quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Limões e Ervas Frescas



Ela passava todos os dias ali.
Deixava um rasto de alvoroço com o seu cheiro de limões e ervas frescas, um andar quase inseguro, um sorriso que poupava mas que quando aparecia iluminava toda a rua.
Ele seguia o seu andar, por vezes ficava ali só por ficar, nem se lembrava que esperava por ela, só quando o seu cheiro a limões o relembrava que sim, que era por ela que esperava.
Ela seguia, só, acompanhada, calada e grave, algo absorta, com sacos, com casacos e cachecóis, depois com roupas mais leves, até chegar a sandálias e blusas fininhas, sempre com o cheiro de limões e um andar inseguro.
As estações passaram, ele foi ficando estacionado naquele local, muito menos decidido do que o andar dela, a inventar-lhe um nome, um tom de voz, talvez o sabor dos lábios dela.
Pensou nas mil e uma maneiras de se lhe dirigir, fantasiou conversas, carinhos, até futuros.
Um dia ela deixou de passar, ele murchou sempre à espera do cheiro de ervas frescas e limões, o seu passo quase inseguro e por vezes um sorriso que iluminava toda a rua.

8 comentários:

samuel disse...

O céu pode esperar... a vida não.
Belo texto!

Abreijos

Fernando Samuel disse...

Ele... à espera dele...




Um beijo.

Ana Camarra disse...

Samuel- Não devemos deixar a vida esperar.

Fernando Samuel-Deixou de lhe cheirar a limões e ervas frescas...

Beijos

Diogo disse...

Milhões de oportunidades perdidas. A timidez perdeu-o.

Beijo

Sunshine disse...

O tempo passa ... a vida passa ... é preciso agarrar o momento e vivê-lo.

Para ele e para ela tb.

Bjs Ana

Melhor ??

:)

salvoconduto disse...

Ora aí está, não deixes para amanhã, porque quem parte leva saudades e quem fica perde o avião...

Não é assim msa é parecido.

Abreijo.

Ana Camarra disse...

Diogo-A audácia por vezes compensa, se não compensar paciência!

Sunshine-Nem mais!

Salvo-Não conhecia, mas está bem!

beijos

SENSEI disse...

Nem sempre é fácil!

As questões são muitas, há que as esquecer e, não preparar nada quando os sentimentos nos tolhem e toldam o raciocínio, mas sim FAZER, porque vida, há só uma e, cada segundo que passa, jamais se repetirá.

Xôxos

Ouss