segunda-feira, 21 de julho de 2008

O cabelo e a corrente



Em miúda li um conto que não lembro o nome nem se é de Victor Hugo, Guy de Maupassant ou Emile Zola.
A história é simples, um casal jovem e apaixonado que luta contra a miséria, numa sociedade consumista onde aquilo que se parece ter é muito importante.
Fazem um ano de casados, ela possui uma cabeleira linda, ele possui um relógio de bolso, de prata, sem corrente.
Anseiam os dois por dar uma prova do seu amor e decidem.
Ele empenha o relógio para lhe comprar umas travessas de prata.
Ela vende o cabelo, numa casa de perucas, para lhe comprar uma corrente para o relógio.

Quando se encontram já noite e trocam presentes ficam estupefactos, ela já não tem cabelo para as travessas ele já não tem relógio para a corrente.
O Amor não se mede nas matérias, nas prendas, mede-se nos gestos, nos carinhos nas palavras e até nos silêncios.
Empurraram-nos para uma sociedade em que tudo tem etiqueta, valor pré determinado, custos, deve e haver, medem-nos pela marca do relógio, da roupa, da cilindrada do carro.
Como se essas coisas fossem quantificaveis....

Até quando venderemos os relógios e as correntes?

28 comentários:

Anónimo disse...

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Anónimo disse...

Ana

è verdade hoje todo a gente se mede pelo que tem
ou pelo aquilo que parece que tem, que muitas vezes também é só aparencia.

o verdadeiro ser das pessoas não é roupa, os sapatos, o automovél, a prenda cara.

é a ternura, a amizade, a inteligência, a boa disposição, essas coisas

desconfio que anda tristinha...

alegre-se afinal, pelos vistos tem muitos amigos, tanto de carmne e osso, como virtuais.

olhe virtuais tem aqui um.

beijos

Augusto

PS-esse quadro é lindo de quem é?

Rei da Lã disse...

Foi mais ou menos por isso que vendi a minha prótese dentária.

Eduardo disse...

Ana

Pois é agora são casa de penhores, sinal inequivoco dos tempos de miséria em estamos.
Música sexy.
A pintura é linda.

Parece-me que anda tristinha, arrebite...

beijos

farfalho, o maltês disse...

Cá por mim é melhor estar calado.

Low profile.

Anónimo disse...

Miuda fofa

Então a disposição continua reles.
férias, népia.
música sexy, também cantavas isto bem, é bom que saibam que não era só fadunchos.

O quadro deve de um daqueles pintores malucos que tu gastas.

Livros, pois eras uma chata sempre carregada de livralhada.

E depois lias coisas deprimentes, vender a gadelha, francamente...

beijões

Paulinho el niño

(Tens de me ensinar a fazer um blogue o Bloguiño)

Ana Camarra disse...

Anónimo - Carlos Drumond de Andrade?! gostava mesmo que se identifica-se é simpático mas acho que não mereço tais oferendas.

Augusto - Obrigado pela amizade

Rei da Lã - E agora tem um vassalo a mastigar por si, ou só come papas...

Farfalho - Low profile?!

Eduardo - Realmente as casa de penhores eram coisas de que me falava a minha avó, mas estão aí.

Paulinho meu menino - Não canto nada bem tu é que não tens ouvido para a música...monco!

Beijos

bivolta disse...

Low profile. Camarrada

Nada de barulhos ou charangas
Discreto; sem dar nas vistas.

Mas mais eficaz.

Anónimo disse...

Anocas

Ponho-me a pensar como a vida é engraçada, eu sempre fui um betinho, tu sempre foste igual a ti própria, ainda um niquinho de gente, já preocupada com as injustiças desta vida.
As outras preocupadas com os trapos e outras porcarias e tu nem ligavas, fazias a tua moda vestias o que querias.
Lias, interessavas-te por filmes, quando as outras falavam de rapazes e parvoeiras e tu tinhas uma conversa de gente grande.
Hoje continuas assim, tu mesma, sem ligares aos cães que ladram, daquilo que pensam de ti.
Igual sempre a ti própria, foi isso que me disseram e é isso que vejo nesta janela que abres sobre ti.
Eu betinho me confesso, estou menos betinho desde que cá venho, sinto-me melhor mais inteiro.
Tenho saudades tuas miuda!

beijos

Zé Manuel

Eric Blair disse...

vão-se os dedos, fiquem os anéis ...

Ana Camarra disse...

bi volta - Outro do Low Profile, isso deve ser andaço...

Eric - eu acho que qualquer dia vão os dedos também...

beijocas

Ana Camarra disse...

Zé Manuel

è verdade sempre foste betinho, espero que estejas curado!

obrigado pelos elogios ando em maré de sorte, tenho de passar a andar de babete...


beijos

farfalho, o maltês disse...

E se fosses dar duas voltas
e meter-te

na tua vida...

Mete a eficácia no colarinho

Anónimo disse...

Ana,

Cá para mim O POETA deve ser o teu marido!?que deu em Poeta anónimo?! SERÁ?

Ou então deverá ser mais um daqueles Pseudo-Intelectualoides tarados que se fazem passar com uma imagem de, muito amorosos, perfeitos e todos cheios de lamechices, claro que isto é tudo virtual, porque na realidade deve ser um daqueles que manda a mulher para o Hospital com um enxerto de PORRADA!!

bjos,

Ana Camarra disse...

Ó Maltez

Então vens para aqui zangar-te com o bi-volta, olha que ele é bom rapaz.

E isto é um blogue pacifista....

beijos

Ana Camarra disse...

anónimo das 15h32

Não é o meu marido porque sempre me disse o que tinha de dizer não precisa de falar de amor pela blogoesfera.

Não me relaciono com pessoas que batem nas mulheres...
Tenho asco, batam antes com a cabeça nas paredes!

salvoconduto disse...

Agora ouço Brell, vale a pena vir e ouvi-lo em "une valse a mille temps"

Obrigado pelo conto seja ele de Victor Hugo, Guy de Maupassant ou Emile Zola!

Ana Camarra disse...

salvoconduto

Pois também gosto muito de Brell, na verdade adoro.

O conto é uma pequena maravilha!

beijo

Anónimo disse...

olá linda,
infelizmente reatou-se valorizar as pessoas pelas aparências.É onde esta sociedade nos leva, vão-se perdendo os autênticos valores pelo caminho.
às vezes sinto-me a recuar no tempo, quando na escola A. da Silva os grupos se faziam com meninas bem vestidas, filhas de chefe de serviço, e meninas menos bem vestidas, filhas de operários.
Quanto ao conto, estou como o salvo conduto, obrigada por postares aquilo que gostas. Eu sei que vale a pena.
Bjs
Ivone

Ana Camarra disse...

Obrigado amiga.
Gosto muito que venhas cá e deixes rasto.

Uma beijoca

Miss Piggy disse...

Olá, desculpa a evasão, pois não me conheces e eu deixei aqui um comentário.
Tive a curiosidade de vir ver o teu blogger depois de ver os teus comentários de arrependimento nos posts sobre o jantar blogosférico, mas com estes “camaradas” vais de certo ter imensas oportunidades para te juntares a nós.
Agora mudando de assunto, adorei os teus post e este ultimo é muito bonito e está muito bem acompanhado por um quadro magnífico. É quando temos menos possibilidades que damos valor as pequenas coisas, e que por muito pouco que tenhamos fazemos qualquer coisa para agradar quem nos rodeia. Muitos parabéns mais uma vez.

Beijinhosss e Abracinhosssss

Zorze disse...

Lindo conto, Ana.
Este neo-liberalismo, esta sociedade consumista faz as pessoas andarem a correr de um lado para o outro, quais baratinhas tontas. Mede-se o "valor" de uma pessoa pelas casas, carros, roupas, aparelhos e aperelhinhos que possuem. Irra !!
Às vezes já me pergunto se os telemóveis também dão para telefonar.

Beijos,
Zorze

Zé Ferradura disse...

Olá,

Tenho imensa pena que a sociedade esteja cada vez mais transformada de um vazio social, na qual os valores humanos se depreciam, valorizando-se a "etiqueta" ou o "rótulo" de cada ser humano!

Bj
Zé Ferradura

Ana Camarra disse...

Miss Piggy -Muito gosto, venha sempre que quiser, obrgado pelos elogios.

Zorze - Estou como tu, quando me mostram oum telemovél que tira fotos, tem mp3, rádio, net e não sei que mais, pergunto sempre e essa gaita, faz chamadas?

Zé Ferradura-Penso quie já me vai conhecendo o suficiente para saber que existem coisas que mexem comigo, a desumanidade acima de tudo.

beijos

SENSEI disse...

Ao anónimo de 22 de Julho de 2008 pelas 15:32

Essa foi boa, fez-me rir, eh eh eh eh eh!

O marido da Ana pode ser tudo, mas poeta é que não é de certeza!
Gosta de alguma poesia, mas o que ele gosta mesmo é dela e dos miúdos dos dois.

Depois, poesia lê-se conforme as disposições e assim se escolhem os poemas e os seus autores.
A vida deles é poesia na força de ambos e de uma vontade de ferro numa união onde o espaço de cada um existe e é repeitado mútuamente, mesmo o espaço dos miúdos, pois cada um deles é um ser independente, apenas seguro pelas correntes ínvisiveis do amor e respeito que há entre todos, mas também de cedências sem cobranças e compromissos de alma e coração, onde a mentira é uma ausência num seio em perfeita comunhão de consciência.

Quanto ao pseudo-intelectual, conheço alguns e também outros que cobarde e vilmente mutilam as suas relações familiares e as suas vidas, mas que quando vislumbram o marido da Ana, mudam de passeio e se possivel de rua.

Desculpa ana, mas ele há pessoas que não entendem mesmo!

Quanto ao post, enfim, o amor não necessita de provas, necessita apenas de acontecer todos os dias.
Mas amor é também respeito, compreensão, perdão, entrega, cedência, alegria, tristeza, mas nunca, NUNCA SUBMISSÃO.

Ana Camarra disse...

Pois é Sensei há pessoas que não entendem que a vida mesmo assim com recuos e avanços é poesia.
E o meu merido não poeta, como tu dizes, é muitas coisas, mas poeta não.
E concordo o amor precisa de acontecer todos os dias, com o bom e mau, se não é outra coisa: tara, paixão, rabicho, obrigação...

Mas submissão não!

beijo

Lord of Erewhon disse...

Não te canses - o amor morreu; dá-te por afortunada se, depois da função, não te fanarem a carteira, o carro, o relógio, as correntes, etc...

Ana Camarra disse...

Lord of Erewhon

O Amor vale sempre a pena.
Mas com essa perspectiva não, livra-te...