mentalidades.

Mugabe-Sabes idar com crianças maltratadas muito de perto ajuda a colocar tudo em perspectiva.

Capitão-O pior é que alguns são...
Confesso a lacuna, nunca entrei em tal estabelecimento.

Zorze- A opinião de um que influencia muitos, que não admitem a intervenção do Estado na Igreja mas estão sempre a meter o bedelho noutros sitios.

Diogo-Concordo contgo no geral,o ideal será isso, mas entre não ter familia de especie nenhuma e carinho de especie nenhuma...
Não sei o que a criatura faz quanto aos apetites carnais.

Já agora lembrei-me de uma coisa, conheço vários homesexuais católicos, devotos, como será que oficialmente lidam com isto?

Beijos
Salvoconduto-

Maldonado disse...

Diogo:
Discordo da tua opinião em relação à adopção, mas não me vou pôr aqui a argumentar em 95 teses, só te recomendo a leitura deste esclarecedor post, pois, pareces ser uma pessoa inteligente:


http://cyberdemocracia.blogspot.com/2009/02/pros-e-contras-casamento-homossexual.html

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Gostei dos "senhores de essses sibilantes" ( e do post todo é claro).
Um di detes ainda ´havemos de ver uma série onde se irá descobrir que são todos dscendentes do Galã de Santa Comba!
a não ser, claro, que tenham apanhado o tique no Casino da Figueira...

AP disse...

As crianças adoptadas por casais homossexuais não correm riscos de sofrer maus tratos?

Sostrova disse...

Percebo o que dizes e no essencial estou de acordo contigo.
Simplesmente acho que esta discussão e sobretudo o timming escolhido para a ter, é uma estratégia do Sr. Sócrates no sentido de desviar a atenção do essencial que são os despedimentos generalizados. O aproveitamento financeiro da crise por parte de algum patronato mal intencionado, que aproveita a conjuntura económica para se descartar de trabalhadores começa a ser obviamente gritante. O governo PS, que não só é conivente como cúmplice desta situação, levanta a questão do casamento homossexual porque sabe que é um tema que vai /está a fazer correr rios de tinta e foca a atenção mediática noutros assuntos que não esta situação laboral de despedimentos contínuos e descontentamento... A sexualidade é sempre um tema que desperta interesse nos media...
Ainda em relação ao tema dos casamentos entre os homossexuais, acho que o direito da família em Portugal é do mais retrógrado e conservador que se pode imaginar... E se queres que te diga mais urgente a alterar do que a legislação sobre o casamentos entre pessoas do mesmo sexo, será a lei da guarda de menores. Neste momento a lei de menores é completamente machista porque assume que as mulheres têm mais capacidade para cuidarem dos filhos. Assim a um casal que se separa, o estado à partida dá o poder paternal automaticamente à mãe e eventualmente, se o pai ceder nos seus direitos naturais, se conseguir chegar a um acordo com a mãe (a ex-mulher), com sorte e com um juiz progressista pode eventualmente poder ter acesso à guarda conjunta... Isto porque o sistema legal parte do pressuposto que as mulheres são mais competentes como mães que os homens enquanto pais. De facto esta é uma lei para pais ausentes que por vontade do estado se devem limitar a pagar uma pensão de alimentos e ir buscar os filhos ao fim-de-semana de quinze em quinze dias...
A meu ver, e tendo em conta o volume de população e percentagem de crianças envolvidas, é muito mais urgente mudar a lei do direito da família relativamente ao poder paternal e à guarda do que em relação à oficialização de relações amorosas... Acho que a lei deve preocupar-se em primeiro lugar com os mais fracos, e os mais fracos são as crianças... Da mesma forma que acho que a lei da adopção deve ser alterada e deve ser retirado o poder às instituições de acolhimento que são na sua maioria fundamentalistas católicas e muitas vezes geridas por padres...

Ana Camarra disse...

Carlos-Se calhar são...

AP-è claro que sim, a questão é considerar que os homosexuais são pessoas iguais aos que não são.

Sostrova-Eu percebo-te e acho pertinente, acho que existem imensas coisas a muidar nbesate país, não suportei foi ser aquela criatura a dar bitaites...

beijos

Ana Camarra disse...

Carlos-Se calhar são...

AP-è claro que sim, a questão é considerar que os homosexuais são pessoas iguais aos que não são.

Sostrova-Eu percebo-te e acho pertinente, acho que existem imensas coisas a muidar nbesate país, não suportei foi ser aquela criatura a dar bitaites...

beijos

Ana Camarra disse...

Carlos-Se calhar são...

AP-è claro que sim, a questão é considerar que os homosexuais são pessoas iguais aos que não são.

Sostrova-Eu percebo-te e acho pertinente, acho que existem imensas coisas a muidar nbesate país, não suportei foi ser aquela criatura a dar bitaites...

beijos

SENSEI disse...

A grande HIPÓCRITA, é a designação correcta para a instituição que é a Igreja.

Lembro bem uma história, passada num seminário, onde um jovem, de tez branca, loiro e de olhos azuis profundos como o oceano, foi cobiçado por "homens" da igreja, a tentação cedeu facilmente às supostas crenças ou vetos feitos.
Na sequência, o jovem, abandonou o seminário, mais tarde, foi hóspede de um estabelecimento prisional de alta segurança, cumpria uma pena de 18 anos por homicídio agravado. Até que ponto, este jovem não foi um produto falhado, de uma instituição falhada?
Quantos jovens, calaram, calam e continuarão a calar, abusos de uma igreja, que no fundo é feita por homens, repito, HOMENS, privados da sua condição de mamíferos, reprimindo os desejos mais básicos de qualquer ser vivo?
A instituição eclesiástica e as suas regras ou princípios, é que são contra-natura, para além de misóginas, criando assim um sentimento de pura xenofobia pelo sexo oposto. Ora isto em jovens, é de uma crueldade sem limites, confundindo-os e baralhando os seus instintos básicos, onde a repressão é a batuta da instituição, é natural que procurem consolo entre eles, muitas vezes, confundindo nas suas carências, carinho com carícias e amor com práticas homossexuais.
As provas contra a instituição Igreja, são mais que muitas, a este nível.
Contudo, a homossexualidade consciente e escolhida, deve ser respeitada, assim como respeitado deve ser quem essa opção tomou e a assumiu com seriedade, fidelidade e amor.
Assim, acredito que uma criança, possa ser feliz, num lar homossexual, onde exista amor, harmonia e grande carinho, sem dúvida os ingredientes certos, para um crescimento equilibrado, onde a informação sexual existe e não é tabu, dando espaço á criança, para esta efectuar as suas opções sexuais, a quando atingir o estado adulto.

Xôxos

Ouss

Orlando Gonçalves disse...

O que cada criança precisa é de amor, seja ele dado por homens ou mulheres. Falsos moralistas alguns dos senhores da nossa praça.

Fernando Samuel disse...

Quem de facto não tem condições mínimas para educa crianças são as pessoas do género desse bispo reaccionário,cavernícola, obsceno...


Um beijo.