quinta-feira, 6 de março de 2008

È menino ou menina? È menina!
















De umas décadas para cá já se perdeu o mistério do nascimento: É menino ou menina? Na maior parte dos casos a meio da gravidez já se sabe atribui-se o nome á criança, passa a família a referir ao João ou á Joana em vez de simplesmente ao bebé. Seja qual for o sexo, o nascimento é feminino, são as mulheres que concebem e amamentam, já todos sabemos disto.
No entanto existem depois todas as variantes do que significa ser mulher que é sempre muito mais e muito menos que ser mãe.
Ser mulher aqui não igual para todas e ser mulher aqui não é igual a ser mulher noutros lados.
Ser mulher na chamada “classe média” em Portugal é no mínimo complicado, para além de excelente mãe e educadora, exigem-se outras habilidades: excelente dona de casa, excelente cozinheira, boa aparência, excelente gestora do orçamento familiar, boa profissional seja lá onde for e com um bom salário, espera-se ainda que saiba de cor os aniversários de todos os membros da família, bem como outras efemérides como aniversários de casamento, que consiga gerir a rede de apoio familiar seja para o sector infantil como para o sector da terceira idade.
Conforme se sobe a escala social tudo isto é feito de outra forma, sendo que a carreira profissional passa a comentadora de revista cor de rosa, escritora de livros de etiqueta ou ainda de romances com os nomes de Já está ou Até já ou decoradora de interiores. Existe ainda um exército de amas, empregadas domésticas, cabeleireiras, esteticistas, personal trainers, orientadores espirituais e professores de Yoga que facilitam a vidinha.
Para o resto das Portuguesas, para a grande maioria, ainda é mais complicado: não conseguem gerir seja lá o que for com salários virtuais dado que funcionam como a chuva no deserto, evaporam antes de chegar ao destino, não conseguem viver a maternidade porque estar grávida significa desemprego, não conseguem ser mães porque isso implica investir o tempo que não têm, o dinheiro não ganham, o carinho que quase já não conseguem inventar, não conseguem ser avós porque ser velha implica ser miserável…
Ser mulher na maior parte do planeta ainda significa ser excluída de qualquer participação no seu destino pessoal, ser impossibilitada de participar na vida pública, ser trocada como mercadoria…
No entanto desde o primeiro 8 de Março, quando em Nova York mulheres morreram queimadas em defesa dos seus direitos, muito se avançou, hoje as mulheres assumem um papel que apenas meio século antes era impossível de prever: cientistas, empresárias, governantes, investigadoras, artistas plásticas, defensoras dos direitos humanos, sindicalistas, militares, enfim não existe um cargo, função, posto ou profissão que não existam mulheres.
Numa geração galgámos barreiras seculares, acredito que podemos continuar….

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