quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O TEMPO


O tempo, a falta dele e as sobras do mesmo
Não tenho tempo!
È uma frase corriqueira, comum. No entanto todos os dias tem vinte e quatro horas, todas as semanas sete dias, os meses já não são de fiar variam um pouco entre os vinte e oito e os trinta e um dias, embora muitas vezes parecem que tem mais, muito mais, cinquenta ou mais dias. Já com as horas sucede o mesmo berbicacho, há horas que passam a correr e a saltar tipo “O quê já são sete e meia coisa e tal ?!”
Einstein explicou tudo muito bem explicado como é que uma hora de namoro parece um segundo e como um segundo da pele em contacto com a chama parece uma hora. No entanto tenho dias em que todo a raciocínio do mundo não me chega para perceber o que fiz com o tempo: o que perdi com pessoas que não mereciam; o que poupei ao arrumar as mesquinhices do dia a dia e não lhes dar nem um minuto da minha atenção; o que ganhei ao cultivar amizades eternas; o que guardei só para mim; o que se multiplica até à eternidade no amor repartido por quem é ou foi querido; o que investi no amor dos meus filhos; o que achei num livro, numa musica, num filme, que me marcou e enriqueceu.
Há muitas espécies de tempo entre o bem passado, que dá frutos grandes e sumarentos, e o perdido que ganha mofo num esconso.
Afinal tenho imenso tempo… até tenho tempo para estes pequenos desabafos…

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Futebol é outra coisa





Lá em casa nunca fomos adeptos do desporto rei, o meu pai nunca demonstrou preferência por nenhum clube, nunca o vi correr para ver um jogo na televisão, nem nunca o vi colado ao rádio ou com aquela espécie de material altamente sofisticado que eram os rádios portáteis da minha infância (com uma capinha de napa, uma tripinha branca com um auricular que se colocava dentro do ouvido e antena extensível com dois metros). Nos familiares mais próximos também nunca detectei nenhuma forma futebulite. Por isso, ou não, também arranjei como parceiro um homem que não liga nada ao assunto. Como tal fico verdadeiramente fascinada com a loucura que envolve bastantes pessoas quando o assunto é futebol.
Não sei o nome da maioria dos jogadores e treinadores, portugueses ou estrangeiros, salvo honrosas excepções incontornáveis, regra geral não sei quem joga onde ou quem treina quem.
Por isso mesmo não fixei o nome do senhor, que suponho, seja treinador de um grande clube, que a respeito de um importante campeonato disse o seguinte “Nem sempre é a melhor equipa que vence o jogo, a maior parte das vezes é derrotada”.
Isto foi há poucos dias no telejornal (estava a preparar o jantar). Pasmei…Então como é que é? O campo é igual para as duas equipas, são onze jogadores de cada lado (essa informação sei), as balizas são iguais, as bolas calibradas e verificadas por qualquer organismo impoluto e certificado. Pensava eu, mas vai na volta estou enganada, deve de existir ainda outra componente que eu desconheço. A arbitragem? O Público influenciável por qualquer campanha de marketing?
De facto pensando melhor afinal o senhor em muita razão, senão vejamos: as glórias desportivas do país são obtidas em desportos como o Judo ou o Atletismo. É só recordarmos o orgulho nas maratonas Olímpicas da Rosa Mota ou do Carlos Lopes, a medalha do Nuno Delgado e também já agora os títulos de vela, tiro, remo, ah e a miúda, a Vanessa que papa títulos como quem esfrega um olho. No entanto nunca vi um investimento brutal de equipamentos para essas práticas desportivas com paralelo aos estádios construídos de propósito para o Euro 2004. Aliás a história dos nossos campeões é sempre muito parecida: depois do trabalho ou da escola com apoio da família ou de amigos lá corriam em qualquer estrada nacional, à chuva e ao vento, com calçado comprado do seu bolso nos saldos das lojas desportivas; também existem os que vão a expensas próprias para qualquer país estrangeiro para treinar a modalidade eleita em condições, porque cá não existem equipamentos, depois lá vão representar Portugal, orgulhosamente em qualquer Olimpíada. Pois é.
Afinal o tal senhor tem muita razão afinal quem ganha milhões, estádios, equipamentos, isenções de impostos, parte dos jogos da Santa Casa, destaques na Comunicação Social são mesmo os senhores do Futebol, mesmo sem trazerem nenhuns títulos para glória nacional.
Os outros que corriam na estrada sozinhos, os que vão praticar Judo para o estrangeiro, os que remam em barquinho próprio, até podem de ser os que ganham medalhas, mas na prática ficamos todos a perder com o negócio. De facto que a equipa que ganha é mesmo a dos outros sem titulo.