quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Morte nunca existiu!


Por que hoje morreu mais alguém
Alguém jovem
Alguém que queria viver
Alguém que não devia ter morrido
Só me ocorre isto


Tudo o que for vivente tem
Uma queixa que o percorre
E quando um dia a vida morre
A morte morre também

Essa já não mata ninguém
Onde nasceu se sumiu
Só p'ra esse corpo serviu
Ali fez as contas do Porto

Não vai dum p'ra outro corpo
Porque a morte nunca existiu

A morte não sai p'rá rua
Nem anda de terra em terra
E quando um dia a vida degenera
A morte, cada um tem a sua

Essa já não continua
Onde nasceu foi acabada
Depois foi ser enterrada
Com o corpo debaixo do chão

Mesmo nessa ocasião
Foi pela vida gerada.

Onde é que essa morte está?
Onde tem o acampamento?
P'ra matar milhares ao mesmo tempo,
Uns no estrangeiro, outros cá

Essa morte não haverá
P'ra que faça tanto corte
Inda mesmo que seja forte
Que haja isso, eu não acredito

Estragou-se o sangue, perdeu-se o esp'rito
Da vida passou à morte

Como é que podia ser
Uma morte só ter tanta substância,
O mundo ter tanta distância
P'ra tanto vivente morrer?

Cada um tem de a sua ter
E pela vida é que é fundada
Que ela, que anda de estrada em estrada
Ninguém tenha esse abismo

Quando se pára o maquinismo
É que fica a morte formada


(Cantada por José Mário Branco)

23 comentários:

Anónimo disse...

Pronto já percebi...
Não fiques muito triste, já sabes que a vida é assim...
Arrebita, não gosto que estejas assim...

Beijão

Paulo

Anónimo disse...

Pronto já percebi.
Não fiques assim.
De vez em quando é isto.
Não gosto que estejas triste.

beijinho e abraço

Paulo

AnA disse...

A morte é uma coisa para a qual nunca estamos preparados,diga o que se disser. Põe um sorriso e post'a aí qualquer coisa bonita e alegre, como tu sabes fazer.

Capitão Merda disse...

Presumo que perdeste alguém querido...
Só posso dizer que lamento!

Ana Camarra disse...

Paulinho - Pois tens razão..

Ana - Tu também, tens razão e é verdade nunca estamos preparado, ainda ontem fui avisada, fulana está a acabar...
Hoje não consigo colocar nada alegre, amanhã é outro dia...

Capitão - Obrigado pela gentileza.

beijos

José Gil disse...

Ana a morte só absoluta quando quem morre cai no esquecimento. Enquanto a sua memória acariciar os corações de quem as tem, qualquer ser se mantem vivo, ultrapassando as barreiras físicas da morte.

Somos nós os que cá ficamos, que nos tornamos guardiões dessa "riqueza", dessa vida que entretanto se finou, pelo simples facto de não a esquecermos.

Eu gosto de a ver mais alegre. Um beijo muito especial e os meus pêsames pela sua perda. Amanhã será definitivamente outro dia.

Um beijo e um cravo, que sei que não gosta muito de rosas.

Ana Camarra disse...

José Gil

Curiosamente também não gosto muito de cravos, só vermelhos pelo simbolismo.
Gosto de margaridas, girassois, papoulas, mas agradeço na mesma...
Amanhã será outro dia...

bjks

SENSEI disse...

Não tenho hábito de publicar poemas, mas gostei deste e sei que gostas desta autora, no caso deste post, achei indicado, assim de Sophia de Mello Breyner Andresen, o poema:
"Para atravessar contigo o deserto do mundo"

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento


(O vento amanhã trar-te-á outro tempo)

Ouss

Ana Camarra disse...

Sensei

Muito Obrigado
è muito Bonito, já conhecia, mas é muito bonito.

Amanhã é outro dia...sim.

beijos

salvoconduto disse...

Desculpa, mas não quero falar da morte, apenas respeito, aos mortos.

Uma margarida e um abreijo.

Ana Camarra disse...

Salvoconduto

E tu achas que eu quero?
Mas não consigo fugir.
Obrigado pela margarida e pelo abreijo

abreijo para ti também

Ludo Rex disse...

Sabemos que morte rouba toda a seriedade à vida, no entanto temos que a encarar de frente. O físico vai, a memória perdura. Força Amiga. Kiss

Ana Camarra disse...

Ludo

Quando são pessoas jovens custa mais...

Mas amanhã é sempre outro dia...

bjks

Miss K disse...

Acho que nunca te disse isto, mas adoro as imagens/fotos que colocas nos teus posts! Para além daquilo que escreves, claro :)

CRN disse...

Olá Ana,
"Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada."

Cumprimentos.

Ana Camarra disse...

MIss K - Obrigado.

CrN - Pois tens razão, mas agora que vou dar um beijo á familia até me doi o espirito, o que é que eu digo á mãe? Isto é contra natura.

beijocas

poesianopopular disse...

Ana
A partir de que nascemos, fica-mos na lista, só não sabemos em que lugar.
Dói, porque é sofrimento, que o tempo acaba por desvanecer.
Bjos amiga

Zorze disse...

Ana,
eu tenho uma opinião conceptual acerca da morte algo diferente da maioria das pessoas (já deves ter reparado nisso).
Um dia farei um post sobre Tanatologia = estudo da morte e Tanatofobia = medo da morte.

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

José (Poesia) Doi sempre muito amigo, nunca nos habituamos e é a única coisa que está certa á partida, a morte e os impostos...

beijoca e obrigado

Zé Ferradura disse...

Olá Ana,

Palavras não explicam a morte de alguém querido.
Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, o namorado e a namorada, o marido e a mulher, amigos de verdade.

Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.

Toca a elevar a moral!

Bj
Zé Ferradura(algures no oceano)

Ana Camarra disse...

Zé Ferradura

Obrigado
Aproveite esse oceano por mim...

bjks

samuel disse...

Esta cantiga do Zé Mário é fantástica!
(E a vida também pode/deve ser... apesar da morte!)

Abreijos

Ana Camarra disse...

Samuel
A vida é fantastica mesmo e a morte por muito que nos custe faz parte da vida.
As cantigas do Zé Mário são todas fantásticas, não conheço nenhuma "menor".

Abreijos