segunda-feira, 24 de março de 2008

O Amor é… Eterno enquanto dura




Tenho um casal amigo que ao fim de quase duas décadas encontrou o seu equilíbrio, conheço-os aos dois antes de eles se conhecerem um ao outro, conheci as caras metades anteriores, assisti aos primeiros olhares compridos (apesar de um deles ser míope), ao namoro propriamente dito, ao casamento, ao nascimento do primeiro filho, por essa altura alguma coisa começou a ceder, não sei se foi o tempo que deixou de ser exclusivo um para outro, se foi a responsabilidade de nada faltar a terceira parte da equação, se foi ainda a falta de disponibilidade para devaneios sexuais…Foram-se acumulando pequenas raivas, decepções, palavras meio ditas, suspiros de enfado, embirrações comezinhas, tudo intervalado com períodos de grande reconciliação, grande romantismo, grande encanto familiar, resoluções e projectos. Por vezes ainda surgiam momento de recuo, ele voltava a ser ele só e solteiro com os seus interesses exclusivos, partilhados só com os seus amigos, ela também se dedicava mais ao miúdo, promovia jantares só de mulheres e pronto.
Neste caminho aconteceram mais mil e uma peripécia: desempregos ocasionais, promoções, dinheiros extra, mortes na família, mais um filho, férias de sonho e férias de pesadelo, doenças, electrodomésticos avariados, acidentes de automóvel, peso a mais e peso a menos, Natais e Aniversários. Depois a primeira grande chatice, gritos, acusações, insultos, algumas peças de porcelana partidas, tudo frente aos miúdos, o desabafo com os amigos onde eram enumeradas todas as ínfimas falhas do casamento, o pedido de ajuda, a reconciliação, o mau estar de todos os que acorreram a apanhar os cacos, mais uma mudança de casa, tudo intervalado com mais cenas canalha, por fim o divórcio mais ou menos amigável, com alguns toques de litigio.
Depois houve ainda discussões, marcações de território, os filhos com mercadoria de troca, novas incursões no amor, pouco felizes por acaso.
Passaram mais do que um par de anos, de repente começo a notar um brilho diferente nos olhos, uma calma de animal tranquilo…inquiri “Tens namorado” resposta pronta “Nunca fui tão feliz…não advinhas quem é?”
Pois é, estão juntos, vivem cada qual na sua casa a alguns quarteirões um do outro, administram a as suas vidas em separado e a dos filhos em comum, nunca foram tão bons país, nunca se ajudaram tanto um ao outro, nunca viveram o amor de forma tão plena…

1 comentário:

Anónimo disse...

É...quando as noites começam a ser mais longas e frias de solidão...quando nos sentimos sós, estando acompanhados...quando começamos a ver que a vida passa por nós e nós não passamos pela vida. Quando queremos ser lembrados...e não existe ninguém que nos lembre...quando os muros e os escolhos começam a ser muitos e necessitamos daquela mãozinha que dá o pequeno impulso, a palavra de incentivo que nos ajuda a ultrapassá-los...é...natural que nunca tivessemos sido tão felizes