segunda-feira, 23 de junho de 2008

CONTAS DE SUMIR


Eu cá não sou economista, engenharia financeira só mesmo a doméstica.
Sei que não posso gastar mais do que aquilo que tenho o que se torna sempre cada vez mais difícil atendendo á inflação, aumento de combustíveis, taxas bancárias, aumento do preço dos cerais, etc. e tal.
Falo disto porquê?
Porque se assiste a um movimento politico/financeiro que leva a deslocalizar (palavra nova e feia que nem com o novo acordo ortográfico se entende) empresas para locais no globo onde as pessoas trabalham por pouco mais que uma tigelinha de comida.
O fenómeno não é novo e cá em Portugal são inúmeros os exemplos.
A justificação é baixar os custos de produção. Os custos de produção de variadas coisas: sapatos, roupa desportiva, material electrónico, automóveis, computadores, etc.
Até aqui tudo percebido.
Para trás em países como o nosso fica um rasto de desemprego.
Agora pergunto eu:
Quem é que vai passar a comprar o material produzido?
Os que ganham a tigela de arroz por doze ou catorze horas de trabalho ou os desempregados do fantástico mundo ocidental.
Onde vão arranjar consumidores, é que sem dinheiro não há palhaços…
Por outro lado o dinheiro “parado”, constroem-se casas que não se vendem ou que se vendem mas que não se pagam, aliás o nível de endividamento das famílias portuguesas ultrapassa os 100%, grave e preocupante.
Estranhamente ou talvez não a chamada economia paralela atinge píncaros: obras sem factura, consultas e intervenções médicas e cirúrgicas sem recibo, etc.
Os Portugueses oscilam entre ter carros de grande cilindrada, roupas de marca e férias exóticas, com recurso a créditos fáceis por telefone ou cartões dourados, prateados e multicores a não terem dinheiro para comer e pagar as necessidades básicas: agua, luz, casa, livros escolares e comida.
Não é virgem nem desconhecida a situação de casais que adquiriram casas novas no limite do endividamento possível, juntaram a isso um “jeep de cidade”
(que é por si só um conceito estranhíssimo) e agora mantêm o bendito estacionado á porta, por falta de verba para lhe dar de comer.
Basicamente a classe média sobrevive com créditos de sonho que a curto médio prazo serão de pesadelo e de contas de sumir.
Agora vão começar a aparecer soluções pseudo maravilhosas daquelas que já toda a gente sabe, é necessário investimento e desenvolvimento, mas é dispensável o esbanjamento alucinado de meios e dinheiros em TGV’s como o foi antes em estádios de futebol.
De facto é que se não existirem salários condignos não existe consumo real e sem consumo real a economia pára.
Não serve de nada abrirem milhentos Centros Comercias, Outlets e hipermercados anunciar preços baixos se a maioria não puder lá ir ás compras.
Digo eu que não percebo nada disto….

13 comentários:

SENSEI disse...

A ganância de muito ganhar no menor espaço de tempo, é neste momento a batuta da economia actual de Portugal, creio que de outros países também, mas com a minha experiência e pelo que me tem e é dado a ver, é que temos um tecido industrial familiar, ou qual monarquia que passa de pais para filhos, sejam este competentes ou não, a experiência também me tem mostrado que o não são, mas esta industria caseira pesa cerca de 80% na economia de Portugal.
Empresários mesquinhos e ávidos de poder, encaram os seus colaboradores como lacaios e ladrões, não estabelecendo com estes uma ambiencia sã que seguramente se tarduziria em melhores resultados.
Assim os nossos empresários almejam mais do que tudo terem trabalhadores como os Indianos, os Chineses, os Indonesios, os Ameríndios e, mesmo os Africanos, que de tanta miséria trabalham por 2 refeições de arroz ou mandioca por dia.
Aí sim teremos o País ideal para a economia Bilderberg à Portuguesa, em que as 11 famílias reinarão em absoluto no seu feudo Lusitano, com o governo privatizado e a plebe domada pelo chicote e pelo trabalho de 24 sobre 24, 7 dias sobre 7 dias, do nascer ao por do sol, numa labuta incessante a troco de abrigo e restos, condenados "Ad eternum" assim como as suas gerações futuras a servirem estas famílias e os que tendo jeito de lacaios, formarão a nova GNR e viverão mais cómodamente no sangue das suas vítimas.

Mas aí quem raio consumirá a merda dos produtos??? Só se exportarmos!...Mas para onde?

Anónimo disse...

Por acaso.

Anónimo disse...

Ò Anita

Essa carola não pára.
Que espectaculo.
Realamente, quando não houver nenhuma fábrica e estiver tudo desempregado, fecham as lojas e os serviços também, não há crianças porque a malta não tem dinheiro, ficam os professores desempregados, por fim, unico consolo, não será preciso autoridades....não se poderia começar por aí?

Mas isto é assunto sério, é muito grave a questão das dividas.

Uma beijoca

Augusto

Anónimo disse...

Olha aí está uma questão pertinente.

galo_na_piscina disse...

A suiça é um pais que desafia as proprias leis basicas da economia...

um pais sem recursos de relevo..e no entanto tem uma das economias mais fortes do mundo, porque será?
nós portugueses somos um povo do desenrasca...do minimo..do suficiente...

Ana Camarra disse...

Galo:
Benvindo, agora é que percebi "Galo na Piscina"-Pinto da Costa. Sou analfabeta em futebolês.

Mas tens razão a Suiça está sempre com o cú de fora, sem grandes recursos naturais e até consegue ter marinha de guerra sem ter mar e não precisam desta Europa para nada.

E também é verdade andamos sempre na base do denrasca.

Olha lá tu vê lá se não deixas o Bolhão ir abaixo.

PDuarte disse...

Ecxelente post.
No entanto esta coisa terrivel da globalização fez com que aqueles que há dez anos comiam uma das nossas tijelinha de arroz agoram comam duas.
Não é a isso que chamam distribuição da riqueza?
Pergunto eu com os nervos.

farfalho, o maltês disse...

A Suiça grande país que vive da banca especuladora. Aquela banca cheia de segredos mafiosos, onde se lavam milhões, com a maior das facilidades. Milhões de origem mais que duvidosa, mas que rendem bons juros, para fazer viver, organizadamente, um país. Uma maravilha para os habitantes, mas maior para quem lá deposita, a reforma prás sopas.

Ana Camarra disse...

pduarte: Mao resolveu o problema para que cada chinês tivesse a sua tijela de arroz diária, haveria de chegar o dia em que cada um queria o seu bife.
Parte do sucesso ocidental sempre se apoiou na miséria de outros povos. E agora muda o a agulha?
Nunca ninguém, a nivel institucional se preocupou muito com o facto de os EUA produzirem, entre outras coisas carros altamente poluentes, sem cumprirem o tratado de Quioto. E agora que o biliões de chineses também querem a sua viatura, como será?

Farfalho: a Suiça é daquelas coisas, sempre aceitou tudo, ouro judeu, ouro roubado aos judeus, material nazi, é o que for. Estão tão bem colocados que são Guarda do Papa (outro artista).
Mais que tudo são hipocritas enquanto país. Tem bom chocolate e lindos relógios...

Atever disse...

Esta é a esperança que nos resta:
os tipos nunca vão "esticar" a corda até partir. Têm de deixar sempre aquela margem que nos permita ir consumindo as porcarias que a indústria fabrica.
E se nos lembrarmos do Japão, que na década de sessenta copiava tudo dos "cammones" e vendia por metade do preço, dentro de alguns anos os chineses vão estar ao nível da Europa (quanto mais não seja por que nós estamos a descer a pique) e vamos viver todos felizes e cheios de fuligem nos pulmões.
(gostei daquela do “jeep de cidade” eheheh)
Beijinho.

Eduardo disse...

Um homem destrai-se um bocadinho e é isto.
1º As contas de sumir que nos deixam todos loucos
logo de seguida zás a roupa interior

Fantástico, as coisas que a menina se lembra!

Zé Ferradura disse...

Cada vez temos mais mês no final do dinheiro!

(onde é que já ouvi isto?)

Cumpts
Zé Ferradura

Ana Camarra disse...

Zé Ferradura

Pois é e é nisso é que está o busilis da questão.
Pintem a manta como quiserem quem se lixa é o mexilhão.