Os meus meninos


Os meus meninos já não são meninos.
Cresceram depressa demais, sem eu quase dar por isso, das fraldas e babetes passaram aos bancos de escola, de meninos de colo passaram a querer ir ao cinema com os amigos, de histórias á noite passaram eles a contar-me histórias.
São dois homenzinhos, grandes, a quem tenho que mandar fazer a barba, com duas personalidades únicas e desiguais que me deixam no espanto do mesmo material genético produzir cocktails tão diversos.
Calçam uns sapatos enormes, vestem a roupa que escolhem, dão respostas como se pai e eu fossemos tontos e ignorantes, descobrem a música dos anos 80 como se tivessem descoberto a pólvora e ficam espantados quando lhes mostro os mesmos discos em vinil.
Monitorizam as nossas saídas e quando nós país chegamos a casa um vai-se deitar já tranquilo com a complacência de já termos chegado e outro pede satisfações face ao adiantado da hora.
Os meus meninos já saem sozinhos.
Os meus meninos descobriram o amor, andam com aquele olhar esgazeado e contam os minutos para estar com elas.
Parece que ainda ontem eu fazia o mesmo, ainda me lembro da aflição, do estômago cheio de borboletas, dos primeiros sussurros, das primeiras carícias, dos primeiros desgostos.
Tento dizer-lhes umas coisas, coisas para além das doenças e das gravidezes inesperadas, tento dizer que vão ter muitos amores que ainda é cedo, que tenham calma.
Sei que não serve de muito ou melhor não serve de nada, os meus meninos vão aprender sozinhos.
Logo lhes darei a mão.

Comentários

Anónimo disse…
Olá Ana

Ontem falei ti, a morte do Monteiro Leite trouxe-me cá, como de costume estes momentos servem também para juntar os amigos.
Tinha-te visto há uns meses, tu a pé eu de carro, pensei em apitar, mas achei que já não me conhecias.
Alguém me informou deste teu espaço.
Li avidamente todos os teus textos.
Quem te conhece ou conheceu consegue ouvir a tua voz.
Quem percorre a tua selecção musical sabe que só mesmo tu.
Lembrei-me de ti de várias maneiras:
Quando eras muito garota e brincavas dentro do Barreirense.
Quando e as tuas amigas, começaram a ser mulherzinhas e nós, rapazes mais velhos começámos a dar-lhes importância.
Lembro-me ainda de ti no teu esplendor dos vinte anos, uma brasa, qual moura encantada, que fazia abrandar o trânsito e que punha os machos do burgo todos irrequietos.
Lembro-me de teres um namoro longo com pretenso fotógrafo amador que não te merecia e que te ostentava como um troféu.
Lembro-me de lhe dares com os pés e instalar-se uma verdadeira correia ao seu lugar.
Lembro-me de entrares no Bar e pedir-mos ao cantor de serviço para te dedicar canções brasileiras românticas.
Lembro-me de teres começado a namorar com o mais improvável dos candidatos após um período de flirts que nos deixavam alvoraçados.
Parece que ainda estás com ele, os teus meninos são os vossos meninos.
A sorte dele!
Ganhaste peso, mas ainda tens essa cor de canela queimada, os olhos grandes que falam por si só, uns lábios grossos donde sai uma das vozes mais sexys do burgo (não sou eu só que o digo, ainda ontem foi motivo de conversa).
Sei que tens estado doente, sei que tens passado maus momentos, abracei-te no funeral do teu pai, mas não te deixes levar, como dizia Vinicius “è melhor ser alegre que ser triste”.
Sei que continuas a ser uma mulher de fibra e convicções e é assim que gostamos de ti.

Um beijo muito grande,

Zé Manuel
(o que ficou no Porto)
Ana Camarra disse…
Zé Manel

Safa! Só mesmo tu para vires do Porto e levantar assim o astral.
Está tudo bem contigo?
Pergunta estupida: ainda és casado com a São?
Os teus miudos estão bem?
É verdade tenho tido complicações de sobra da minha saude e de familiares como deves de saber, mas cá se vai andando "com a cabeça entre as orelhas".
Por vezes vejo a tua mãe mas desde que se reformaram também não param muito cá, fazem muito bem.
Obrigado pela tonelada de elogios, até me fez sentir melhor.
Não fui ao velório, não estou em condições para isso, nem sei o que se pode dizer aquela familia é muito estupido ver um gajo de quarenta e tal marchar assim...
Para a próxima manda o teu mail que obviamente não publico.
Já agora porqiue achas que rapaz era o candidato mais improvavel? Francamente!

Um beijo com um abraço

Ana
Anónimo disse…
As minhas são duas meninas e vão pelo mesmo.
O tempo escorre entre os dedos.
è assim.
Tenho faltado porque estive em gozo de férias, para variar tem sempre um ambiente 5estrelas.
Mas tem um amigo fantástico, dá para ver que é uma mulher interessante, mas essa descriçãpo apoixanada é fantástica.
Uhm....ò amigo Zé Manuel acho que ainda tem o fraco pela Ana! è pena os outros não lhe conhecerem a voz. Fiquei curioso caramba.

jocas

Augusto
Fátima disse…
Ver os filhos assim a crescer é lixado, mas faz parte da vida.
Gosto muito do seu espaço, já tinha cá vindo e é sempre um prazer.

Também estou indignada com o Rumo do País.
Anónimo disse…
Grande sentido de humor e de amor...
Anónimo disse…
Ana

Só disse que era improvavel porque ninguem estava a ver a coisa, quando viram já era tarde.
Mas face a tantos casamentos feitos e desfeitos se ainda estão juntos é porque resultou porque não és rapariga para outra coisa.

Quem me disse que estavas doente foi a minha mãe que falou com tua....Claro.

Já não estou com a São mas isso é outra história para outro dia.

Diz ao teu homem para não ter ciumes, mesmo quando eramos jovens e disponiveis sempre te vi como uma amiga de infancia, tinha orgulho, podia traficar influencias de potenciais apaixonados, mas pronto.
Aliás como eu fazia com a minha irmã.

Tenho pouco cabelo e todo branco como o do meu tio.

De resto já sei que os rapazes começaram tarde mas estão a ter ninhadas (3 cada um não é?).

Quando voltar ao Barreiro vamos beber um café.

Está tranquila que vais recuperar de saude, és comos os gatos cais sempre de pé...

Outro grande beijo
Cumprimentos a todos

Eduardo disse…
Acho que estou viciado no seu blogue...
Capitão Merda disse…
Parabéns aos meninos, pela mãe que têm!
Camarrada,
porra, porra, deves estar toda babada. Já adivinhava "coisa" assim.
A saúde é que tens que tratar dela.
SENSEI disse…
Filhos, o seu nascimento torna-nos mais sensíveis ao mundo que nos rodeia, fragilizamos, o nosso ser prolonga-se neles, temos receios que até aí não sentíamos, a armadura caí, compreendemos coisas que até aí nos passavam ao lado, reaprendemos a viver.

Cresceram depressa os 2, quase não tive tempo de os segurar tempo suficiente nos meus braços e dizer-lhes quanto os amo, aos 2, tantas vezes nunca seriam vezes de mais.

Incapaz de qualquer preferência por mais diferentes personalidades que tenham, orgulho-me dos 2, assim como da sua mãe.
ferroadas disse…
Olá amiga

Também já passei pelo mesmo. O mais "gasto" não gosto da palavra velho, deu-me duas netas lindas e amorosas e anda a tentar a terceira. O menos gasto, anda acabando de tirar o mestrado em economia, acaba este ano, depois sim, vai-me dar a alegria de aumentar a família. São dois exelentes filhos e grandes Homens, mas amiga, são tão diferentes um do outro, como é possível se a fábrica e o método de fabrico foram os mesmos.

BJS