terça-feira, 27 de julho de 2010

Desejo...


São pequenas coisas, o primeiro toque reinventado de todas as vezes, de cada toque, o toque das mãos, o toque da pele, o toque das mãos na minha pele, o toque dos lábios, o toque dos lábios na minha pele, a troca de beijo, os lábios entreabertos, primeiro tímidos depois vorazes, o trocar da respiração, o sabor da língua, a textura, segurar os seios, primeiro devagar, como coisas preciosas e frágeis que são, depois como se fosse avaliado um fruto, de polpa macia, pele aveludada, o toque dos lábios no mamilo, primeiro com calma, depois com fome, depois com ânsia, medir o corpo com as mãos, com a boca, com sexo, calcular o macio comprimento das coxas, só assim com o toque de mão, descobrir sinais, sinais de pressa, sinais de pele, sinais de calma, sinais de ternura, trocar de sitio, trocar de toque, medir as covas, os vales, os montes, as pequenas florestas, as entradas dos sons, dos suspiros, trocar o cheiro, sentir dois suores com uma essência só, as do desejo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mais



Os nomes não são mais que nomes
Etiquetas, rótulos
Eu sou mais que o meu nome
Sou mais que o meu corpo
Mais do que a brisa fresca que me afaga
Mais do que a água fria onde mergulho
Mais do que o cartão de visita que troco
Só mais do que o meu corpo desenhado
Em carícias, afagos
Em cansaços variados
Em preguiças
Em gulas e jejuns
Sou mais do que aquilo que vive
Sou mais do que os amores tristes e o
Pó das recordações
Sou mais que a raiva e a esperança
Que me empurram sempre
Uma vez mais
Eu sou mais que o meu rótulo
E tu?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Como o arroz doce aos domingos...


Era uma mulher com ar tranquilo, maquilhagem quanto baste, o sorriso cordato para a vizinhança, tudo mediano, número de sapatos, salário a horas, as compras ao sábado, os lençóis mudados à sexta feira, os filhos arrumados que vinham aos domingos ao almoço com pudim ou arroz doce conforme a cabeleireira de Bairro sábado sim, sábado não, com as raízes tapadas uma vez por mês de um cor só um pouco mais clara da cor original, a mala da cor do sapato, o sexo uma vez por semana, ao sábado também, em gestos sempre iguais, sem grandes amplexos, com o estertor final dele acompanhado com um suspiro dela, talvez de alivio, as fotografias dos pais, dos filhos nas diversas fases, pequenos, na escola, a trocar os dentes, na praia, a foto da casamento, ela com a cintura mais fina, ele sem barriga com o cabelo todo da mesma cor, ela com o olhar ausente, aliás mantinha sempre o olhar ausente, independentemente de todos os sorrisos, do suspiro de alivio final, de bater compenetradamente os ovos com açúcar, desenhar com canela, escolher as alfaces, de trocar de mala conforme os sapatos, de limpar o pó das molduras, sacudir o colchão sempre na muda dos lençóis o olhar permanecia ausente.
Um olhar não mortiço apenas ausente, como se estivesse a ver qualquer coisa imperceptível a outros, a verdade é que assim é, à noite, quando a respiração ao seu lado se tornava compassada, depois de cessarem os sons longínquos dos televisores dos vizinhos, da máquina de costura do rés do chão, de sentir apenas o rumor longínquo da cidade meio adormecida, o olhar ausente via o que queria, via as praias de areia branca como açúcar e de águas azuis turquesa onde nunca tinha estado, via as Cidades distantes de línguas bárbaras e monumentos diferentes, as montanhas cobertas de neve, os locais onde a música se arrastava e o fumo invadia, o corpo também se ausentava em carícias que adivinhava em filmes, livros, em pedaços de conversas no autocarro, suspirava não de alivio, mas de desejo, as mãos a atreverem rotas proibidas, a imaginação a desenhar outro corpo junto ao seu, até o da respiração da tranquila se conseguisse quebrar a rotina do amor feito da mesma maneira, a dias certos, como o arroz doce aos domingos.

domingo, 18 de julho de 2010

Talvez


Talvez se ficar muito quieta passe.

Talvez se não fizer ondas, se passar um carro com uma matrícula em capicua, se conseguir apanhar os semáforos todos verdes, talvez, talvez…

Talvez se te tivesse encontrado, naquele dia, àquela hora, quando eu tinha os cabelos e saias longas e sorria porque estava sol, porque a minha sombra me perseguia e bastava só isso, sorrir porque estava sol, o cabelo longo a fingir que voava conforme o vento, a sombra da minha saia como um sino, aquela hora, naquele dia e encontrar-te assim a sorrir.

Talvez se os dias não se tivessem ficado mais curtos e os sorrisos mais raros, talvez as mãos fossem mais próximas, podendo correr lenta e ansiosamente do cabelo até às minhas costas, até às minhas coxas, subindo outra vez até aos seios, passando sempre pelos cabelos, desfiando sorrisos e afastando as sombras.

Talvez ainda haja tempo de te encontrar outra vez, mesmo com o cabelo menos longo, mesmo sem me espantar com o mistério da sombra, talvez te encontre outra vez, o teu corpo nas minhas mãos e as tuas mãos no meu corpo, a correr lenta e ansiosamente das minhas coxas, pelas minhas costas chegarem aos seios parando sempre no cabelo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

3 coisas...




Ando com vontade de fazer coisas diferentes, absurdamente diferentes, ocorrem-me três coisas diferentes, velejar sozinha ou com uma companhia mínima muito selecta, não sei quanto tempo, certo é que não sei velejar, mas ideia de estar sem horas marcadas, sem motores, sem telefones e sem relógios, me agrada, é claro que na minha cabeça existem pilhas de livros para ler e um mar azul calmo, transparente, sem fim onde posso mergulhar sempre que me apetecer, outra coisa que me ocorre é cantar Jazz, tenho a voz suficientemente rouca e grave, conheço de cor e salteado as letras das canções que não se gastam com o tempo, Gershwin, Cole Porter, falta-me o jeito, a potência e o treino, mas existe qualquer coisa de fascinante naquele cantar rouco com a batida de um contrabaixo e trompete ou saxofone a chorar junto com a voz, qualquer coisa forte, nocturna, alegre e triste como a vida.
Por fim apetece-me fazer amor na relva, sei que existem milhares de imagens de filmes onde apaixonadamente se faz amor na praia, mas ideia da areia incomoda-me, apesar de adorar praia, a relva fresca, com cheiro a terra parece-me um bom lençol, para se amar e ser amado com calma, talvez me engane, costumam existir galhos e formigas nos relvados, pior que isso os relvados que conheço para além de demasiado expostos costumam ser pródigos em dejectos caninos, aliás parece que o típico cão urbano tem um fascínio por relva

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ficou a esperar só por ele...


No meio do bulício do autocarro no cheiro a suor, a desodorizantes baratos e a perfumes caros usados das amostras, o olhar cruzou-se, ela fazia aquele exercício todas as manhãs a tentar adivinhar as vidas que se escondiam, por detrás dos rostos fechados, o homem com falta de cabelo que esticava as melenas de modo a tapar a calva, a mulher demasiado maquilhada com o cabelo louro palha, com as coxas a estourar dentro de saias demasiado justas, demasiado curtas, sempre de meias pretas que ainda assim não cobriam as varizes, a rapariga pálida em roupas demasiado grandes, o fanfarrão que se aproximava demasiado mesmo quando o aperto não era grande, balbuciando ordinarices entre dentes a adolescentes que hesitavam entre a vergonha e o jubilo de se sentirem mulherezinhas, a mãe atarefada com dois meninos de bibe e mochila, saco do lancho, a mala dela, o saco de pano com o possível almoço dela, a senhora de cabelo ás madeixas e unhas impecáveis que desfolhava a revista cor de rosa, o velhote com um fato muito coçado e uma pasta antiga, que olhava com um ar saudoso pela janela, suspirando de vez em quando, a velhota gorda, com um avental cheio de bolsos e falta de dentes, brincos compridos, as mãos tortas de artroses, uns sacos do pão antigos dentro de um cesta a desfazer, um grupo de rapazes com buços desenhados a carvão em encontrões sem nexo, um rapaz magro com um olhar distantes com os braços carregados de livros, os dois homens de meia idade que partilham o jornal desportivo com comentários sobre estupidez dos treinadores, e ele.
Ele tinha assim um ar inesperadamente vulgar, naquele dia trazia uma camisa de um verde muito claro que fazia contraste com o tom de pele e aquele sorriso, ela não tentou inventar nenhuma história por detrás daquele rosto, daquele sorriso, passou a sentar-se sempre no mesmo banco, a sorrir com as frases doidas das camisolas dele, a esperar ansiosamente pelo autocarro apinhado, indiferente aos meninos de bibe, ao homem calvo, aos comentários desportivos, á mãe atarefada, ás mochilas, ao desodorizante e aos perfumes, ficou só a esperar por ele.

sábado, 10 de julho de 2010

E seguiu...


Levantou-se como habitualmente, com o som ligeiramente fanhoso do rádio, a apresentar as noticias habituais, o transito, as previsões de calor, não eram necessárias tinha sentido o calor toda a noite lamber-lhe o corpo, deixando-o colado aos lençóis, no espelho da casa de banho reflectia-se um rosto quase desconhecido, umas rugas, papos debaixo dos olhos, teve o seu ritual matinal, o primeiro jacto de urina, irritantemente alegre com um cheiro a espargos de conserva, lavar os dentes energicamente porque a noite deixava-lhe sempre um amargo de boca, acender o esquentador e entrar no duche, quase frio a desenrugar a noite e os seus vincos, a sacudir os últimos vestígios de sono, passar as mãos com mais precisão pelo peito, fazendo agitações ao roçar os mamilos, ensaboar as coxas com a lentidão de um prazer proibido, depois o resto, secar cabelo, começar a reconhecer aquele rosto no espelho, cada vez mais parecido com as fotos, conforme colocava as camadas de disfarce, creme, base, pó, brilho, a roupa aprumada em cima da cama demasiado grande, pensou que tinha sido sua escolha ter aquela cama só para si num acesso de raiva e de rebeldia que lhe tinha custado um rotulo de mulher perdida entre a família, de cabra entre os amigos do ex marido, uma magoa por parte dos filhos que a olharam com desilusão, pensou na meia dúzia de homens com quem tinha compartilhado a cama depois, o que lhe dizia palavrões ao ouvido como se fosse um elogio, o que não perdia tempo com preliminares medindo o prazer egoisticamente, o que exigia satisfações ao segundo encontro sobre os decotes, as chamadas, os atrasos, os sorrisos e os olhares, o que falava na família que iriam constituir, o que lhe pedia dinheiro e se queria mudar lá para casa e o último talvez o mais coerente um solitário por opção também, sem exigências, sem horários, sem compromissos, que não lhe queria conhecer os filhos, que podia ficar para fazer amor mas nunca para dormir depois porque o sono compartilhado acaba por criar intimidades irreversíveis.

Entrou no elevador, viu o seu reflexo no espelho, cumprimentou o casal do terceiro direito, ela magra e ansiosa com um nariz de ave de rapina, ele sempre com ar brejeiro a olhar para os seios da adolescente do segundo frente, com ar amuado e forçosamente infeliz, como têm todos os adolescentes. Saiu do elevador entrou no carro conduziu ligeiramente atenta e em vez de tomar a rota do costume para o trabalho seguiu…

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Dado que é sexta-feira




Dado que é sexta feira inicia-se um fim de semana, para começar vou ter um noite depois de uma semana para o amargoso e um fim de semana de muito trabalho, digo eu vou ter uma noite de certeza boa, isto porque vou ao jantar anual que reúne pessoas de muitas idades, pessoas que tem por habito voluntário serem solidárias e amigas, vamos trocar umas larachas, dizer as bacoradas do costume, vazar uns jarros de sangria, provavelmente acabar a noite no bar de sempre, de frente para o rio, a usufruir da brisa.
Estamos juntos pelo Karate, embora eu sou tenha praticado uns escassos 3 meses de má memória, porque não tinha jeito nenhum para a coisa, muitos dos que estão conhecem-me desde miúda, outros fui conhecendo, há da minha idade, mais velhos, mais novos, há a jovem cirurgiã que não deixou de me visitar e tranquilizar no Hospital, há o ainda distante primo com quem partilho muitas afinidades e apesar de ser rabugento é um doce de pessoa que sei que está para o que for preciso, lavar e durar, há a amiga cúmplice, há o bem disposto que conta anedotas, o vaidoso mas que é bom moço, a amiga que já foi minha vizinha, o enfermeiro que me acordou da cirurgia com palavras de amigo e que se deslocava para me fazer pensos, a mulher dele, simpática e afável, o fisioterapeuta que se deslocava cento e tantos quilómetros três vezes por semana para me fazer massagens, o puto que conheço desde bebé que fala de mulheres com um ar envergonhado, a catequista militante de um partido de direita mas que gosta de falar comigo e os miúdos, de todos os tamanhos que comem todos juntos, inventam brincadeiras, os adolescentes que se despedem de fininho para ir ter com os amigos, os pré-adolescentes que já se acham no mesmo direito, os que por fim dizem que tem sono. Dado que hoje é sexta-feira e semana foi amarga e pesada não consigo pensar em nada melhor para me levantar o ânimo do que a sangria de amigos, o doce da fruta, o gasoso quanto baste, o quente do vinho, o tom exótico da canela, o fresco da hortelã e do gelo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Espalhar açucar


Num daqueles inquéritos muito estúpidos perguntam qual a idade em que fui mais feliz.
Sinceramente não sei, fui feliz a fazer bolos de areia numa praia, fui feliz a abrir as prendas na chaminé, fui feliz quando estava cansada e me levavam ás cavalitas, fui feliz a lambuzar-me com massa crua de bolo, fui feliz a espalhar açúcar em carreiros e ver as formigas a carregar os grãos, fui feliz a tomar banho de mangueira, fui feliz a ler um livro entrar dentro da história, fui feliz a fingir que era pirata, fui feliz a subir ás arvores a ver ninhos, fui feliz de joelhos arranhados pintados de mercúrio, a brincar na rua, fui feliz a primeira vez que me disseram que me amavam, fui feliz em fogueiras na praia com o céu estrelado a maré a acompanhar as guitarras e beijos mornos a temperar as vozes, fui feliz em tardes de amizade e cumplicidade que se prolongavam em noites de conversa, música e descobertas, a fazer amor, a mergulhar no mar, fui feliz com uma mão presa na minha e um beijo cálido na nuca, fui feliz no cinema, no teatro, em concertos sentada e esmagada pela beleza da musica, noutros aos pulos até ficar rouca, fui feliz com a sensação de uma vida a crescer dentro de mim, fui feliz com o cheiro dos meus filhos, do café da manhã, com a preguiça da tarde no meio de pinheiros, com o cheiro a alecrim, com o sorriso das crianças, com os velhos que me protegeram quando dei os primeiros passos e a quem agora ajudo a dar os últimos, sou feliz quando preparo algo com carinho, sou feliz com os abraços sinceros, com as tarefas cumpridas, com os dias de sol, com as primeiras chuvas, com a maré cheia em ondas mansas, o por e o nascer do sol, sou feliz só assim com coisas fáceis e nada me impede de fazer bolos de areia e espalhar açúcar.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Castelos de areia


Pronto está tudo no sitio, amanhã começam as inscrições, mais vinte e cinco meninos de todas as cores e feitios, olhos grandes, dentes de leite a cair, o menino com um ligeiro autismo que brinca sozinho e que de repente abraça-se a mim, o miúdo revoltado com palavreado de estivador que não combina com corpo franzino, já com brinco e crista como o Jogador de Futebol da Moda, que não sabe brincar, nem admite perder, o outro mais gordinho, que avó recomenda “se ele se portar bata-lhe”, que inventa todas as asneiras do mundo em tempo recorde, as manas brasileiras já cá nascidas, que parecem ter consigo a fome de todos os antepassados que deambularam pelo sertão do nordeste, com nomes estranhos e cabelos longos, a menina doce que me diz sempre “gostava tanto de ver o meu pai, outra vez”, outros meninos de famílias vulgares, uns com pai e mãe, outros com pai mãe, madrasta, padrasto, irmãos de um lado e de outro e outros que são irmãos dos irmãos, aquele que o pai morreu com uma seringa no braço e olhar vazio e ficou sempre com uma sede de amor, o outro que alterna á vez vir o pai ou mãe com ele e quando se juntam discutem com palavras feias e ele encolhe-se junto a mim…
Está tudo tratado, a conversa com os meninos mais velhos que vão ajudar a tomar conta, trazem histórias com eles que eu ainda não descobri, num noto entusiasmo, noutro um certo receio de não estar á altura e a outra mais calma e calada, não emite vibrações.
Estando tudo no lugar falta contabilizar, blocos de barro, lápis de cor e cera, aguarelas e bolas, contar as cabeças de todas as vezes que os levar até à mata, porque primeiro ficam indecisos os meus meninos que só conhecem o cimento e o alcatrão, olham para as arvores meio assustados, escutam o canto de pássaros com surpresas, inventam cobras em cada casca de árvore caída, depois espalham-se primeiro correm com uma liberdade inesperada, depois tendem a dispersar-se, depois ralho, dou-lhes a cheirar as bolotas que caem dos eucaliptos, ensino-lhes que as pinhas tem fruto, quando os levo ao mar é outra loucura, primeiro chapinham, perguntam por peixes aranha, por tubarões, a maior parte não sabe nadar, ensino, “Não se atira areia a ninguém!”, mostro-lhes como se fazem castelos de areia, choramingam para sair da praia, chegam cá cansados e felizes de bochechas rosadas e sorrisos lindos, gostava de lhes ensinar a fazer castelos de sonhos….

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pé de chinelo




Peço desculpa por este tempo longo de silêncio, talvez nem tenham sentido falta nenhuma das minhas reflexões parvas sobre tudo e sobre nada, por vezes tenho necessidade de fugir para dentro de mim, não foi o caso tenho vindo a retirar todos os pedaços de mim e a distribuir-me por várias coisas, como é normal, só que foram mais coisas, com mais de mim a ser distribuído por mais sítios, no entretanto foi “pescando” umas coisas daqui e dali, fiquei a saber que a crise afinal é boa para a linha, porque a ministra da saúde acha que podemos aproveitar no global para emagrecer comendo sopinhas caseiras em vez de comida rápida e gordurosa, deve ter chegado a essa conclusão depois de ter passado acidentalmente na baixa lisboeta onde empregados de escritório e de comércio se amontoam ao balcão daquelas tascas de sempre a tapar o buraco do estômago com um panado ou pastel de bacalhau, daqueles que estão em pilhas nas montras, isto depois de talvez, ter comido um peixe grelhado em qualquer restaurante na docas com vista para o Rio e legumes cozidos no vapor, talvez, digo eu.
Fiquei a perceber que o melhor jogador de futebol do mundo não chega para ganhar campeonatos, daí que estes títulos de melhor são sempre muito relativos, fiquei a saber que o ministro das finanças nos pede para poupar, embora não saibamos já muito bem no quê, dei conta que os casos judiciais que envolvam governantes continuam a ser arquivados, começa a ser monótono, pelo número de casos, pelo número de escândalos, entretanto chegou o verão com toda a sua plenitude, o que é bom para dar mergulhos, estar em esplanadas, menos bom para quem está a trabalhar, principalmente se o trabalho for montar e desmontar tendas e festas á torreira do sol, num recinto de alcatrão, mas a vida não são só festas, são reuniões, compras, fazer almoço e jantar, actualizar sites, fazer Assembleias, contas, dormir, embora sempre com sonhos malucos, agora sim dormir, desde que o médico me receitou algo novo, que me faz reduzir as dores de cabeça, reduzir o estado da ansiedade permanente em que me encontrava, portanto basicamente os problemas estão todos comigo na mesma, mas aparentemente encaro tudo de uma forma muito mais descontraída, pronto continuo cansada, muito cansada, ainda falta mais de um mês para ir férias, ando cansada de corpo e alma, mas penso que pior das coisas piores que tinha nas mãos já passaram, sobra o pior das coisas piores deste país que eu amo e que nos maltrata e as pedras nos sapatos diário, por causa disso ando de chinelos….