domingo, 31 de agosto de 2008

O Prémio dos Anúncios mais estúpidos num intervalo








Por estas e por outras é que detesto ver filmes na Tv. nacional, mesmo que o filme seja belíssimo passa a desoras, em vez de ter um intervalito para fazer chichi, beber um cházinho ou dar umas beijocas, não senhor é meia hora a quarenta minutos de anúncios anormais, repetidos e que ainda por cima nos fazem sentir em falta: estamos gordos, não devíamos ter comido pão com manteiga devia ter sido com margarina (blakh), devíamos ter comprado o relógio Chupetinhas em vez daquele que gostamos, assim gastámos dinheiro só para swatch e nenhum para as tias….
E relógiozinho que contribui com cinco euros para as crianças abandonadas?! Cá para mim era melhor ver se em vez de helicópteros e submarinos não fariam falta casas dessas sem recurso a relógios de marca ou a “tias” que ficam à frente de uma Organização Não Governamental que nalguns casos tem contas dúbias….

Ah parece também que por cada iogurte não sei quê estamos a ajudar a Fundação do Coração, eu cá gasto um porradão de dinheiro em medicamentos para o coração e um porradão de dinheiro em iogurtes, não me chegou cá nada….


COCA COLA ZERO – duas línguas com pés de elefante discutem com um olho com pés de galinha. As línguas acabam por afastar o olho e beber a coca-cola, não percebo como, ninguém percebe: como é que o olho fala? E as línguas? As línguas são obscenas.

JUMBO – “È como encontrar um trevo na tromba de um elefante”. Desculpe?! O trevo é uma coisa pequenina o elefante é grande. Os elefantes não comem trevos, as vacas comem trevos, penso que os cavalos também. Não é fácil encontrar o trevo na tromba de um elefante. O slogan é estúpido e a musica é parva.

FRUTIS HYDRA LISS – Funciona para o cabelo ondulado por causa das Micro ceras de frutos. Pois está bem abelha.

LOGO - logo é um anúncio estúpido só suplantado pelo parvo que aparece na praia a vender seguros…

Coma Margarina pela sua saúde….pois tá bem!

E o óleo tem Vitaminas para o cérebro das crianças!

E iogurts que reduzem o apetite, agua que reduz o apetite, barras de cerais que reduzem o apetite….
Esta gaita de facto tira-me o apetite!
E o leite?! Leite para crianças até x anos, leite com cálcio, leite de soja, leite para adultos, leite magro, meio gordo, gordo, caraças o leite vem das vacas que o deixem inteiro ou que reduzam a gordura ainda vá que não vá mas isto baralha-me!
E natas magras, manteiga magra?!

Reciclar para ajudar a lutar contra o cancro da Mama, eu reciclo sim senhora, mas esta história de nos tentarem impingir que ao consumir combatemos um flagelo qualquer tem muito que se lhe diga….Não é a reciclagem que combate o cancro da mama, devem de ser, digo eu do fundo da minha parvoíce, os cuidados de saúde adequados, a facilidade de ir ao ginecologista sem ter de pagar sessenta euros por uma consulta ou esperar um ano…Talvez?

Vai na volta é o final de férias que me deixa com mau feitio....

Ai, eu que não gosto de cerveja, estou cheia de saudades do anúncio da Imperial (Viva o Verão e sardinha assada….e sai uma imperial!).

Presenças 2



Pronto escrevo para o vazio, mas será que Internet é uma espécie de éter e vais ler ou ouvir.
Tenho falta de tantas coisas.
Tenho falta de me ensinares a dançar com os meus pés, há época pequenos, em cima dos teus, tu também não sabias dançar, mas eu fingia que não percebia.
Tenho falta de ir contigo na rua e começar a chover, e a terra cheirar muito a terra molhada, abrias a gabardina e aninhavas-me ali, e eu reconfortada cheirava o teu cheiro familiar, a tabaco.
Depois os domingos em que a mãe se afadigava a construir o nosso prato favorito, Bacalhau à Brasileira, expectante esperava a nossa primeira garfada e perguntava “Que tal está?” nós trocávamos um olhar cúmplice, respondias “Escapa…” e dizia “Podia ter mais cebola…”. Sabes ainda hoje ela faz o mesmo…

Disputar contigo os alhos dos caracóis, que me deixavas comer.
Depois as conversas do mundo, e tudo das Guerras, da Paz, as coisas incríveis que os homens são capazes de fazer, bem e mal.
Falar da magia dos filmes, dos livros, dos quadros, das músicas, dos poemas….
Faz-me tanta falta!
E ensinavas-me as canções da Guerra Civil de Espanha “La mujer de Paco Franco no coziña com carbon Ai Carmela….”.
E ouvíamos quietos, eu já crescida, um disco de Jazz, de música clássica, Zeca, Adriano, José Mário Branco ou Fausto, com um copo na mão sem palavras, só suspiros ruidosos de quem faz força para não chorar.
Tenho tanta falta de tantas coisas!
Do orgulho em ti e do orgulho que tinhas em mim!
Do reflexo do teu carinho nos meus filhos, teus netos, que mimavas à exaustão.
Do pequeno ciúme que tinhas sempre por qualquer homem da minha vida.
E sair contigo de manhã para onde ias em serviço, quase adolescente eu, a comer em tabernas e a ver partos de vacas e ovelhas, dar de comer a porcos, ver as coisas a crescer, pelo caminho explicavas que aquelas flores amarelas eram tremoço e azotavam os campos, dando-lhes força para a próxima colheita…
E discussões mais sérias, a politica, do mundo a satisfação das tarefas cumpridas….
Batermos o pé ao compasso da música, visitarmos as Docas, os Cais, as Lotas, ver os barcos e sentir cheiro a sal e maresia.
A música da venda na Lota….
E ensinavas-me a idade das árvores pelos anéis da madeira.
E o tempo ficávamos só parados a comunicar sem palavras e depois fazíamos um comentário igual em uníssono e riamos no fim, com o mesmo riso…
O cheiro a sal e maresia, o cheiro a serradura, o cheiro a tabaco, três essências de ti.

sábado, 30 de agosto de 2008

A principal caracteristica das férias é serem curtas....



Pronto se há pouco tempo riscava os dias do calendário para ir de férias agora já vejo os dias de férias a sumir como areia numa ampulheta.
Estou quase a regressar a casa.
Já sei quando lá entrar vou achar a casa enorme, o meu peixe velhote (19 anos) dá uns encontrões no vidro do aquário como se dissesse “Bem vindos!”
Vou olhar para os quadros da parede, algumas serigrafias, reproduções da colecção Gulbenkian, fotos de família, a colecção de reproduções de cartazes publicitários de Toulouse Lautrec, os de ponto cruz, o quadro feito pela minha amiga Catarina, que está a entrar na puberdade, vão parecer-me mais luminosos…
Vou sentar-me no sofá e acha-lo o mais confortável do mundo, vou ver duas semanas de mails acumulados, principalmente de trabalho, maravilhar-me com a TV Cabo….
Só vou trabalhar dia 9, pelo menos foi isso que me disseram, até aí preparo outras coisas: o reinicio do Ano Escolar com a bordoada dos livros e restante material, o fim-de-semana de Festa do Avante em que abandono lar e homens…
Bebo um café com amigos, ponho a conversa em dia, pago o monte de contas que se acumulou na minha caixa do correio…
Pronto estou quase a por o relógio no pulso, outra vez….

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Os homens da minha vida!




O primeiro homem da minha vida foi sem dúvida o meu pai.
O meu pai que queria uma menina, chamada Ana, muito antes de existirem ecografias e que num gesto arrebatado entrou no Bloco de Partos e beijou-me ainda cheia de mucosas várias.
Depois os tios, vários, o tio mais constante não partilha comigo um cheirinho de ADN, no entanto sempre foi um pai substituto com quem partilho cumplicidades e afinidades.
O Tio-avô Mário, que me pagava vinte escudos por cada fado e me levava a tudo o que era sitio, o cheiro de Brut e cigarrilhas é o cheiro do Tio Mário. Depois mais tarde aprendi que ele tinha outra face menos simpática, mas ficou sempre como um rasgo de luz na minha infância.
Ainda os tios, os irmãos do meu pai com quem partilho material genético de fartura, basta olhar para nós, temos sempre um ar meio envergonhado quando nos encontramos, mas ao mesmo tempo um reconhecimento de bicho da mesma espécie.
Os dois homens da minha infância, os meus primos, não me lembro de mim sem eles….
Um da mesma idade que eu, outro com mais dois anos, memórias comuns, amigos, escolas, asneiras em comum, experiências…
Os amigos, esses conservo-os quase todos, com lugar bem distinto e muito carinho.
Aqueles de infância a fim de 20 minutos vemo-nos com os olhos da infância, deixo de lhes ver a rugas, as faltas de cabelo, o cabelo branco, a barriguita, vejo caracóis, dentes de adulto a crescer…Acho que eles me vem de cabelo curto, tisnada e com os joelhos cronicamente com mercúrio…
Depois entraram e saíram homens da minha vida, uns deixaram marcas, outros nem por isso, deixaram sombras….

Depois encontrei um homem inesperado, improvável, nunca tinha estado longe, mas como linhas paralelas caminhámos muito tempo lado a lado até nos cruzar-mos a sério.
E cruzamo-nos e fabricamos dois homens…
Sem dúvida os mais importantes da minha vida!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

As Coisas que me deixam estupefacta!





No jornal explicam que as famílias das vítimas de crimes violentos têm direito a indemnização, mas que raramente a pedem.
Nada de novo, a maioria do povo português desconhece os seus direitos, mas por outro lado existe uma larga fatia de “profissionais” de tudo quanto é apoio, falo disto porque na mesma página explica que as mulheres vitimas de violência doméstica, física e psicológica, podem reclamar um subsidio equivalente ao Salário Mínimo Nacional….
Vamos lá a ver uma coisinha, eu sou contra a violência doméstica, estou perfeitamente solidária com as vítimas de tal flagelo, mas atendendo à situação económica e social estou mesmo a ver que em breve, casais com dificuldades económicas irão optar por outra via:
Manel põe-me um olho à belenenses, que assim peço o subsídio e os catraios não passam fome…

Imaginação delirante? Talvez.
O problema é do costume, não se resolve nada, estancam-se hemorragias com pensos rápidos….
Os agressores nos casos de violência doméstica raramente são detidos, são até aceites socialmente, as autoridades mantém em muitos casos a atitude de “entre marido e mulher não metas a colher…”, os processos duram anos, a justiça é uma máquina lenta….

Mas pronto continuando no jornal paro na página de anúncios eróticos, com os meus filhos a comentarem, detecto coisas primorosas: “Sessentona gostosa….”, “Licenciada 23 anos, completa…”, “Cumpra o código da estrada”….CUMPRA O CÓDIGO DA ESTRADA?!", “Jovem submisso faz casais e domicílios…”, “Brasileira sensual…”, “Se conduzir não beba”, SE CONDUZIR NÃO BEBA?!

Façam vocês os comentários, eu chorei a rir…

Por fim uma noticia do jornal a RTP2, no INEM, em 2007, houve apenas duas técnicas superiores com classificação de serviço de Excelente, uma terminou as férias dia 18 de Agosto, para saber que foi despedida, tem cancro de mama, está em tratamento, desconfio que este mimo não lhe fará muito bem à saúde, a outra interromperam-lhe as férias para a presentear com o mesmo mimo.
Para já nem uma nem outra quiserem dar a cara à TV, INEM respondeu à RTP que as funcionárias não estavam a atingir os objectivos….Estamos em Agosto….o ano termina em Dezembro, uma esta a tratar-se de uma doença cancerosa….

MAS QUE PORRA É ESTA?

Às vezes tenho a sensação que estão a gozar comigo!

Li num jornal já com uns dias que na ilha do Corvo existe um Lar de Idosos completamente equipado fechado por falta de utentes, o único interessado acabou por desistir e recebe apoio domiciliário.
Pergunto-me de quem será a responsabilidade de tal investimento?
Num país onde é crónica a falta de equipamentos de apoio à terceira idade, é quase obsceno pensar que foi investido dinheiro num lar, supostamente com todas as condições no local mais improvável….
Será que aceitam idosos do continente?

Ainda noutro registo e porque basicamente a pouca TV. que vejo, estando limitada aos quatro canais generalistas nacionais, é mesmo a RTP2, dou conta de um anuncio muito bonito que apela à leitura, no anuncio, institucional, é dito que o cérebro necessita da leitura para se exercitar e que ler é único método para combater a iletracia.
Até está muito bem se não fosse o livro um artigo de luxo, com IVA igual ás bebidas alcoólicas e ao ouro.
Eu leio, leio imenso, sou uma papa livros, mas não compro nem um quinto daqueles que gostaria, troco com amigas, compro alguns quase a meias (Compra lá o Equador que eu compro o Rio das Flores… depois trocamos)
O meu sonho, caso fosse bafejada com uma fortuna inesperada, era entrar numa livraria de carrinho de hipermercado e fazer o gosto ao dedo, depois enchia uma mala de viajem só com livros e ia para Cuba beber mojitos e ler ao pé do mar, os trapos necessários logo adquiria à medida das necessidades.
Faço listas na Livraria no Natal e Aniversário e a família lá vai, sabem que é a prenda que me desperta o sorriso nos olhos.

Cada vez que a família me dá um dinheirinho e apesar das recomendações (Compra um casaco de Inverno, compra umas botas, uns sapatos) já sabem que o investimento é livros.
Não vou à Feira do Livro há vários anos porque venho de lá com mais livros do que o meu orçamento permite e um amargo de boca de deixar para trás tantos livros órfãos.
Será que esta Comissão, Ministério, Departamento Governamental ou Secretaria de Estado que promove este anúncio tem noção do preço dos livros?
Tem noção do preço dos livros escolares, por exemplo?
Tem noção que a rede de Bibliotecas Públicas e Escolares são suportadas pelas Autarquias Locais....




Acho que não tem noção de nada…

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Casulo



Por muito que me queira manter no casulo encantado das férias, longe de chatices e amargos de boca, as coisas acabam por chegar.
Confesso que tenho evitado os telejornais, tenho comprado menos vezes o jornal do que é habitual, não consulto noticias on-line, não abro mails de trabalho, no carro ouço música de CD em vez de rádio…
Não trouxe relógio nem telemóvel de trabalho.
Leio, muito mesmo, durmo a sesta, perguiço, vou à praia, passeio no campo.
Tenho dias em que me dá os amoques de saúde um pouco instavél, tenho dias que me esqueço por todo, estou queimada, vejo montes de cortiça, vejo as vistas, moinhos de vento a sério e em funcionamento….
No entanto as coisas chegam cá e impossível manter-me no casulo: para além do jornal que me dá conta de mais distúrbios em Bairro Sociais, que me parece absolutamente previsível face à situação económica e social do país; para além do rescaldo de toda a parvoíce envolvendo a participação nacional nos Jogos Olímpicos; para além do comboio que cai no Tua, outra vez, com quase a certeza que algum subalterno da CP vai ser acusado de negligência, não obstante as constatações obvias do desinvestimento destes sectores; do avião que caiu em Madrid, dos incêndios no Centro do país, dos mortos civis do Iraque, para além da noticia no Diário de Notícias, edição impressa, na qual se constata que 49 bebés morreram na Índia vitima de cobaias da industria farmacêutica ocidental, que procedeu a testes….

Vem-me à lembrança os recentes posts do CRN, do Ai Portugal, sobre a Eugenia, que raio serão aquelas crianças a menos que as outras?
Que raio de globalização é esta?
Cobaias do hemisfério sul para tratar do hemisfério Norte?!
Tento manter-me ainda dentro do casulo acolchoado das férias mas entre isto tudo, o cantoneiro que não varre as ruas e louva Oliveira Salazar e os senhores do café que em altos brados dizem que a medalha de ouro de Nelson Évora não conta porque nem é português….é preto!
Tento recolher ao casulo, pelo menos mais uma semana!

sábado, 23 de agosto de 2008

Geografia do Amor






Conhecer o sorriso, a expressão de desagrado de contentamento, de tranquilidade.
Conhecer o corpo do outro, o nosso, os vales, as montanhas, os rios de carinho, os vulcões de paixão.
Na geografia do Amor há fauna e flora.
Árvores de tranquilidade, searas de alegria, animais irrequietos de desejos…
Pedaço de nós que passamos ao outro.
O reconhecer do nosso odor no corpo do outro.
As cicatrizes contam histórias: um parto de um filho feito por amor, uma cirurgia em que acordamos e sabemos que o outro estava lá à nossa espera a sofrer as mesmas dores, por osmose, uma ruga de expressão pelas gargalhadas conjuntas…
O toque da pele, familiar e novo, a ternura de um beijo, só um beijo nada mais…
O carinho de um olhar, um olhar comprido, um olhar de espanto e reconhecimento.
O compassar do andar, do sono tranquilo, saber só que ali está, o nosso porto de abrigo, companhia escolhida da aventura da vida.
Partilhar uma música, um filme, uma recordação.
A mão na coxa enquanto se conduz, o carinho de cheirar o perfume do outro que não é nunca só perfume, é o teu cheiro, o meu cheiro, o nosso cheiro.
Enfrentando tudo sempre juntos, tempestades, bonanças, descobertas, criações…
E sermos nós na mesma, só nós sozinhos, individuais únicos, mas nunca solitários…

Educação é sempre bonito

No meio de um jardim encantado, com ar vagamente romântico que já conheceu melhores dias, dou com o Alentejo no seu melhor, o asseio, uma certa compostura e um graffiti anacrónico....


Ocorrem-me muitos palavrões para escrever nas paredes, aliás já fazem parte da paisagem urbana, mas achei este grafiti altamente requintado, só mesmo no Alentejo...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

E Vergonha na cara, não?!


Ainda os Jogos Olímpicos.
Quando eu era miúda pensava que os Jogos Olímpicos eram vedados, por qualquer motivo que eu não descortinava, aos Portugueses.
Depois comecei a perceber que tínhamos sempre uma comitivazinha, pequenininha, discretinha…
Durante os Jogos Olímpicos víamos a URSS a EUA, a RDA e RFA, mais alguns países a disputarem medalhas atrás de medalhas, como se fossem bugalhos…
Vibrava e vibro com a ginástica, o Atletismo e tudo o que tenha água….
O resto sinceramente, não me desperta muito interesse.
Depois o Carlos Lopes, bancário, a treinar na beira da estrada depois do serviço, com poucos ou nenhuns apoios ganha a maratona, e é verdade, tivemos todos muito orgulho, mas o mérito foi só dele.
Já se passaram uma décadas, sucessivos governos e mais uns orgulhos, Rosa Mota e outros, mas de facto os apoios ao desporto são o que se vê o país vive vocacionado para o apoio ao futebol e o resto esquece lá, já agora convém relembrar que a nossa maravilhosa selecção nem sequer foi aos olímpicos, um gaiato de 13 anos filho de uma amiga teve a cortesia de me informar, mas ainda assim enchemo-nos de prosápia que tal e coisa era tudo favas contadas.
È mesmo à tuga, caramba….
Que posso dizer, parabéns Vanessa, parabéns Nelson, pela postura, pela dedicação, pelo brilharete que fizeram ainda assim ara um país que não apoia DE FACTO o desporto.
Aos outros que não dançaram porque o chão estava torto, porque não havia vento, o cavalo assustava-se, o que não está habituado a estádios, o queria ficar na caminha ….nem sei.
Aos senhores que mandam nestas coisas, Federações, comités Olímpicos, Instituto do Desporto e afins – Que tal um bocadinho de vergonha no focinho, não?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ana, Ana que haces!?


Esta era a pergunta que o meu amigo Juan me fazia quando achava que eu exagerava….
Estou a ouvi-la hoje na cabeça, as recomendações médicas são simples: descanse, por favor descanse, não se esforce, não se enerve….
A parte do não se enerve é quase impossível de controlar, o resto até se pode.
O pior é que sou uma cabeça dura, que apesar de andar a aprender a gostar de mim, acho que tenho que viver ás golfadas numa voracidade animal.
Resumindo e concluindo, tenho feito enormes caminhadas a pé, não tenho de facto descansado o que poderia e o que deveria, ontem a mandei-me à bruta, praia, passeio pelo tal parque encantado de ponta a ponta, passeio nocturno loooongo.
O resultado está à vista, um cansaço descomunal, os meus órgãos internos a discutirem uns com os outros, as hormonas à chapada, o organismo a não obedecer, tenho de acalmar ficar sossegada, descansar.
Se não corro o risco de ficar ainda mais esgotada…
Ana, Ana que haces?!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Reencontro



Hoje lá me reencontrei com o velho amigo mar.
Estava um pouco zangado comigo, tanto tempo de abandono…
Rugia e esbracejava com as suas ondas, frio, mexido, quase amuado, mas depois fizemos as pazes, mandou-me um cardume de robalos curiosos, andaram a um metro de mim, a brincara a medirem-me, eu encantada enquanto tudo se arrepiava dizendo que a água estava gelada, e estava, mas não faz mal….
Cheira a sal e a iodo as rochas cobertas de limos, com pequenas poças de camarões e mexilhões minúsculos num fervilhar de vida.
A corrente a puxar para fora como se me reclamasse, a paz em ondas bravias.
Depois a paz suprema de um parque botânico de regatos de água tranquilos a cantarem entre pedras árvores e flores com nascentes e cocharro de cortiça pendurados para sorver aquela fresquidão, as flores berrando cores diversas, os pinheiros sombrios….

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Presenças


O meu pai morreu há dez anos, não faz hoje dez anos, não me agarro a essas datas, até porque ele me faz falta todos os dias.
Por me fazer falta todos os dias, nunca quis encarar a sua campa, a perspectiva de ver escrito em pedra as datas de início e fim de uma vida, infelizmente curta, repugnou-me sempre.
Acho que o tenho mantido vivo sempre, por não passar um dia que não sinta a sua falta e a sua presença.
O meu pai, foi sem dúvida uma influência marcante, por tudo, pelo seu exemplo de dignidade, honestidade e princípios, pela sua frontalidade, pela sua sensibilidade e ternura não assumidas.
Era um falso bruto, com uma aparência pouco amistosa à primeira impressão onde avaliava e media as pessoas depois restavam poucos caminhos: a indiferença total e absoluta, sem dúvida o pior; o gozo, nem por isso muito bom e a amizade aí assim, podiam contar com ele sempre em qualquer circunstâncias
Incansável, trabalhador e abnegado teve sem dúvida na paternidade a sua maior alegria, só depois reavivada com a chegada dos netos a este mundo.
Chorava com certas músicas, disfarçadamente, com certas cenas de certos de filmes.
Lia o jornal de traz para frente, como eu e a minha irmã, sem darmos conta.
Contava anedotas (eu também), amava as coisas simples, a família, o convívio, a conversa comprida…
Tenho a mesma maneira de andar, bato com os pés no tornozelo oposto, tenho os mesmos olhos, a mesma maneira de falar e expressar-me, os mesmos lábios cheios, o mesmo sentido de humor, durmo como ele, sento-me como ele, não por imitação, foi mesmo transmissível, falamos com as mãos também….
Nas férias adoravas, sentar-se num Largo calmo, no Alentejo, só a apreciar a ordem e luminosidade das casas caiadas com jornal e a bica à frente, o jornal na mesa, o cigarro nos dedos….quase que Juro que esteve ali comigo na esplanada, ainda há pouco….

As Férias começam ……….AGORA!


Pronto agora sim, agora está Lua Cheia e no rio perfilam-se peixes e patos semi adormecidos em pose, para o retrato.
Agora já me estou a habituar a viver sem o peso do relógio de pulso…
Pelo caminho a paisagem foi mudando, menos urbana, acabando a via rápida foi tudo ficando diferente: ninhos de cegonha, pequenas aves de rapina, gado a pastar, ovelhas despidas dos seus casacos de lã, arrozais, milheirais, searas, chaparro altivos, canaviais, alguns ciprestes, pinheiros mansos na beira da estrada….
Casinhas brancas de barras azuis ou amarelas, a pureza da cal, velhas sentadas á porta, fala arrastada, mais calma.
A terra foi mudado também, de negra passou a ocre de ocre a vermelha, terracota…impúdica sobre o sol.
A pouco e pouco fui descomprimindo, enchi os pulmões de outra forma, na rua toda a gente diz Boa Tarde, o pão sabe deliciosamente a azedo, á um cheiro a ervas e flores, na rua dois carros são um engarrafamento….
As férias começam agora.

domingo, 17 de agosto de 2008



A partir de hoje vou de férias e a partir de hoje durante de duas semanas vou viver sempre no Hoje.
Hoje vou mesmo experimentar uma coisa muito diferente. Vou acordar devagarinho dentro de mim…vou amar o sol e o grito das aves, porque sim. Vou sorrir para o pinheiro que me dá tranquilidade, odor a resina, verde dourado em contraste com o céu, azul, azul que grita, prenhe de luz. Vou sentir a carícia voluptuosa da água gelada, salgada, transparente, imensa, leve e pesada em todos os poros da minha pele. Vou talvez suspirar um pouco, um suspiro de mulher tranquila, preenchida enfim. Vou talvez ficar a prolongar aquele limbo entre o acordar e o dormir, em que se ouve a luz e se sente o som e ainda assim, me agarro teimosa a fiapos de sono, a restos de sonhos, a embalos sem noite. Não vou pensar nas falhas, nas minhas, dos outros, do mundo, vou pensar só, só em pensamentos vazios, de preocupações, de urgências, de medos, deixar de pensar como o coelho branco de Alice, que estou atrasada, que estou em falta, que estou a menos, que estou a mais, que devia ter feito assim ou assado… Hoje sou só minha, única e indivisível, que se lixe o dever, poderei ter-te a ti talvez se quiseres, mas sou só minha… Minha força, meu prazer, minha calma, minha loucura, minha raiva, minha tranquilidade, minha inquietação, minha dor, minha luz, minha escuridão…

sábado, 16 de agosto de 2008

Máscaras



Hoje começo quase de férias.
Vou ter um almoço longo recheado de amigos dedicado a um amigo, rabugento e belicoso, que no fundo todos sabemos ser um doce, sensível e amigo capaz de qualquer rasgo para ajudar o próximo.
Só usa aquela máscara do mau.
Vai lá estar quem usará a mascara do palhaço.
Todos usamos máscaras em determinada altura.
A máscara da boa educação com pessoas que nos apetece ignorar, no mínimo.
A máscara da coragem, quando por dentro choramos assustados como quando tínhamos cinco anos e a enfermeira se aproximava com a seringa, e agora temos 30, 40, 50, não é seringa da enfermeira que nos assusta, são outras coisas, a espera do olhar do médico sobre o exame, estarmos parados na maca antes do Bloco Operatório e ninguém nos ligar, somos uma coisa, um pedaço de carne e não sabemos como vai ser.
Pomos a mascara da coragem.
Pomos por vezes a máscara do saber, os nossos filhos olham-nos com olhares inquietos e a certeza que sabemos tudo, tudo resolvemos e não que não sabemos do e que temos dúvidas sobre como resolvemos as coisas pomos aquela máscara e continuamos.No entanto existem máscaras que não devemos nunca de usar: a máscara do Amor, a máscara da amizade….aí é usarmo-nos desmascarados…

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Porque é uma espécie de Sábado...






Como hoje é uma espécie de sábado aqui fica o Poema da Criação de Vinicius de Moraes.....




I



Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.






II



Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.






III



Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

SILÊNCIO


O Silêncio é uma coisa bela e assustadora.
São belos tantos silêncios.
O silêncio da Paz.
O silêncio do reencontro connosco, que não é solidão, é diferente, solidão escolhida, por opção.
O silêncio do Amor que grita, sem palavras, sem som.
O silêncio gritante dos olhares.
O silêncio ruidoso das mãos.
O silêncio da música, que com o seu som enche a alma e apaga todos os outros pensamentos, todas as outras conversas.
O silêncio de uma respiração tranquila, compassada, que dorme em nuvens de sonho em asas de pássaros.
O silêncio das pedras quentes ao sol e o silêncio das arvores.
O silêncio cantante da água corrente, o silêncio compassado das ondas.
Depois outros silêncios
Silêncios que ferem.
È assustador o silêncio da solidão
È assustador o silêncio dos que se calam, dos que teimam em não ver, não ouvir nem falar.
“Isto não é nada comigo” Pensam em surdina, em silêncio.
Não lhes interessa o que corrói a vida, o que destrói o futuro, o que lhes mina o presente, o que lhes mascara o passado.
Não estão vivos a sério, são umas coisas….ruidosas e silenciosas!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Segunda feira está quase a chegar....


Pareço um condenado a contar os dias que faltam para férias.
Risco o calendário e tenho a sensação que se me aparecer mais um berbicacho para resolver desato aos gritos.
Segunda-feira está quase aí mas ainda falta galgar uma série de compromissos previamente agendados, guardo um certo rancor á agenda já.
Já se perfilam outros em letra miudinha para depois das férias.
Na minha secretária acumulam-se papéis de coisas pendentes que tenho de resolver, mas sinceramente só me apetece fazer uma fogueira com eles.
Ficava tudo resolvido, em conjunto…
Irei para uma Vila Branca, suficientemente perto do mar para me anestesiar, não irei olhar para a TV, irei comprar jornais todos os dias, irei blogar uma vez por dia no portátil, o telemóvel estará a maior parte do tempo desligado, irei ter conversas tranquilas, dormir quando tenho sono, comer quando tenho fome, o relógio fica em casa, vou acordar com o cantar de um galo, vou ter longas conversas sem falar de trabalho, vou ler que nem uma doida, já se perfila o monte de livros que vou levar…
Já só falta até segunda feira….

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mundo de Aventuras





Escrever tem sido um exorcismo de mim própria.
Dos meus fantasmas, das minhas angustias, das minhas, recordações, das minhas experiências, das minha opiniões que valem o que valem.
Agora sinto quase a obrigação diária de reportar algo a este blogue que funciona como o pequeno jornal que eu e os meus primos elaborávamos em miúdos, em folhas arrancadas a cadernos, batidos á máquina na velha Smith Corona do meu avô, que supostamente portátil, mas que pesa alguns vinte quilos.

Fazíamos os jornais, desenhávamos as ilustrações, até nos dávamos ao trabalho de fazer uma pequena banda desenhada ou um cartoon.
Depois fazíamos o jornal passar de mão em mão, pela família, cobrávamos uns tostões era uma espécie de aluguer.
Por vezes tenho alturas que acho que me tenho de me deixar disto, que as coisas que escrevo não interessam nem ao menino Jesus, mas depois tenho o retorno de amigos, dos carne e osso e dos virtuais, virtuais então que aprendi a respeitar e considerar, a ter em conta a opinião, a sensibilidade.
Fazíamos outras coisas também, teatros de improviso, a especialidade era enfiarmo-nos os três no roupeiro, sairmos de lá vestidos com a roupa da avó, mascarados e fazermos uma peça de improviso, tudo servia.
Com a família a assistir paciente.
Hoje somos pessoas muito diferentes uns dos outros, radicalmente mesmo, tendo em linha de conta o percurso de vida, as opções a todos os níveis, mas partilhamos ainda uma cumplicidade só nossa.
Também andámos no faroeste, no sofá da sala atrelávamos os cavalos de balouço, com um lençol fazíamos a cobertura da carroça de pioneiros, levávamos farnel, espingardas de lego e outras improvisadas, view master como binóculos, e lá examinávamos a pradaria em busca de fora da lei, índios e manadas de búfalos tresmalhadas, lá apareciam e tínhamos batalhas renhidas, eram assim os dias de chuva…

Passado pouco tempo escrevia redacções na escola, quando eram tema livre, recheadas com essas aventuras.
Enquanto os meus colegas se chateavam com a imposição da redacção ter pelo menos x linhas, eu extravasa para além disso, faltava-me muitas vezes a ilustração final, mas não tinha muita importância.
Fazíamos finais alternativos a todas as histórias, brincávamos aos Cinco, vivemos todas as Aventuras de Huckleberry Finn e Tom Sawyer, tínhamos estojo de maquilhagem do que surripiávamos das nossas mães.
Exultávamos com o Sandokan, e andamos perdidos em vulcões, ilhas, balões, foguetões e submarinos com todos os livros de Júlio Verne.
Na praia tínhamos aventuras radicais com monstros submarinas, barcos afundados, polvos gigantes, tesouros submersos que se reduziam a um punhado de conchas e o milagre de encontrar vivo um cavalo-marinho vê-lo enrolar-se em si próprio e devolve-lo ao mar.

Não sei se é por esse gosto ás aventuras que não vivi que escrevo, não se escrevo por achar que existem coisas maiores que eu que não me cabem no peito, não sei se escrevo porque enquanto escrevo estou no fundo a conversar só comigo, embora me saiba bem o retorno dos outros que se juntam á conversa, não percebi ainda se escrevo por outros motivos por vezes, porque a indiferença me choca, a injustiça choca-me, a torpeza me choca, muita coisa choca-me.
Quase tantas as coisas que me fazem feliz.
Agora vivo outras aventuras, a aventura máxima de ter produzido dois seres humanos, em co-produção, que me enchem de orgulho, onde detecto coisas minhas, mas que sei que não são meus são deles próprios.
Outra aventura, vivida diariamente, intensamente a de querer tornar este país melhor, este mundo melhor, para todos, não só para mim e para os meus….

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cinzento


Pronto hoje o dia está cinzento e eu fico logo mais murcha…
Leio meia dúzia de patacoadas nos jornais que me deixam irritada.
Informo-me a contra gosto sobre a Guerra que cresce lá mais ao fundo da Europa, só consigo pensar nos espezinhados por ela…
Mais umas patacoadas da politica nacional em plena estação parva, ou seja apenas mais parva que o costume.
A perspectiva de um dia longo de trabalho.
Umas anormalidades sobre os Jogos Olímpicos e as leituras transversais, e de outras perspectivas que eu não consigo atingir que descobrem não sei que fantasmas numa coisa que deve ser só a celebração da humanidade.
Pronto hoje o dia está cinzento…
O sol irá voltar.