quinta-feira, 31 de julho de 2008

Agora as coisas que me fazem feliz



Já falei de coisas que me irritam.
Dos palavrões que me apetece dizer.
Das minhas indignações.
Dos meninos vários.
Hoje vou falar das coisas que me fazem feliz.
O Verão claro…..o sol
Os amigos, sempre os amigos que felizmente cultivo aos molhos, que me acodem em situações várias, com quem posso contar para quase tudo.
Amigos que vejo todos os dias.
Amigos que vejo de anos em anos, mas quando nos encontramos parecem que foi ontem que estivemos juntos.
Amigos que encontro casualmente, sem horário, sem data marcada e que recebem a minha aparição de braços abertos, com abraços fraternos.
São jóias.
Os Amigos virtuais que começam a ter um cantinho especial.
A família é claro. A família directa, restrita nuclear e o resto, primos, tios, irmã.
Família que me acarinha.
Família que me requisita com a urgência de quem me quer bem.
O meu sobrinho desejado que cresce tranquilamente no ventre da mãe.
Os momentos de carinho, carinho puro, da preocupação que tem por mim, dos abraços fraternais.
As recordações de infância também me fazem feliz, o tempo apaga as coisas más, ou pelo menos ficam diluídas…
Um pouco de orgulho em mim, ás vezes menos do que devia, dizem-me.
O interesse por todas as coisas do mundo: a politica, a energia, a arte, sempre a arte, as culturas, os sabores, as viagens, as que fiz e que anda anseio fazer.
Os meus livros, os meus filmes, os meus quadros favoritos, as minhas musicas de eleição.
O olhar para o rio, a atracção pelo mar em todas as suas cores em todas as suas formas, calmo e sereno, brutal e revoltoso.
O sair á rua e cumprimentar toda a gente, falar de dois em dois passos com alguém que fica feliz por me encontrar e eu fico também…
O sentir de vez em quando que afinal sempre sou competente naquilo que faço, no trabalho, no aconchego que dou, nas amizades que cultivo, na verdade das minhas reacções, nunca aprendi a ser cínica…
O dia, com a alvorada que me espanta, sempre, nada mais bonito que o nascer do sol só o pôr do sol…
A noite com as suas alegrias, o aconchego do frio de Inverno, as noites longas de verão entre gargalhadas e conversas….

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cinema






Eu, cinéfila, filha de cinéfilo me confesso:
Adoro Cinema!

Desde os Westerns Spaghettis de Sérgio Leone, devidamente acompanhados com bandas sonoras fantásticas de Ennio Morricone, protagonizados por um Clint Eastwood, empedernido. Bem diferentes dos arrumadinhos com Jonh Wayne.
Aliás Clint Eastwood revelou-se um realizador sensível e fantástico brinda-nos com filmes que falam, de Jazz, Guerra, Boxe, sempre com uma sensibilidade surpreendente.
Sérgio Leone também conseguiu brindar-nos com uma obra-prima antes de desaparecer, o fabuloso Era Uma Vez na América, mais Ennio Morricone, óptimos actores, boa recreação, e outro género que adoro-Gangsters!
Tardes a ver filmes com James Cagney.
Maravilha suprema, todos os Padrinhos, com Al Pacino a crescer de inocente a psicótico e por fim velho em busca de redenção.
Outro favorito Francis Ford Coppola, galeria do coração, tremendo Apocalipse Now, maravilhoso Do Fundo do Coração.
Mais um que adoro Scorcese, perfeccionista, retratista de épocas e emoções, com um actor favorito ou pelo menos recorrente, Robert De Niro, magistral no Touro Enraivecido ou Táxi Driver, ou de facto em quase tudo…
Mas as maravilhas não ficam por aqui, consumo musicais, á pois é, sou capaz de ver pela milionésima vez o Americano em Paris ou My Fair Lady, sem contar os filmes em que Fred Astaire fazia as danças de encantar, como o Gene Kelly também.
Já agora, um filme de gangsters, com música e sapateado, Cotton Club..
Todos de Chaplin, todos mesmo. Já agora Buster Keaton.
Apesar de tudo Errol Flyn.
A beleza intemporal de Rita Hayword, Marlene Dietrich, Laureen Bacal, Ava Gardner, Marilyn Monroe, o olhar enigmático de Bette Davies…
O Cinema italiano, Rosselini e a Ingrid Bergman, o fogo latino e o gelo nórdico imortalizado para sempre na tela…




O oito e meio, La Strada, Silvana Mangano a mondar arroz, Sofia Loren na Ciociara, Mastroianni nos Inúteis, A terra Treme, Ladrões de Bicicletas, o Milagre de Milão, e o grande imenso Leopardo.




A obsessão de Morte em Veneza.
E agora Cinema Paraíso!
Os franceses, a beleza calma de Caterine Deneuve, e a intranquilidade dos filmes de Buñel, Brigitte Bardot, antes de se dedicar aos burros, a imagem do pecado inocente…Jean Gabin.
E agora Amelie, pois claro.
As maravilhas nórdicas, Pelle o Conquistador, Fanny e Alexandre, alguns de Bergman, A festa de Babette…
Caramba o Kubric, grande, grande infinito mestre….
Mas ainda tantos que faltam caramba…
Almodôvar, outra revelação, com quem rio e choro.
O Cinema Inglês e os seu pequenos tesouros, Billy Eliot, Full Monty, Shirley Valentine, Calendar Girls, e mais ainda mais...




Mediterrâneo, filme para rever sem conta, Belle Epoque, também…
Moretti pois claro. Bertoluci, fabuloso 1900, com o Leopardo Burt Lencaster, uns jovens De Niro e Depardieu.
Japoneses também, cheguei a obrigar um grupo de amigos a ver a Sombra do Guerreiro, ainda hoje me recriminam.
Ainda tenho arrepios a ver a Semente do Diabo, Mia Farrow, novinha….Roman Polanski sempre, o amor trágico de Tess.
Milos Forman em todos…
Apaixonei-me pelo Dracula, desejando ardentemente que Gary Oldman me desse uma dentada no pescoço ou um absinto com um cubo de açúcar…
Faltam-me os Portugueses, de agora e de antes, os da América Latina…
O post vai longo e só peca por falhas, nas próximas horas vou-me lembrar de mais 20, 30, 40 filmes importantes da minha vida, actores que adoro, realizadores fantásticos.
O cinema agora é mais portátil, o dvd em casa não chega, as salas são mais pequenas, cheiram a manteiga das pipocas, o meu tio Quitó acha que deviam ser pevides….
Vemos filmes em casa, mas há alguma coisa que chegue ao milagre da sala escura do cinema?!





(vou encher isto de músicas de filmes)

terça-feira, 29 de julho de 2008

O que as mulheres querem?





Está em aberto o grande mistério: O que é que as mulheres querem?
Não sei metade das vezes fico na dúvida:
Querem ser mais magras, mas querem ter mamocas e rabiosque cobiçável.
Querem ser mais velhas até aos 21, depois dos 25 querem ser mais novas.
Querem um amor para toda a vida, mas gostam de flirts.
Querem sapatos lindos de morrer mas não querem dores nas costas.
Querem sexo sem compromisso, mas exigem que lhes façam a corte.
Querem ser autónomas mas anseiam por um príncipe encantado que lhes abra a porta , as encha de flores, pague a conta….
Querem beber uns copos mas de preferência que o álcool não se instale nas coxas.
Querem filhos, mas não querem estrias…
Querem um homem bonito, mas não tão bonito assim que seja cobiçado pelas outras…
Querem um lar confortável, mas viajar muito de preferência.
Querem roupa nova e recusam-se a livrar-se da velha.
Querem um ar natural, mas esforçam-se muito para isso.
Querem madrigais e atenções, mas detestam “colas melosos”.
Querem um homem que lhe puxe pela sensualidade mas que não seja ordinário.
Por isso as mulheres são seres fascinantes, não somos?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Estou a ficar farta....




Ando mesmo triste caramba!
De cada vez que acho que a minha vida melhora lá me cai uns cagalhotos em cima.
Ou sou eu que ando doente, não consigo fazer a minha vida normal, ou é a família toda em bloco, que adoece de maleitas várias, todas más, que as maleitas são más, sempre.
È o médico que junta mais um comprimidinho ao rol do dia, para me acalmar, estabilizar, sei lá o quê.
Como se essas coisas existissem nos comprimidos.
Ou é mais uma amiga a braços com uma doença incapacitante e provavelmente terminal.
Ou aparece-me um dedicador de poemas e eu acho “Olha que giro!” mas depois a coisa torna-se massacrante e cansativa, tipo pastilha elástica na sola do sapato.
Ou então são uns xicos espertos que aparecem a achar que lá por ser comuna tenho de andar rota, esfarrapada e não gozar os prazeres da vida.
Ou então são amigos que me dão desgostos.
Ou ainda uns ordinários que me enviam ameaças anónimas com bocas asquerosas, a alvitrar comportamentos que nunca tive e a ameaçar denunciar não sei que taras que imaginam que eu tenho.
Enfim rol de porcaria.
Mais o custo de vida, mais o barril do crude, mais os discursos á nação, mais o desemprego, mais os meninos perdidos e abandonados…
Salvam-se outros amigos, solidários, virtuais e de corpo inteiro, os meus rebentos, o carinho e o ninho da família.
Mas juro que só me apetece atirar ao mar e nadar até um mundo novo…ou então fechar-me dentro de mim, hibernar como os bichos e pronto!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

LER



Ler sempre foi um vício, uma necessidade, incutida desde pequena, alimentada pela colecção do meu pai, do meu tio, e depois com a colecção própria.
Papo livros a fio.
O meu homem costuma dizer que para me satisfazer é melhor comprar a lista telefónica da China, sempre que me oferece um livro procura, dentro dos meus gosto, o que tiver mais páginas…
Puro engano, se o livro me interessar galgo aquilo em meia dúzia de dias, houve livros que me fascinaram e que teve de lê-los sem parar, por exemplo “O Velho que lia romances de Amor” de Sepúlveda (é pequenino também!).
Outra das queixas é falta de espaço para armazenagem, já existem estantes em todas as divisões, halls de entrada e corredor, livros em camadas dupla, mas não consigo separar-me deles…
Outra queixa é quando á pintura ou mudanças, recebo a ameaça “Vê lá se começas a carregar tu com o peso da cultura, que isto dá conta de mim!”
Tenho autores favoritos que no meu intimo já trato por tu, se os encontrar na rua acho que lhes dou um beijo e um abraço, a seguir sou presa ou internada no hospício….mas paciência.
Tenho livros que releio ciclicamente, só porque sim: alguns de Saramago, quase todos de Gabriel Garcia Marques, quase todos de Eça de Queiroz, mais a colecção de tudo quanto é policial de Ruth Rendell.
Tenho autores que não gosto de todo, não consigo, Paulo Coelho por exemplo, o porno soft da Margarida Rebelo Pinto, também.
Ainda assim tenho preferências por escritores da América Latina, ando sempre a descobrir novos, nos de sempre está o Gabriel Garcia Marquez, claro, Isabel Allende, Laura Esquivel, Sandra Sabanero, o grande e eterno Jorge Amado, Graciliano Ramos, Sepúlveda, e tantos que me levam a universos fantásticos, tropicais, quentes calorosos, de amores impossíveis e sensualidades profundas.
Ainda este fim de semana entre a perspectiva de gastar uns totões nuns trapos ou em livros não exitei, comprei três, dei a desculpa conjugal, "São para as férias", e ele disse "Até parece que isso dua daqui até lá...."
Enfim mais uma pancada desta Ana

.

UFA!



Pronto aí está outro fim-de-semana á porta!
Ufa, finalmente…
Ou não, são mais dias que se passaram, mais umas injustiças que acontecerem, mais umas dividas acumuladas mesmo sem sabermos, mais uma crianças maltratadas, mais um cabelo branco, mais o barril de petróleo que aumentou, mais uma vez que não dispus de tempo para ligar aquele amigo, arrumar a gaveta que já fecha mal com a tralha acumulada, beber um café na esplanada ignorando o tique taque do relógio só assim a olhar o rio…
Mais um filme que não vi, uma canção que não trauteei, perdi um afago, um abraço, uma conversa simples com as minhas velhotas, onde se vão desfiando o rosário das recordações “Quando nasceste tinhas um casaquinho de malha traçado, branquinho…”
Perdi uns raios de sol a acariciarem o pescoço, suaves como dedos, a sombra de um grande pinheiro manso, o chilrear de um pássaro….
Mas pronto também recebi mimos virtuais, mimos a sério, telefonemas cheios de carinhos, mails de amizade…
Agora hoje vou preparar-me, fim de semana em Sesimbra, mar e piscina, piscina com vista para o mar, peixe fresco, umas amêijoas, um vinhito verde, uma conversa longa á noite com o som do mar como banda sonora.
Deixo aqui Caetano Veloso numa das minhas Canções favoritas "Estranho Amor" e já agora uma versão espectacular de um Fado de Amália "Estranha Forma de Vida", eu gosto e vocês?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Grande Circo Místico





Tive a sorte o privilégio de assistir a esse fabuloso espectáculo.
Espectáculo idealizado por Chico Buarque de Holanda e Edu Lobo, que juntou para além de belíssimas músicas, cantadas pelas mais belas vozes do Brasil, um espectáculo circense mesmo, com dança, cor luz e magia.
O espectáculo conta a história de um Circo, dos amores e desamores, dos artistas que por ali circulam, das tragédias escondidas.
Gosto de todas as músicas, guardo religiosamente o vinil.
Foi no Coliseu, devia ter os meus quinze anos, foi um fascínio, fomos uns vinte amigos, com autorização paterna e recomendação de voltar no último barco.
Todos guardamos aquela noite como um tesouro.
Amiúde coloco músicas do disco aqui no Blogue, hoje ponho-as todas….
Foi um espectáculo místico que marcou a minha adolescência.
Ainda hoje gosto muito de concertos, quando posso lá vou, com amigos, porque o meu homem é mais eclético e ainda abana a cabeça por ver que vou para os moches, canto até ficar rouca, pulo e acendo o isqueiro.
Cota maluca!


quarta-feira, 23 de julho de 2008

As minhas férias de infância




Prometido é devido este texto é dedicado ao meu amigo Paulo (el niño), amigo de sempre, que partilhou muitos destes momentos comigo e com os meus primos e outros amigos. A foto da nossa Árrabida, sempre, a música Beatles, cantada por Ringo Star, música que todos sabiamos cantar em coro...

Guardo gratas recordações das férias de infância, a Escola acabava em Maio e começava em Outubro.
Assim que acabava as aulas começava a loucura da Rua, tardes a andar de bicicleta, pescarias na muralha, noites no parque, podíamos estar no parque sozinhos até ás onze da noite, a andar de balouço, a jogar á semana, ao prego, ao lá vai alho, ás escondidas, á cabra cega, ao berlinde, campeonatos de pião e caricas.
Depois ia com a minha avó para as termas, Hospital Termal das caldas da Rainha, velhos de fartura e eu a única criança, mimada por todos, doentes, médicos e enfermeiros.
Ainda guardo uma colecção de bichos em louça, entrava em todos os gabinetes e bebia copos de água a cheirar a ovos podres.
Voltava das Caldas ia para o Algarve, Tavira ou Vila Real de Santo António, pais irmã, e sempre um grupo de amigos dos pais onde se incluía o meu amigo Paulinho.
Dias inteiros de praia, bolas de Berlim na areia, camaleões, á noite geladinho, e cair na cama dormir de um sono só.
Joelhos esfolados e gargantas roucas de sal.
Depois subia e ficava ali logo na Costa Alentejana, com os tios e os primos, primeiro a dormir no chão, depois acampados os três primos com base de apoio na pensão onde os tios estavam, o grupo do acampamento ia crescendo, todos os amigos lá iam parar, noites de fogueiras na praia, com o pão quente a sair do forno, dias a apanhar percebes e burriés, visitas á lota, conversas com os pescadores…
No entretanto fins-de-semana na Arrábida, uma vez suprema aventura uma semana sem regras, os seis netos acampados só com a avó, comíamos dentro de água…
Para remate rumava-mos a Seiça, perto de Tomar, casa da Tia Maria, velhota doce e humilde, numa casa senhorial, sem luz eléctrica, onde dormíamos no sótão, e contávamos histórias de casas assombradas á luz candeeiro de petróleo.
Ai subíamos ás arvores, nadávamos na ribeira, víamos os ovos nos ninhos a eclodir, apanhávamos rãs que despejávamos na pia da água benta, íamos para desfolhadas do milho, participávamos na procissão da aldeia, jogávamos bilhar e matraquilhos no único estabelecimento da terriola, bebíamos leite da vacaria…
Voltávamos e acabávamos o Verão com o parque, as bicicletas, a Festa do Barreiro que era em Outubro…
Férias de sonho!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O cabelo e a corrente



Em miúda li um conto que não lembro o nome nem se é de Victor Hugo, Guy de Maupassant ou Emile Zola.
A história é simples, um casal jovem e apaixonado que luta contra a miséria, numa sociedade consumista onde aquilo que se parece ter é muito importante.
Fazem um ano de casados, ela possui uma cabeleira linda, ele possui um relógio de bolso, de prata, sem corrente.
Anseiam os dois por dar uma prova do seu amor e decidem.
Ele empenha o relógio para lhe comprar umas travessas de prata.
Ela vende o cabelo, numa casa de perucas, para lhe comprar uma corrente para o relógio.

Quando se encontram já noite e trocam presentes ficam estupefactos, ela já não tem cabelo para as travessas ele já não tem relógio para a corrente.
O Amor não se mede nas matérias, nas prendas, mede-se nos gestos, nos carinhos nas palavras e até nos silêncios.
Empurraram-nos para uma sociedade em que tudo tem etiqueta, valor pré determinado, custos, deve e haver, medem-nos pela marca do relógio, da roupa, da cilindrada do carro.
Como se essas coisas fossem quantificaveis....

Até quando venderemos os relógios e as correntes?

Uma gaja de Picasso



Afinal as coisas vêm ter connosco mesmo que não queiramos.
Acabou um congresso da JS onde o Primeiro Ministro se vangloriou que este governo tem uma visão progressista e não conservadora.
Palavras santas, nada se conserva: o investimento, o emprego, o serviço nacional de saúde, a educação, etc.…

Depois o supremo Eixo do Mal do Fundo Monetário Internacional á conta do qual andamos a apertar os cintos há uma catrefa de anos vem dizer mais uma pérola:

Prevê um crescimento nulo ou muito baixo para Portugal em 2009, com aumento do desemprego.
Que a crise económica em Portugal tem a ver com a conjuntura interna e não externa…

Olhem só, e eu que pensava que não que isto era tudo fruto da Alqaeda, das FARC, do pitroil, afinal não!

Porem o Sr. Silva já descobriu a solução é exportarmos mais, eu proponho já, exportarmos desempregados é uma grande produção nacional.

Agora só se fosse retratada pelo mestre Picasso

domingo, 20 de julho de 2008

Hoje


Hoje não está muito sol, está mais calmo.
Hoje ainda não ouvi noticias, tenho estado a ouvir-me a mim própria, se calhar também mereço.

Penso nas minhas opções de vida, nas minhas convicções, na minha vontade de melhorar o mundo, nos gestos que nunca se tornam maquinais de amigos que ocorrem a mim em busca de apoio, a dar apoio, a trocar uma gargalhada, sei lá…

Guardo-me como o dia de hoje, um pouco mais fria, um pouco mais cinzenta, ajeito os compromissos na agenda próxima semana, como se fizesse um jogo de tetris ou lego, penso duas vezes no que vou vestir, preparo-me para um banho mais luxuoso, com creme passado pelo corpo todo depois, creme com o mesmo cheiro do perfume, hoje decidi mimar-me, a mim…

Hoje não quero saber se há ciganos à porta de Câmara de Loures ou muito menos me interessa o que o Prof. Martelo irá dizer sobre o assunto, de olhos arregalados, perdigotos para cima da jornalista que finge mal o ar embevecido com que o escuta.

Hoje estou assim, pronto!

Hoje também vou marcar na agenda uns pedaços só meus, para aquilo que quiser, nem que seja para conduzir até ao topo da serra da Arrábida e ficar lá a falar comigo própria e com o Meu Mar, transparente, verde esmeralda, azul turquesa…
Desconfio que o sol está só temporariamente escondido….volta.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O jantar do meu amigo


Este texto é dedicado ao meu amigo JJay.
Tal como o texto de “Cozinhar”.
O meu amigo é um portento, amigo há mais de vinte anos, posso contar com ele para tudo.
Devo-lho imensos favores, carinhos, preocupações que tem comigo, berbicachos que me resolve.
Não é um amigo de passar com a mão pelo pêlo, exige sempre mais um pouco de mim com a convicção de que eu sou capaz de fazer sempre mais e melhor.
Preocupa-se com a minha saúde e bem estar ao ponto de me arranjar férias este ano, férias á medida das minhas disponibilidades e vontades.
Atendendo ao empenho que tem em proteger a minha saúde, já adivinho umas férias cheias de miminhos gastronómicos.
Com frequência fornece-me o lanche, a mim e a outra desgraçada, porque sabe que o tempo voa e nós esquecemo-nos de comer.
Cozinha muito bem!
A Maria dele não se rala com esse sector!
Cozinhar descontrai, como ele diz.
Pedi-lhe para me mandar um foto de um cozinhado para postar, mandou acho eu, na dúvida que eu o fizesse.
Este foi jantar dele hoje.

Beijo Grande Amigo

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A Vida Fácil


Passei na estrada que liga Barreiro a Sesimbra e deparei-me com o espectáculo habitual da prostituição de beira de estrada.
Nada de novo.
Mas no entanto fico sempre chocada, por vê-las ali á torreira do sol com roupas diminutas e berrantes, algumas muito jovens, algumas já matronas, algumas com ar de toxicodependentes….
Cabelos oxigenados, micro saia, tops decotados, calções, saltos altos e a imprescindível mala
Nada de novo.
A quem me fale da prostituição organizada e regrada de países mais á frente como a Holanda, com certificados de sanidade e Bairro próprio para o assunto.
Para mim o sexo é intimidade.
Aquilo não é.
Dizem que é dinheiro fácil, vida fácil.
Não sei que misérias as empurraram para aquela degradação, não julgo.
Faz-me impressão os homens que ali param, alguns jovens, atraentes á primeira vista, carros topos de gama, reluzentes, se calhar com famílias.
Não considero que seja fácil, palmilhar a beira da estrada, com o corpo exposto, ter intimidades com homens desconhecidos, num banco do carro ou no meio da mata, sujeitas a taras e agressões.
Não tem o glamour do Moulin Rouge, nem dos serviços de luxo de acompanhantes.
Faz-me sempre impressão….

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Os meninos mal amados





Já falei aqui de vários meninos, os meus, os perdidos, os Papalaguis, hoje falo dos meninos mal amados.
Nenhuma criança devia nascer sem ser querida, muito querida mesmo.
Existem milhares, milhões de crianças que nascem logo a ser rejeitados por quem os devia considerar um tesouro.
Para dar amor a uma criança através de um processo de adopção são necessárias imensas burocracias, é um processo de amor incondicional, uma criança que não foi gerada por nós mas que ainda assim queremos para lhe proporcionar todo o carinho do mundo.
No entanto se para adoptar uma criança são necessários imensos requisitos, não digo que esteja mal, para fabricar uma criança mal amada basta ser fértil.
Não preciso ter estabilidade económica, não preciso ter uma família estável, um lar, ser saudável, ter sanidade mental, não preciso estar livre de dependências, nem tão pouco é preciso amar, basta tão pouco ser fértil.
È ver as crianças negligenciadas, não só as que não têm o básico, mas também as que estão cheias do supérfluo mas que ainda assim falta-lhes, o colo, o afago, o carinho, o bem-estar emocional.
Abundam, infelizmente.
São os casos que os jornais e televisões nos oferecem, os meninos espancados até á morte, estrangulados á nascença, abandonados á sua sorte, violados, feitos joguetes em mão de quem os devia de proteger contra tudo.
Depois é ver esses meninos mal amados, que crescem pessoas mal amadas que irão propagar o seu desamor.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Ser Humano




Falamos de Direitos Humanos, de Humanidades e de Vida Humana
No entanto por vezes escapa-nos o que é fundamental e importante e o que é Ser Humano.
Começa tudo mal Humano vem de Homem, no entanto a espécie alberga outro ser que o inicio de tudo a Mulher.
Historicamente foram as Mulheres a descobrir que tal como no seu corpo germinava a vida, também da terra podia gerar-se vida a partir de uns quantos caroços de frutos recolhidos.
Foi essa acção na qual deixamos de nómadas e colectores para passarmos a cultivar que permitiu o início da sociedade Humana!
Foi a partir daí que se iniciaram os processos de criação da base social – a Família. Deixámos de nos assumir como matilha.
A partir desse ponto, dominámos o fogo, inventámos artes e ofícios, conseguimos domesticar animais, trabalhar metais, conservar as colheitas, levantarmo-nos ainda mais erectos olhar o horizonte e tivemos tempo para outras coisas: inventar a música, a pintura e a linguagem, por exemplo.
Foi a partir daí que nos tornámos humanos?
Somos humanos porque temos raciocínio?
E os que são da nossa espécie e não o têm?
Somos do seres que ao nascer são mais indefesos.
Somos dos seres que necessitam de mais tempo desde o seu nascimento á sua autonomia.
Somos dos poucos seres que acasala por prazer.
Somos o único ser que mata por prazer.
Somos um ser sem sentido de grupo que trucida e esmaga o seu semelhante.

O que será enfim ser Ser Humano?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O Império Romano do Ocidente


Dado a rejeição do Tratado de Lisboa nos países da União Europeia que democraticamente levaram a questão a referendo, Sarkosy prepara-se para constituir a segunda edição, revista e aumentada do Império Romano do Ocidente.
Pretende assim criar uma “associação” ou “aliança” com todos os países em volta do Mar Mediterrânico ou Mare Nostruum para os Romanos.
Acontece que Sarkosy não é Romano, nem tão pouco Gaulês apesar de estar de momento a comandar a tribo.
Sarkosy é um bárbaro, um bárbaro que vê nesta sua criação maneira de driblar e impor a sua vontade e dos seus congéneres, onde infelizmente se inclui José Sócrates, aos restantes povos da Europa e já agora, porque não meter a patinha no Magreb.
Este bárbaro, representante de clãs bárbaros destruidores esquece-se que a identidade Mediterrânica sempre existiu, na gastronomia, na cultura, numa certa forma de estar, os povos do sul de Europa e Norte de África sempre se partilharam.
As velas dos barcos, os sistemas de irrigação, os números, palavras e expressões, o comer baseado no pão azeite e ervas de cheiro, o apelo do mar, os astrolábios, os limões, as oliveiras e Mar sempre o Mar, recurso e perdição.
Se isto for avante não passaremos ser Mediterrânicos por decreto, sempre o fomos, ainda antes do Império Romano do Ocidente, já cá passavam e fixavam-se Fenícios, Gregos e Cartagineses.

Estou a pensar pedir asilo politico á aldeia irredutível de Asterix e Obelix

domingo, 13 de julho de 2008

A Rádio







Já tinha prometido um capítulo sobre a rádio.
Não vivi o ambiente retratado no belissimo filme de Woody Allen “Os Dias da Radio”, sei que os meus pais e tios viam o filme com a alegria própria de quem via a sua infância retratada. No entanto não tendo vivido nessa época a rádio teve na minha infância e adolescência um papel muito importante, como já expliquei televisão só emitia poucas horas por dia e era só um canal, não havia gameboys, consolas, computadores e outros artigos indispensáveis á ganilha de hoje, indispensáveis porque nós ajudamos á festa, mas enfim, não existindo nada disso líamos muitos (Os Cinco, Os Sete, todos do Emílio Salgari, a Colecção Fruto Real, Tin Tin, Asterix, Spirou e Fantasio, Tio Patinhas, Mónicas, Mandraques), para alem de ler brincava-se na rua e ouvia-se rádio.
Ouvia-se rádio na rua, uns rádios pequeninos com antenas extensíveis enormes e capinhas de napa de cores variadas, existia ainda um sofisticado sistema de auricular (mono) que se acoplava ao dito e era ver aos domingos grupos de homens com rádios a ouvir o relato de futebol.
Nas aldeias as pessoas juntavam-se na taberna, na colectividade ou numa casa particular, juntavam-se onde existisse um rádio.
A minha avó tinha um rádio grande, com honras de naperon, verde claro, de baquelite, tinha um local tão privilegiado como a ainda recente televisão
Ouvia-se rádio para saber as noticias e para ter noção das novidades discográficas (ainda hoje se faz, principalmente durante a condução), mas na época era mais que isso: era a paragem total do país quando passava o folhetim (era o nome) do “Simplesmente Maria” , era a tia Maria que rezava o terço acompanhada quando não podia sair de casa, era “Os Parodientes de Lisboa ” ouvidos em quase todas as casas pela hora de almoço, era a minha tia Mariana que seguia atentamente o teatro radiofónico (As Pupilas do Senhor Reitor), era o mítico “Quando o Telefone Toca” onde ao preço de uma chamada telefónica se dedicava a musica mais romântica a quem se desejava, o excelente “Pão com Manteiga” fazia-me levantar mais cedo ao domingo para rir com um humor muito avançado, eram o “Rock em Stock” e a “Febre de Sábado de Manhã” quem regulava os ídolos e as novas tendências musicais.
No Barreiro houve mesmo um concerto fabuloso da “Febre” no Estádio do GD Fabril, numa época em que não existiam Festivais de Verão, excepto a Festa do Avante e os grandes Concertos aconteciam quase de dois em dois anos, uma tarde inteira de música ao vivo (GNR, Rádio Macau, TNT, Rui Veloso) era o mais parecido com o Rock in Rio.
Ainda guardo discos de vinil com o autocolante “Top nº 1 – Rock em Stock”.
Foi através da rádio que Portugal acordou na sua madrugada mais bela, foi através da ocupação estratégica da rádio que os Capitães de Abril recrutaram em poucas horas um povo inteiro.
Foi na Rádio que se ouviu o “pai do rock português” a cantar o “Xico Fininho”.
Foi na Rádio que ouvi que o Chiado ardia....

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Inquietação


Como isto tem dias, existem dias em que a raiva, a tristeza, a alegria, a desilusão, a amizade, se misturam de uma forma que me provoca uma grande inquietação.
Para ilustrar este estado de alma nada como o belo poema de José Mário Branco que m e espelha hoje perfeitamente a alma, mas sempre com a esperança ao fundo.

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal porque passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação

É só inquietação, inquietação

Porquê, não sei

Porquê, não sei

Porquê, não sei - ainda
Há sempre qualquer coisa que está p'ra acontecer

Qualquer coisa que eu devia perceber

Porquê, não sei

Porquê, não sei

porquê, não sei - ainda

Ensinas-me a fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco p'ra chegar
Eu não meti o barco ao mar
P'ra ficar pelo caminho


Cá dentro inquietação, inquietação

É só inquietação, inquietação

Porquê, não sei

Mas sei

É que não sei - ainda

Há sempre qualquer coisa que está p'ra acontecer

Qualquer coisa que eu devia perceber

Porquê, não sei

Porquê, não sei

Porquê não sei - ainda

Cá dentro inquietação, inquietação

É só inquietação, inquietação

Porquê não sei
Mas sei

É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está p'ra acontecer

Qualquer coisa que eu devia perceber

Porquê, não sei

Mas sei

É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer

Qualquer coisa que eu devia resolver

Porquê, não sei

Mas sei

Que essa coisa é que é linda

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cozinhar




Gosto de cozinhar.
Parte da vivência familiar, da infância foi feita á volta da cozinha.
Felizmente a minha avó era uma excelente cozinheira, tal como a minha mãe, de Inverno, principalmente eram largas as horas passadas a confeccionar vários pratos.
Os frutos da época eram conservados em marmeladas e compotas, das cascas e caroços preparavam-se frascos de geleia, a ginja preparada com todo o cuidado em aguardentes para se abrir anos mais tarde em dias de festa.
Tomate e pimento eram preparados em caldas.
O ritual de desenhar o arroz doce com canela.


O cheiro e cor das especiarias, da hortelã, coentros ou poejos.
Entre outras mazelas herdei os dotes culinários.
Quando estou muito bem disposta ou por oposição muito mal disposta dá-me para a culinária.
È uma tarde inteira de volta de tachos e panelas.
Nunca na minha infância comi um doce instantâneo e nem habituei os meus meninos a isso.
È frequente ficar uma tarde ou uma manhã a produzir: bolos, cozinhados, rissóis, panados e croquetes.
Segundo um grande amigo meu, com grandes dotes culinários, a quem dedico este texto, cozinhar descontrai.
Fez esta constatação depois de me explicar em pormenor o prato novo que tinha feito com pato, depois de um dia de reuniões e chatices várias.
È verdade cozinhar descontrai.
Para além disso os grandes convívios são feitos á volta da mesa, as grandes festas de família também.
Os grandes romances também passam pela mesa.
Das grandes cenas eróticas do cinema ficam a imagem do filme Nove semanas e Meia em que Mickey Rourke dá várias iguarias a uma Kim Bassinger vendada ou a cena de amor explosivo entre Jack Nicholson e Jessica Lange em que dão uma trepa na mesa da cozinha entre tachos e farinha, no Carteiro Toca sempre duas vezes.
Passe o tempo que passar são duas cenas fortíssimas.
Depois ainda se registam livros e filmes fabulosos ligados á temática: Delicatessen, A Festa de Babette, Como Água para chocolate, Intimas suculências, Vatel, Afrodite e Chocolat são exemplos.
Fazem crescer água na boca e sonhar…

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dão-me conta da paciência




Ainda agora que começou o dia e prevê-se que será longo.
Dou a volta pelas notícias e fico repleta de estupefacção:

No DN dou conta de que a Casa Branca acha que Berloscini dirige um país corrupto.
Mais valia a Casa Branca estar caladinha que também não é imaculada.
E a verdade é que o país que Berlusconi dirige é dirigido por um corrupto, são coisas distintas.

Nas notícias de ontem ainda, em vários sítios dão-me conta que o Papa está muito triste com o facto da Igreja Anglicana ter permitido que mulheres fossem ordenadas Bispo.
Fantástico!
O Papa que é aquele senhor que lidera uma instituição riquíssima que nunca se despojou dessa riqueza para ajudar o próximo.
O Papa que lidera uma Igreja que meteu o Evangelho na gaveta (onde é que eu já ouvi isto com outros sujeitos?) e em vez de amar o próximo passou os últimos dois mil anos a matar em nome de Amor e ainda nos brindou com autismo para outras desgraças do planeta., com um brinde maior de ter compactuado sempre com tudo o que foi regime fascista na Europa.
È esse senhor!
No Evangelho não diz rigorosamente nada quanto ao facto de uma mulher não puder celebrar a sua fé, no Evangelho também não diz nada quanto ao facto dos sacerdotes terem de ser eunucos o que leva a que alguns deles para além de terem raiva a mulheres se dediquem a outras práticas sexuais, que o Evangelho também não proíbe, já agora.
Eu também estou muito triste com o Papa e desconfio que ele não se chateia nada com o assunto.

Por fim a TSF diz que Irão testa um míssil com capacidade para atingir Israel. È pena é que ninguém teste um míssil para pararem todos de ser parvos e darem-me conta paciência.
Isso é que era de valor!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Colecção de Cromos



Quando eu era miúda coleccionava furiosamente cromos. Era todo dia a juntar tostões (tostões mesmo) para depois ir aplicar tudo na Papelaria do Ti Xico Câmara (Rua Aguiar) ou da Dª Laurinda (Rua Dr. Câmara Pestana).
Para além dos cromos massacrava nas papelarias, eu e todos, para me darem figurinhas que eram assim uns bonecos de papel com ar piroso que se colocavam religiosamente dentro das folhas de cadernos ou dos livros, junto com as pratas alisadas, com a ponta do dedo molhado em saliva, de gatinhos e ratinhos de chocolate Regina.
O ti Xico Câmara mostrava uma paciência de Job, a Dª Laurinda parecia um caracol saído da casca, toda encaracolada a segurar firmemente uma pasta com valores selados, de vez em quando a dentadura escorregava-lhe da boca e ela com um impressionante movimento de mandíbulas apanhava a dita cuja no ar.
Os cromos eram sobre tudo: o Vickie, futebolistas, profissões, povos do mundo, eu sei lá.
Mesmo sem perceber nada do assunto, nem os de futebol me escapavam.
Cada vez que lançavam uma caderneta nova era ver a miudagem a trocar cromos, uns eram sempre mais difíceis que outros e valiam mais, como tal existia uma bolsa de valores, o cromo x valia 3 ou 4 y.
Para colar os cromos entrava á socapa nos CTT e usava a cola ali instalada em boiões de vidro de yougurt com um pincel manhoso, até sermos detectados e sermos corridos dali.
Depois apareceram cromos autocolantes, coisa muito á frente.
Agora não dou conta de existirem colecções de cromos, nem guardei nenhuma das minhas colecções.
Agora colecciono outro tipo de cromos, os cromos da nossa governação por exemplo, aponto num caderninho citações perfeitamente absurdas que ouço em reuniões, actos públicos, sessões solenes ou reuniões, na Tv. e na rádio, e ainda escritas em qualquer lado.
A minha pérola é Algarvia e estava num tasco em Ferragudo

“Temos percebes” “We have understans”.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

As coisas que me irritam mesmo quando o sol brilha





A Estupidez – Faz-me impressão as pessoas as pessoas não usarem a cabeça para aquilo que milhares de anos de evolução produziu, o único animal com raciocínio.
Ninguém nasce ensinado, mas deve ser obrigação de cada um aprender sempre mais qualquer coisa.
Manter uma mente aberta, estar permeável a novas coisas.
O maior bronco é que não quer os jornais, mais um livro, ver um filme, falar com alguém diferente.
A pior estupidez é a estupidez de quem se convence que sabe tudo.
É uma estupidez arrogante, alarve.
De vez em quando cruzo-me com esses detentores de verdades absolutas e universais.
Ficam marcados na parte debaixo da minha escala de classificação

Atravessarem de costas a rua para os carros – É típico um grupo de pessoas atravessar a rua na diagonal de costas para a rua. Esperar no passeio que o semáforo fique verde para os carros e vermelho para peões, para atravessar a estrada. Empurrar o carro do bebé primeiro para a estrada, sair por detrás de um autocarro estacionado, ir de bicicleta no meio da estrada…

Cuspir para o chão – Cuspir no chão a par de fazer mijas na rua é das coisas mais badalhocas que se verificam nos portugueses. Há uns anos atrás um francês disse-me que eu não parecia portuguesa, porque conheciam os portugueses de costas na rua, porque eram as únicas pessoas que cospem no chão…
Quando ouço aquele ronco de puxar “a coisa” arrepia-se a alma.
È nojento, é javardo, é abjecto.

A unhaca – A unhaca é uma instituição para certos homens, não sei donde tiram a ideia que é um atributo. Para mim é uma desclassificação. As unhacas são ordinárias e geralmente lembram cornos. Já vi fazerem muito uso delas, desde tirar o burrié do nariz, coçar os genitais, tirar cera da orelha e o melhor no fim palitar os dentes.
Entra no mesmo grau de cuspir para o chão.

Estas são apenas algumas coisas que me irritam.

O Amor em tempos de Cólera


È um livro muito bom que me foi oferecido com uma dedicatória romântica daquelas que quando estou muito triste ou com o complexo “Calimero” posso olhar e encher com isso o depósito de amor-próprio para seguir em frente. Quando for velhinha também, com certeza, irá servir para me relembrar com alegria e um sorriso da estanha sensação da paixão.
Parece que também é um filme, que já foi filmado há já algum tempo mas que é mesmo bom de lançar agora porque o actor principal é o Javier Barden que ganhou o Óscar (tenho receio de que a adaptação seja uma espécie de assassinato).
Mas não era sobre o filme, nem era mesmo sobre o livro que relata um amor estranho e fabuloso de duas pessoas que se apaixonam, separam-se, seguem a sua vidinha e reencontram-se mais tarde, muito mais tarde, tipo cinquenta anos mais tarde e concretizam a paixão.
O conceito é engraçado, mas só nos livros, a realidade é outra coisa. Só mesmo já senil é que alguém acha que concretiza o amor aos setenta, senil, pitosga e visgolho, para além de com todos esses contratempos e desvarios do corpo e do espírito correr o risco de estar a concretizar qualquer coisa que não o amor.
O amor concretiza-se a prestações porque é como o título deste blogue, isto tem dias…
Dito assim não parece normal…
O que nos impele para o outro em primeira instância é o animal e primário desejo de procriar, se bem que procriar nessa altura do campeonato seja a última coisa que se quer
No entanto isso só não chega, passa, tem de existir algo mais, um carinho renovado, um respeito permanente e uma cota parte de liberdade.
Tudo isto são prestações de amor.
As prestações já se sabe são para pagar
Pagam-se porque nunca mais decidimos nenhum aspecto importante sozinhos, ou se o fazemos algo está errado. Pagam-se porque moralmente temos de respeitar, amar, acompanhar o outro na saúde e na doença, alegria e na tristeza, tudo isso, não por temor a nenhum Deus, mas porque assumimos esse compromisso.
Os tempos de cólera são todos…e estes particularmente e o amor concretiza-se todos os dias com tudo o bom e o mau… como nos livros.

sábado, 5 de julho de 2008

Viagra ao quilo


A ciência não pára de surpreender-me.
Parece, que em certos aspectos, as coisas vão bem encaminhadas, falo as recentes descobertas cientificas que dizem que: o sexo é algo absolutamente saudável e benéfico, em vez daquelas coisas que nos tentavam incutir, que as meninas tinham de se manter castas e os meninos podiam ficar ceguinhos; o vinho tinto tem um papel reconhecido no bom estado do organismo; o chocolate faz bem ao coração; os fumadores não tem Alzheimer; o café também faz bem a qualquer coisa, que não deve ser à memória porque agora não me ocorre.
Enfim esta semana mais uma boa noticia: a melancia tem propriedades fantásticas, nomeadamente:

Sertralina, que por acaso é um antidepressivo muito utilizado no combate ás depressões e à ansiedade. E aqui estou eu para atestar isso, porque se não fosse um comprimidinho dessa droga por dia andava com muito pior feitio.
Agora com este comprimidinho diário a juntar aos outros 8 ou 9 que tomo a coisa vai mais ou menos controlada, tirando quando tenho reuniões muito cedo de manhã e o organismo ainda não processou a Sertralina, aí tenho discursos inflamados sobre o Código de Trabalho e outras coisas chamando a atenção para situações diversas qual Passionária inflamada.
È naquela hora que o pessoal pergunta de onde terá surgido esta mulher que até se parece com a Ana num dia e fúria e tempestade.
Adiante não deixa de ser boa noticia, os comprimidos são carotes mas apesar disso não me parece que vá começar a andar com uma melancia na mala, tenho a mala sempre cheia de coisas estranhas, mas a melancia não me parece…

A outra descoberta é que a melancia é um vasodilatador e com caracteristicas semelhantes ao Viagra, sem os riscos do Viagra em si.

Quem é amiguinha, quem é?

Agora é só descobrir o slogan ideal:

Uma fatia por dia não sabe o bem que lhe fazia.
Coma melancia para manter a alegria.
Seja de noite ou dia coma melancia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mais umas notas soltas


O dia hoje começou cedinho, por imposição de trabalho e porque, talvez o corpo já pede descanso e fim-de-semana e como tal funciona a antecipação.
O Fim-de-semana prevê-se mais descansado do que habitual, a agenda está quase limpa á excepção da perspectiva de uma caracolada com amigos para encerrar o fim-de-semana.
Portanto as previsões são de calção e t-shirt velhota, no ripanço do lar, se calar com alguma dedicação á culinária, um bocadinho de namoro, um filme, talvez uma saída nocturna para uma esplanada agradável.
No entanto mesmo que eu não queira as coisas, por coisas as noticias, as observações, o dia-a-dia vem ter connosco.
Ontem na peregrinação ao supermercado deparei— me com cenas, que por muito que não queira registei, no balcão do talho uma jovem mulher com uma criança na mão pedia timidamente:
Um hambúrguer de vaca e dois de porco.
Quanto custa?
Quero mais quatro febras.
Quanto é que já está aí somado?
Três costeletas.
Quanto é?
Levo só duas.
Pagou e saiu com ar enfiado.
No final das compras dirigi-me ao cubo Zé (nome carinhoso com que trato o Multibanco, porque estou sempre á espera que o bichinho com aquele ar simpático me faça o manguito a dizer que lamenta muito mas a conta está nas lonas e não levo dali nem mais um cêntimo, que eu devo estar é maluca…)
Á minha frente um jovem casal com um bebé, introduziram o cartão e pediram levantamento a crédito.
Eu sei que é feio espreitar, mas no entanto tanto a aflição deles como as manobras chamavam a atenção.
O cubo Zé deu-lhes várias opções: Citty Banc, Credibom e outra qualquer.
Nas três o Cubo Zé saiu com aquele ar desolado e com um suposto encolher de ombros lamentando que não estava autorizado a tal coisa.
O casal saiu levando um maço de estratos que ia imprimindo a cada tentativa e ela com ar desesperado perguntava- E agora?
Não ouvi a resposta enfiei-me no carro e fui direitinha a casa.
Não ouvi as notícias, fiz greve.

Hoje de manhã consultei as primeiras páginas na Internet e descobri esta colecção de pérolas:

Bastonário da Ordem dos Advogados preocupado com situação social afirma que "Empresas públicas roubam os cidadãos" – Jornal de Noticias

As medidas anunciadas por José Sócrates para a ajuda das famílias mais carenciadas não terão grandes efeitos, diz o jornal Público. Este jornal diz que muitas famílias carenciadas já não pagam IRS e que a redução do IMI não lhes servirá de muito.

O jornal de Noticias dá conta que na Alemanha: Suicídio assistido de mulher saudável lança controvérsia jurídica

Por fim o Semanário Sol informa que João Vale e Azevedo ainda não foi notificado pelas autoridades britânicas sobre o mandado de detenção europeu emitido pelo Estado português, disse à Lusa o advogado Edward Perrott, da firma inglesa que representa o antigo presidente do Benfica

Enfim, Bom fim-de-semana.