
Pronto escrevo para o vazio, mas será que Internet é uma espécie de éter e vais ler ou ouvir.
Tenho falta de tantas coisas.
Tenho falta de me ensinares a dançar com os meus pés, há época pequenos, em cima dos teus, tu também não sabias dançar, mas eu fingia que não percebia.
Tenho falta de ir contigo na rua e começar a chover, e a terra cheirar muito a terra molhada, abrias a gabardina e aninhavas-me ali, e eu reconfortada cheirava o teu cheiro familiar, a tabaco.
Depois os domingos em que a mãe se afadigava a construir o nosso prato favorito, Bacalhau à Brasileira, expectante esperava a nossa primeira garfada e perguntava “Que tal está?” nós trocávamos um olhar cúmplice, respondias “Escapa…” e dizia “Podia ter mais cebola…”. Sabes ainda hoje ela faz o mesmo…
Tenho falta de tantas coisas.
Tenho falta de me ensinares a dançar com os meus pés, há época pequenos, em cima dos teus, tu também não sabias dançar, mas eu fingia que não percebia.
Tenho falta de ir contigo na rua e começar a chover, e a terra cheirar muito a terra molhada, abrias a gabardina e aninhavas-me ali, e eu reconfortada cheirava o teu cheiro familiar, a tabaco.
Depois os domingos em que a mãe se afadigava a construir o nosso prato favorito, Bacalhau à Brasileira, expectante esperava a nossa primeira garfada e perguntava “Que tal está?” nós trocávamos um olhar cúmplice, respondias “Escapa…” e dizia “Podia ter mais cebola…”. Sabes ainda hoje ela faz o mesmo…

Disputar contigo os alhos dos caracóis, que me deixavas comer.
Depois as conversas do mundo, e tudo das Guerras, da Paz, as coisas incríveis que os homens são capazes de fazer, bem e mal.
Falar da magia dos filmes, dos livros, dos quadros, das músicas, dos poemas….
Faz-me tanta falta!
E ensinavas-me as canções da Guerra Civil de Espanha “La mujer de Paco Franco no coziña com carbon Ai Carmela….”.
E ouvíamos quietos, eu já crescida, um disco de Jazz, de música clássica, Zeca, Adriano, José Mário Branco ou Fausto, com um copo na mão sem palavras, só suspiros ruidosos de quem faz força para não chorar.
Tenho tanta falta de tantas coisas!
Do orgulho em ti e do orgulho que tinhas em mim!
Do reflexo do teu carinho nos meus filhos, teus netos, que mimavas à exaustão.
Do pequeno ciúme que tinhas sempre por qualquer homem da minha vida.
E sair contigo de manhã para onde ias em serviço, quase adolescente eu, a comer em tabernas e a ver partos de vacas e ovelhas, dar de comer a porcos, ver as coisas a crescer, pelo caminho explicavas que aquelas flores amarelas eram tremoço e azotavam os campos, dando-lhes força para a próxima colheita…
E discussões mais sérias, a politica, do mundo a satisfação das tarefas cumpridas….
Batermos o pé ao compasso da música, visitarmos as Docas, os Cais, as Lotas, ver os barcos e sentir cheiro a sal e maresia.
A música da venda na Lota….
E ensinavas-me a idade das árvores pelos anéis da madeira.
E o tempo ficávamos só parados a comunicar sem palavras e depois fazíamos um comentário igual em uníssono e riamos no fim, com o mesmo riso…
O cheiro a sal e maresia, o cheiro a serradura, o cheiro a tabaco, três essências de ti.
Comentários
Kiss Grande
Abreijo
salvoconduto-Muito obrigado, tem muito valor vindo de ti.
Beijocas
Eu tenho força, estas recordações também dão força.
São recordações boas.
~beijocas
Abreijos
Ouss
As tuas recordações, são a prova de que o Mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos duma criança!
E agora ao ritmo da valsa, lá lá lará lá lará......
Beijocas camarada, já falta pouquinho, até láá!
Sensei - Pois dá!
Mac - A vida não é muito justa mas é o suficiente para recolhermos estes pedaços de coisas boas e ter a noção que temos largos momentos de felicidade, do quais não nos damos conta no momento.
José - Pois é para a semana logo conversamos de outra forma.
Beijocas
Podes ter a certeza que ouve. Não lê mas ouve o teu pensamento. Que se exterioriza e se espalha pelo Universo. E quanto mais emoção se põe, mais energia se exterioriza. Pois os nossos pensamentos vão carregados com as nossas emoções.
Beijos,
Zorze