terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Publicidade



Nesta altura multiplicam-se os anúncios com apelo solidário.
Aborrece-me, sou solidária todo o ano, não só nesta altura.
O pior é que alguns deles são demasiado hipócritas, por exemplo uma cadeia de super e hipermercados arranjou duas mascotes, um hipopótamo, fêmea e um passaroco.
Apelam á compra de uns cd’s de uns livros, com receitas com duetos musicais, parte da receita reverte para várias coisas, coisas que não deveriam estar dependentes destes subterfúgios, digo eu.
Eu gosto de publicidade bem feita, adoro um bom anúncio, mas ultimamente é só desgostos.
Irrita-me pedirem para separar-mos embalagens para prevenir o cancro da mama, o cancro da mama devia de ser prevenido, as embalagens recicladas sem ser necessário acoplar as duas coisas.
Irrita-me comprar um disco para que uma unidade de cuidados neonatais tenha mais um equipamento, ou uma unidade de oncologia.
Devia de comprar os discos que gosto de ouvir só e apenas, e os meus impostos deveriam de ir para essas coisas em vez de irem ajudar uns gestores de fortunas…
Irrita-me ainda solenemente que a cadeia de supermercados que apela a este consumo para ajudar, seja onde existe mais precariedade, seja uma das cadeias comerciais onde as funcionárias se enfaixam durante a gravidez, para oculta-la, para conseguirem mais um semestre de contrato a prazo, mal pago em horários estapafúrdios que não as deixam estar com a família.
Ou então isto é muito mais avançado do que imagino e é um estratégia concertada, fornecem os utentes das unidades neonatais e os equipamentos, tipo pescadinha de rabo na boca, estão a ver?!

18 comentários:

korrosiva disse...

Concordo plenamente... é triste ter de pagar para ser solidário, e que os impostos que pagamos não sirvam para essas mesmas instituições :{

beijinhos

salvoconduto disse...

São deprimentes este tipo de accções, contribui-se, e já está, passa-se um natal tranquilo...

duarte disse...

a contribuição está institucionalizada,pode ser bom, mas também pode ser o ponto de partida para muita coisa...
bonito é dar,sem esperar nada em troca(um sorriso basta).
ser solidário é ajudar um cego a atrevessar a rua.
ser fraterno é dividir-mos o nosso pão com quem tem fome e que muitas vezes mora aqui ao lado,a dois passos...
esta é a única verdade que tenho presente.
ainda me lembro de há ums anos,virmos a descobrir que donativos a aplicar num instituto de oncologia,foram desviados...
não acredito neste sistema,mas sim em gestos do quotidiano.
abraços do vale

Utopia das Palavras disse...

Embora discordando, ainda admitia se essas acções fossem contínuas ao longo do ano. Mas assim...NÃO!!
É demais a hipocrisia!!!

Um beijo

Ludo Rex disse...

Moça, Não vamos em ‘Cantigas’ e protestamos... Vamos Comprar Menos e Viver Mais!
Kisses

poesianopopular disse...

Ána
Nós somos solidários nas campanhas, e os filhos da puta com o nosso dinheiro vão ajudar os bancos privados.
Exploram-nos e ainda nos querem sugar o sangue PQP.
Bjo camarada

poeta_poente disse...

Quando trabalhei numa empresa que agora não interessa o nome, houve uma campanha de solidariedade em que se pedia às pessoas para comprarem um bonequinho por cinco euros... até aí tudo normal... o pior foi quando fiquei a saber que desses cinco euros, um era para a vendedora, outro para a empresa que tinha cedido o espaço para a campanha e três para solidariedade, que claro, ainda tinha que pagar o boneco em si e toda a logística... nunca mais contribui com um único tostão para solidariedade.

PAULO LONTRO disse...

Como em tudo na vida, nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Claro que há falcatruas e claro que há o dar para ter menos peso na consciência.

Se a Ana me permite dar a minha opinião aos que já comentaram eu digo que os vossos exemplos são todos maus mas também os haverá bons e com uma estrutura organizada, fiável e confiável.
É também possível, porque é obrigatório o registo, pedir o resultado dos custos e proveitos dos donativos assim como o relatório da distribuição desses mesmos custos e proveitos.

Eu tendo a concordar com o post na sua essência mas talvez não seja tão radical e meter tudo no mesmo saco.

CRN disse...

Ana,
Solidário pagando??
Prefiro ser solidário votando em quem reponha os direitos espoliados depois de 1975.

Banda do Casaco, onde andam eles?

A revolução é hoje!

Ana Camarra disse...

Korrosiva-O problema é esse mesmo, termos de pagar pelo essencial, mais apelarem ao consumo como solidariedade.

Salvoxconduto-Existem organizações para as quais contribuo da melhor das vontades, por exemplo a AMI, seja como for subsidiam médicos, enfermeiros e cuidados de saúde em zonas de guerra ou catástrofe. A todos que deles precisem, não costumam pedir dinheiro, embrulham prendas na FNAC, pedem radiografias, essas coisas. O que me irrita é o que disse à Korrosiva.

Duarte-subscrevo

Ausenda-Para mim o problema nem é esse, não se trata de construir uma Igreja ou a sede de uma Colectividade, trata-se de equipamentos de saúde que fazem falta. Terá de ser através do Cd da Popota?

Ludo-Geralmente compro o que preciso, na medida do dinheiro que tenho. Comprar um bem “supérfluo” como um livro ou disco porque me dá prazer, também é viver.

José Pois aí está o busílis, o nosso dinheiro é canalizado para onde não deve em detrimento do que faz falta que depois é comprado de um forma enviesada através de um apelo ao consumo que por sua vez engorda os do costume, dando umas migalhas para onde fará falta….

Poeta poente-Bem vindo, eu também já assisti a certas coisas em certas Organizações não governamentais que me deixaram siderada. Volto ao mesmo é para estas coisas que os nossos impostos deveriam ir, não para outras.

Paulo Lontro-è claro que se pode dar a opinião, se não cortava os comentários, no essencial estou de acordo, mas de facto a mim irrita-me apelarem ao consumo de determinados bens com o engodo da solidariedade. Quando muitas vezes a solidariedade que nos pedem nem devia de ser pedida.

CRN-A Banda do casaco tem sempre lugar aqui no Isto tem Dias….

Beijos

F Nando disse...

Concordo contigo e atenção que o Estado cobra os 20% da praxe pelos cd e jogos. Solidariedade sim mas com regras! O Estado é que pode decidir a quem se "solidarizar" e esses é só pedir e a Saude fica a aguardar para pagar aos fornecedores.

Zorze disse...

Ana,

Eu não sou de dar esmolas, por razões que agora não vêm ao caso.

Mas, como contribuinte de um Estado que já "deveria" ter essa função de proteger os mais socialmente necessitados. É para isso que o Estado serve, pois através do nosso trabalho desconta o dízimo.

Beijos,
Zorze

Menina Idalina disse...

Com estas campanhas apazigua-se o sentimento de culpa de uma educação judaico-cristã. São intermediários da pobreza com o nome pomposo de "responsabilidade social" que por sua vez dá direito em termos de impostos a fazer brutais descontos . O Estado esse, gosta muito da sociedade civil acantonada na caridade e na cidadania passiva de votarem neles apenas de 4 em 4 anos. O estado desresponsabiliza-se assim das suas obrigações . E isso de direitos ... preciosismos para estes neoliberais.

Sabes, estas almas são muito sensíveis somente às criancinhas e no Natal. Os idosos podem morrer ao abandono,na rua, de morte lenta e triste .

MAs é Natal e as ruas estão cheias de bolas e arvores gigantescas .

Ana Camarra disse...

F Nando- Pois, cobra o mesmo imposto que no ouro.

Zorze- O dizimo não, os impostos são legitimos, deviam era ser aplicados de forma legitima não em bancos gestores de fortunas.

Menina Idalina-Pois é uma especie de penico da consciência...

Beijos

Fernando Samuel disse...

É bem capaz de ser isso...


Um beijo.

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Deve ser...

Beijo

PDuarte disse...

precisamente a minha opinião.
nem mais.

SENSEI disse...

O estado, demite-se das suas responsabilidades!
O dinheiro dos nossos impostos, é pouco para pagar aos proxenetas que nos governam e, aos seu amiguinhos.
A solidariedade perpetrada pela cadeia Continente, ou por qualquer outra, é uma falsa solidariedade, 1º procuram dar uma imagem de humanidade aos consumidores, mas tratam os seus colaboradores com condições sub humanas, nem como colaboradores os consideram, mas sim como produtos descartáveis.
Do dinheiro que damos para essas associações de solidariedade, apenas 5 a 10% chega a quem de facto necessita, o resto é lucros fáceis para gentes sem escrúpulos, treinadas para dizerem frases feitas, fazerem olhares meigos, mas as intenções são outras e muito duvidosas.

Se o estado se está a demitir das suas funções!... Afinal para que serve ter Estado?

RUA COM ESSA ESCUMALHA PROXENETA.

Xôxos

Ouss