sexta-feira, 27 de junho de 2008

Verão




Já aqui o escrevi, mas o Verão é a minha estação favorita.
Se pudesse ficava aí parada eternamente, ou voava atrás dele.
O Verão cheira a figos maduros e tem a música do grito das cigarras e o marulhar do mar.
O Verão é dias compridos com céus azul ferrete e ar transparente.
O Verão é tempo de brilho intenso e beleza eterna, do dourado da pele, da areia branca da praia a fazer de cama e a escorrer entre os dedos devagar qual ampulheta partida.
O Verão é o cheiro a sal e iodo do mar e embalo das ondas.
È noite num Parque de uma cidade com amigos a rir, com um copo entre os dedos, e sem olhar para o relógio.
São figos com o seu mel, são frutos rubros como beijos carnudos.
São copos altos com chá de menta gelado
São Ginger Ales, Cubas Livres, Gin Tónicos, Caipirinhas e limonadas.
São saladas, quilos de salada, tomate rubro, cebola nova, pepino acre, pimento assado, orégãos, azeite e vinagre.
Peixe e carne na grelha.
Vinho verde fresquinho na esplanada de um bar virado para o rio ou para o mar acompanhado com amigos.
São sestas nas férias.
São cores ocres, amarelos dourados, casas brancas com barra azul, um chaparro no meio da charneca, o cheiro da erva madura, da espiga.
São cheiros de flores, são terraços abertos para noites estreladas.
São praias em maré-cheia, com água fria e transparente.
É andar descalço, é roupa leve.
São carícias e sussurros.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Amanhã é outro dia








Pronto, hoje o dia não correu mal de todo.
Entre coisinhas que aborrecem, apareceram algumas do foro familiar muito boas.
Amanhã é outro dia, sexta feira, amanhã, depois do trabalho visto um trapinho mais giro, levo mais um bocadinho a pentear a melena, dou um toque nas pálpebras com pó fininho tipo pó de asa de borboleta, faço os olhos maiores escurecendo a pestana, dou mais um brilho nos lábios e abuso no perfume.
Vou jantar com amigos e sem os meus homens que seguem para outra coincidente comemoração (paciência não se pode estar em todo o lado).
Depois do jantar acho que me lixo para os comprimidos e marcho para beber um copo com os amigos, descontraidamente numa esplanada ou num bar com boa música.
Faço intenção de fechar a semana assim.



Entretanto ainda falta a noite de hoje e o dia de amanhã e hoje registaram-se as seguintes notícias fantásticas:

Em Santa Maria da Feira, num julgamento sobre tráfico de drogas, os arguidos agrediram os Juízes.


A Ministra da Saúde admite que já se registaram nos Hospitais casos de crianças de 7 anos em coma alcoólico.


O Programa Escola Segura da PSP aprendeu 15000 doses de haxixe e 710 de cocaína nas imediações das Escolas Secundárias, 2+3 e Básicas integradas.


Um em cada quatro portugueses admite que fica sem dinheiro depois de pagar as despesas essenciais.

quarta-feira, 25 de junho de 2008



Conforme estava previsto foi aprovado o novo Código do Trabalho.
Meses de negociação, de “dialogo” segundo o nosso governo levaram á conclusão já esperada: o Acordo foi assinado entre Patrões, que consideram ainda assim que ainda é pouco; Governo, que escuso de adjectivar e UGT, que no fim vem apelar á união doos trabalhadores.
Dos patrões e Governo não esperava nem mais nem menos, no caso da UGT consegue ainda assim surpreender-me, sempre na negativa, não eu não acredito no Pai Natal, mas ainda assim face ao estado de desgraça, miséria, desemprego, de quebras de direitos, de recuos em toda a linha, de fecho de empresas, de tudo o que nos atormenta, ainda assim tinha uma restia, pequenina, de esperança que a UGT tivesse vergonha e não se prestasse ao papel de cão amestrado ou de bobo da corte e impedisse o maior atentado ás Conquistas de Abril, até agora feito.

Assim e com a alma muito amarga deixo aqui sugestões para o titulo do compendio também conhecido como Código de Trabalho:

NOVO MANUAL DE VAMPIRISMO

A ESCRAVATURA DO SÉCULO XXI

COMO FORNICAR DEZ MILHÕES DE PESSOAS EM SIMULTÂNEO, SEM VASELINA OU PRELIMINARES COM O BÓNUS PARA AS GERAÇÕES VINDOURAS

Seriam nomes mais apropriados
È claro que as posições da oposição foram as esperadas:
PSD – O Governo nesta matéria está no bom caminho.
CDS/PP – idem, mas ainda se podia ir mais além
PCP – Assume que é a maior ofensiva aos Direitos dos Trabalhadores desde sempre
BE – Idem

O Nosso Presidente irá com certeza apoiar e promulgar o bendito, afinal está preocupado com a falta de elites em Portugal e empenhado em festejar o Dia da Raça.
O Parlamento com maioria PS irá votar a favor, pode ser que Manuel Alegre tenha muita vergonha e vote contra ou então que não compareça na Assembleia nesse dia, na prática é igual.

Se para o ano depois de: se distribuírem beijinhos, esferográficas e aventais; se dar menos de metade do terço daquilo que nos roubaram em poder de compra nos últimos três anos; distribuírem mais uns “rebuçados” e fizerem mais promessas inflamadas; depois disso se este povo entregar nas urnas a maioria outra vez a esta canalha eu acho que desisto de ser Portuguesa.
Não passo a ser traidora á Pátria é a Pátria que me trai a mim!

terça-feira, 24 de junho de 2008

As cuecas dos homens






Não existe figura pior que um homem de cuecas e peúgas.
Seja qual for o modelo, podem ser slips, boxers ou tangas, podem ser peúgas 100% lã sem elástico ou mesmo daquela branca com raquetes, é simplesmente horrível.
Como tenho dois rebentos do sexo masculino ando a ensinar-lhes para que nunca aparecem assim a nenhum a nenhuma fêmea, que pode muito bem implicar o fim do romance e eu quero que os meninos tenham uma vida amorosa feliz.
Adiante a roupa interior feminina sempre teve um grande fascínio para os homens, é fácil ver um gajo a babar-se com qualquer catálogo de lingerie e sempre assim foi.
Os exemplos são incontáveis: no romance “Aristocratas” de Stella Tillyard existe um Lord que fica altamente excitado com a visão das pernas da Lady envolvidas em meias de seda que mandava importar de propósito, nos romances de Eça de Queiroz as referências são mais que muitas, nos de Balzac a mesma coisa e assim por diante…
A roupa interior feminina sempre foi bonita, mesmo quando era castradora, tinha rendinhas e bordados, era complicada mas era bonita.
Quando as senhoras se espartilhavam com corpetes com barbas de baleia, mas com ar sexy, eles envergavam umas ceroulas pirosas.
Depois tudo se foi a modernizando e chegou a simplificação, soutiens, cuecas mais pequenas, cintas e tal, sempre com um bordadinho, uma rendinha, uma transparência e tal.
Houve rebeldias ao uso do material castrador.
Entretanto não existe gaja que se preze que não goste de lingerie, mais ou menos confortável, mais ou menos colorido.
No entanto eles tá quieto ao mau, slips horrorosas azul cuecas ou com padrões de cornucópias foleirosas, ceroulas de berguilha, tudo um horror.
Isto para dizer o quê, felizmente chegaram ao mercado roupas interiores masculinas de jeito, cores variadas, vários feitios, um ar mais agradável e convidativo.
Por isso é meus amigos, despejem a gaveta da roupa interior e invistam um pouco é para vosso bem.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

CONTAS DE SUMIR


Eu cá não sou economista, engenharia financeira só mesmo a doméstica.
Sei que não posso gastar mais do que aquilo que tenho o que se torna sempre cada vez mais difícil atendendo á inflação, aumento de combustíveis, taxas bancárias, aumento do preço dos cerais, etc. e tal.
Falo disto porquê?
Porque se assiste a um movimento politico/financeiro que leva a deslocalizar (palavra nova e feia que nem com o novo acordo ortográfico se entende) empresas para locais no globo onde as pessoas trabalham por pouco mais que uma tigelinha de comida.
O fenómeno não é novo e cá em Portugal são inúmeros os exemplos.
A justificação é baixar os custos de produção. Os custos de produção de variadas coisas: sapatos, roupa desportiva, material electrónico, automóveis, computadores, etc.
Até aqui tudo percebido.
Para trás em países como o nosso fica um rasto de desemprego.
Agora pergunto eu:
Quem é que vai passar a comprar o material produzido?
Os que ganham a tigela de arroz por doze ou catorze horas de trabalho ou os desempregados do fantástico mundo ocidental.
Onde vão arranjar consumidores, é que sem dinheiro não há palhaços…
Por outro lado o dinheiro “parado”, constroem-se casas que não se vendem ou que se vendem mas que não se pagam, aliás o nível de endividamento das famílias portuguesas ultrapassa os 100%, grave e preocupante.
Estranhamente ou talvez não a chamada economia paralela atinge píncaros: obras sem factura, consultas e intervenções médicas e cirúrgicas sem recibo, etc.
Os Portugueses oscilam entre ter carros de grande cilindrada, roupas de marca e férias exóticas, com recurso a créditos fáceis por telefone ou cartões dourados, prateados e multicores a não terem dinheiro para comer e pagar as necessidades básicas: agua, luz, casa, livros escolares e comida.
Não é virgem nem desconhecida a situação de casais que adquiriram casas novas no limite do endividamento possível, juntaram a isso um “jeep de cidade”
(que é por si só um conceito estranhíssimo) e agora mantêm o bendito estacionado á porta, por falta de verba para lhe dar de comer.
Basicamente a classe média sobrevive com créditos de sonho que a curto médio prazo serão de pesadelo e de contas de sumir.
Agora vão começar a aparecer soluções pseudo maravilhosas daquelas que já toda a gente sabe, é necessário investimento e desenvolvimento, mas é dispensável o esbanjamento alucinado de meios e dinheiros em TGV’s como o foi antes em estádios de futebol.
De facto é que se não existirem salários condignos não existe consumo real e sem consumo real a economia pára.
Não serve de nada abrirem milhentos Centros Comercias, Outlets e hipermercados anunciar preços baixos se a maioria não puder lá ir ás compras.
Digo eu que não percebo nada disto….

sexta-feira, 20 de junho de 2008

APONTAMENTOS



Energia Negativa

A selecção Nacional perdeu, os noticiários da hora de almoço brindavam os telespectadores com várias teorias e reportagens especiais.
A mim pareceu-me á primeira vista que perderem porque os Alemães marcaram um golo a mais.
Mas também não percebo muito do assunto.
Agora que esta “anestesia” colectiva parou vamos ver o que acontece.
Pode ser que os Portugueses abram os olhos para a crise, para o preço dos combustíveis, para desvalorização dos salários, etc.
A chatice é que á conta do Europeu a malta sempre se juntava para comer caracóis, mesmo eu que não ligo nada ao futebol mas ligo muito aos caracóis, e agora temos de arranjar outros pretextos.
A chatice dos Jogos Olímpicos é que a China tem uma grande diferença horária e eu acho que não conseguimos abrir o tasco ás 4 da manhã para o petisco, enquanto se vê a esgrima.
Parece que como há quatro anos atrás não ardeu nenhuma Mata durante o tempo que a Selecção se manteve em competição e a partir de hoje vai haver pessoal que o desgosto dá-lhes para os fósforos, pelo menos esta é a teoria de uma amiga.


Mário Machado

Mário Machado diz-se vítima de discriminação!
O Homem que lidera ou liderava um grupo xenófobo de extrema-direita, grupo esse implicado na morte de um homem com o único motivo de ser negro e na morte de um dirigente do PSR.
Mário Machado, o homem que mostrou na TV a sua colecção de armas ilegais que quer correr com os emigrantes de Portugal.
O homem até disse que estava a ser vítima da Inquisição. Coitadito.

Agora são Autocarros

Associação Rodoviária de Transportadores Pesados de Passageiros (ARP) lançou hoje um ultimato ao Governo. Caso a tutela não aceite as suas propostas para compensar o aumento do preço do gasóleo, em Julho haverá uma marcha lenta de autocarro.
Se calhar são todos comunistas…

Olha a Laranjinha

Começa hoje o Congresso do PPD/PSD.
A nova líder manteve estranhamente, ou não, caladinha, apesar de todas as convulsões que assombraram o pequeno reino há beira-mar plantado desde que foi eleita dirigente.
Aguardemos


A Batalha campal

Algures dentro de mim desenvolve-se uma batalha campal.
Tenho um exército de células más a crescer nuns sítios e faltam-me células boas em locais estratégicos.
Não, não acuso falta de neurónios.
Segunda-feira é mais uma etapa onde se vai avaliar o equilíbrio das forças.
Quando se aproximam estas datas só tenho vontade de me fechar dentro de mim.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

OS PAPALAGUIS




O Papalagui é um livro com os discursos do chefe Tuaivii, de uma ilha dos mares do sul descrevendo a forma como via o Homem Branco (Papalagui).
Os textos são cómicos se não optarmos pelo lado trágico que carregam, neles o chefe, entre outras coisas, espanta-se pela escravidão do Papalagui ao metal redondo e ao papel forte (dinheiro), pelo facto do Palagui se embrulhar em panos e peles mesmo quando não está frio, pela loucura do Papalagui em querer dividir o tempo e dizer que não tem, como se fosse possível dividir tempo ou possui-lo…

Falo neste livro porque quando o lemos revemo-nos no Papalagui e ficamos apreensivos com a quantidade de coisas mesquinhas que encontrámo-nos para nos dificultar e sobrecarregar a vida.
È claro que não me importava nada de viver numa ilha paradisíaca dos mares do sul, onde todos os dias fossem domingo, com aguas claras e transparentes, peixe pescado na hora, árvores de fruto e flores exóticas… Não é possível, já sabemos.
Mas por outro lado dou comigo a examinar uma legião de papalaguis sem tempo e com uma vida de compromissos e de restrições e pobre em….vida.

Falo outra vez das nossas crianças e por nossas crianças entende-se os meninos deste país, integrados no sistema escolar público ou privado, uma classe média abrangente.

Hoje ter um filho é arriscado, arriscado por ser caro, arriscado por motivo para perca de emprego, etc..

Mas arriscado é ser criança hoje.
A maioria das crianças após os 4 ou 5 meses das licenças de maternidade ou paternidade entra num rodopio de compromissos.
Entram para uma creche ou para uma ama onde irão partilhar o colo com outros.
Pais levam-nos quando eles ainda estão envoltos em sonhos, vestem-nos e levam-nos ainda sonolentos de carro, de transportes colectivos ou para uma qualquer carrinha de um colégio.
Se vão para tal carrinha ou minibus percorrem por vezes durante uma hora as ruas do mesmo burgo a recolher outros meninos sonolentos e chorões.
Vão para a escola com sono e a correr, almoçam com tempo contado, brincam com tempo contado, saem da escola vão para o colégio, para a ginástica, para o Inglês, para a música, para a explicação, vão para outro desporto qualquer, chegam a casa cansados, tomam banho dado por mães e pais cansados que lhes dão a seguir um jantar apressado, deitam-nos num quarto cheio de brinquedos comprados para compensar a falta de tempo, de abraços e de colo.

Em estudos recentes estima-se que a esperança de vida dos nossos filhos seja inferior á nossa em cerca de vinte anos.

Comem muito, muitos cerais açucarados, produtos embalados com cremes sintéticos, hamburgers com molhos, refeições pré-feitas congeladas, ricas em gorduras, açucares e hidratos de carbono, pobres em proteínas, em ferro em vitaminas.
Comem boiões de fruta processada, pensam que o leite nasce em pacotes.
Muitos deles não se podem rebolar na erva ou comer amoras apanhadas das silvas.
Sabem nadar em piscinas com água a cheirar a cloro e toucas de silicone, muitos não sabem andar de bicicleta ou fazer um jogo espontâneo, ás escondidas, á apanhada.
Nunca espreitaram ninhos, nunca apanharam girinos, nunca roubaram fruta, nunca partilharam um gelado, nunca se afastam de um local sem rede para os telemóveis coloridos que servem de cordão umbilical.

São obesos, pálidos, intolerantes á lactose e ao glúten, sofrem de alergias várias, que os impedem de brincar nos resquícios de campo perdidos na cidade.
São pobres meninos ricos.
São uns pequenos Papalaguis…

terça-feira, 17 de junho de 2008

Os meninos perdidos


Há duas décadas que lido com meninos perdidos.
Não no conceito aventureiro e lírico do Peter Pan.
Estes meninos vivem perdidos noutros limbos de misérias várias.
As histórias são muitas, passo a citar apenas duas, com outros nomes é claro.
Estas crianças foram acompanhadas por uma equipa multi disciplinar, oficiosa, de profissionais que sem conseguirem respostas institucionais meteram mão á obra, sem meios, sem recursos e sem apoios.
Éramos umas quantas mulheres de boa vontade: eu, uma professora de ensino especial entretanto já vencia por um AVC, algumas Professoras de Ensino Básico, uma Enfermeira do Gabinete de Saúde Escolar já reformada, uma Assistente Social já avó, com muita garra, que ainda hoje na casa dos setenta continua activa em regime de voluntariado em várias frentes, algumas do Centro de Saúde que não dormiam descansadas quando misérias várias lhes passavam pelas mãos. O único apoio vinha de uma Autarquia Local, no seu degrau mais pequeno.
Começámos a intervir quando depois de recorrermos á vários projectos Interministeriais de vários Governos se revelaram um logro. Eram projectos bonitos na sua essência eram feitos seminários pomposos, em hotéis com pastas bonitas, delineadas estratégias e metas impossíveis, recordo por exemplo o PIPSE ou o PEPT2000. Dinheiro e meios nunca apareceram.

A História Maria

Maria era menina franzina de pernas compridas e olhar parado quando a conheci, após apelos vários da Professora e da Professora de Ensino Especial que a tentava acompanhar, decidimos visitar in loco a casa de Maria. Era uma casa pequena muito sujo com duas tristes assoalhadas onde o lixo, roupa, alguidares, tachos e calçado se espalhavam pelo chão.
A mãe aparentava boa saúde mas mantinha-se na cama aprisionada por diversas doenças imaginárias, o pai pequeno biscateiro tinha fama de pedófilo e pequeno gatuno, o irmão montava e desmontava motas que apareciam não se sabe de onde, suspeitava-se de um pequeno trafico de estupefacientes.
Quando entrámos ficamos cobertas de pulgas.
Havia um divã para o irmão e o leito conjugal era dos pais e da Maria.
A Maria apresentava atrasos de desenvolvimento, uma estrutura franzina, tirando as refeições escolares nunca comia a horas certas. Despontavam-lhe uns tímidos seios.
A casa foi limpa por desinfectantes comprados por nós, aplicados por funcionários da Higiene Urbana da Autarquia que descobriram que o chão depois de limpo era de tacos de madeira e não cimento. Tal a quantidade de porcaria. Foi dada uma cama com colchão para a Maria.
Foi vista pela médica, foi aplicado remédio para os piolhos.
Foram deitadas fora roupas e enormes quantidades de lixo.
Passado pouco tempo estava tudo igual.
A Maria já não frequentou o ciclo porque não valia a pena, diziam os pais.
Hoje tem vinte e poucos anos e dois filhos, um mulatinho, outro mais pálido, não sei quem são os pais das crianças, a Maria na sua fome de afectos deve ter confundido a luxúria com amor. Os meninos têm o olhar parado e triste da mãe.


A História de Rodrigo

Rodrigo tinha 6 anos quando o pai morreu num acidente de motorizada.
A mãe de seguida abandonou-o a ele e ao irmão adolescente, na casa abarracada onde vivia.
O irmão depressa se perdeu no consumo de heroína e no pequeno crime.
Quando estava mais ou menos lúcido e com dinheiro atafulhava o irmão de chocolates, coca colas, bolicaos e rebuçados.
Construímos uma rede de apoio enquanto esperávamos uma resposta do Tribunal de Menores:
Dávamos-lhe banho 3 vezes por semana em casa da Professora
Preparava-se comer a mais na cantina escolar para o Rodrigo
Adquirimos o material escolar necessário com o apoio de um grupo de pais. Porque para o Rodrigo ter apoio tinha de ser pedido por um encarregado de educação que não existia.
O Rodrigo era levado ao médico e á vacinação por nós.
O mesmo grupo de pais arranja a roupa e revezava-se para as datas festivas como o Natal e férias, para fins-de-semana em casa de colegas.

O Rodrigo tinha uma tão grande sede de amor que sempre que estava com uma de nós aninhava-se ao nosso colo com os braços solidamente presos ao nosso pescoço.
Conseguimos uma declaração da mãe em como prescindia da custódia do menino, por esta altura a mãe prostituía-se num pinhal da zona, para onde era levada pelo companheiro de que já tinha outro filho, igualmente votado ao abandono.
O irmão percebeu que qualquer coisa era melhor que aquilo.
Ao fim de dois anos o Tribunal de Menores emitiu a seguinte ordem: o menino devia de ser entregue a uma Instituição, em Lisboa em regime de internato.
Quando vimos o nome da instituição ficámos sideradas, tratava-se de uma instituição para deficientes mentais profundos.
O Rodrigo não era deficiente, iria com certeza fugir e dedicar-se a ser um menino de rua com todo o seu calvário.
Conseguimos com os nossos meios colocá-lo noutro lado.
O Rodrigo cresceu, é pai, trabalha numa oficina de mecânica, saúda-nos com sorrisos rasgados e abraços fraternos quando se cruza connosco.
O Tribunal nunca perguntou onde é que ele estava…

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ideias Luminosas


O Isaltino de Morais foi pronunciado hoje num Tribunal qualquer de um crime qualquer, que cheira-me vai ficar assim mesmo.

A Dª Manuela Ferreira Leite não concorda com serviços de saúde gratuitos no Serviço Nacional de Saúde.

A Entidade Regulador conclui que face ao número de facturas de electricidade que não é possível já a cobrança arranjou a solução, vai esse dinheiro ser dividido equitativamente por todos os bons pagadores. È coisa pouca dá cerca de mais um euro por factura a agravar no bom pagador. Claro.

Um barco de pesca artesanal morreu na praia, várias horas de espera, inexistência de socorro. O barco foi socorrido por outro barco de pesca. Os pescadores clamam, ao que parece, há já bastante tempo, por meios de socorro. O barco ficou arrumado parece para a posteridade, três famílias de pescadores ficaram sem sustento, o seguro cobre cerca de um terço do valor do barco.

Em Penafiel deve de andar uma toxina qualquer no ar, afecta sobretudo mulheres que não conseguem ter filhos e acham que podem perfeitamente entrar pelo Hospital a dentro e roubar recém-nascidos. Outros afectados pela toxina são os gestores do Hospital que apesar de isto não ser novidade ainda não conseguiram implementar um sistema seguro, tipo de controle de entrada nas enfermarias, ocorre-me um segurança ou então a porta fechada fora das horas de visita com uma campainha e que para entrar quem quer que seja tenha que se identificar. Não?

Os donos de reboque a nível nacional protestam porque há cerca de 10 anos que as seguradoras não actualizam o preço que pagam por reboque. Arranjou-se uma situação miraculosa, as seguradoras para já pagam o mesmo o diferencial é pago pelo desgraçado que ficou com o carro empanado e que paga o seu seguro a tempo e horas e com aumentos anuais.

Até amanhã, talvez…

E agora?






No outro dia dei comigo a ouvir atentamente a Amy Whinehouse, quando percebi que a rapariga cantava que não queria ir para reabilitação, não, não…
Como mãe fiquei chocada, então anda-se a promover o consumo de drogas na nossa rádio e num Festival de Rock que tem como título “Por um mundo melhor”?
Depois parei para pensar:
Então e o Jimmy Hendrix?
E a Janis Joplin, e o Ray Charles, e os Beatles com o seu Lucy in the Sky Diamonds (alusão clara ao LSD), e o David Bowie, e a mítica canção Sex and Drugs and Rock and Roll, e o fantastico “Cocaine” de Eric Clapton e por fim, não por não haver mais mas simplesmente porque era exaustivo, uma das minhas favoritas Brown Sugar dos Rolling Stones, que de certeza não se refere ao açúcar amarelo…
Na música dos últimos 50 anos, exemplos não faltam, exemplos de bons músicos, bons letristas e de óptimas canções.
E o nosso Fernando Pessoa?
Fiquei a pensar comigo “Porra mulher não podes ser hipócrita”.
Pois muito destas músicas e destes músicos tem o seu cantinho especial na minha vida, mas isto não para por aqui, a nível de cinema por exemplo o mítico Táxi Driver foi escrito e realizado quando Scorcese andava sob a influência de consumo de diversas drogas.
Outro dos meus filmes de culto “Do Fundo do Coração” de Coppola é quase por si só uma “viagem”.
Todos sabemos os efeitos nefastos do consumo de drogas, a destruição que as mesmas representam. Quem tem filhos vive com este grande medo. Por outro lado sabemos que nem tudo é igual, e os outros vícios, os legais: jogo, tabaco, cafeína, álcool e até trabalho. Eu costumava experimentar enxaquecas ao fim de semana, falta de adrenalina.
No que é que ficamos?
Aceitam-se sugestões.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

VIDA MALVADA

Adeus vida atinada

Dos horários e das bichas

E das gripes do inverno

E do suor do verão


Adeus vida atinada

Adeus às práias

Cheias de gente

E um beijo p`ra quem fica


Adeus vida atinada

Ter de dormir sete horas por dia

Ir para o trabalho e ainda é de noite

Sempre o mesmo a todas as horas


Adeus vida atinada

Das mil maneiras de passar fome

Adeus às práias

Cheias de gente

E um beijo p`ra quem fica


Mudar de roupa, soltar o cabelo

Dormir no carro, todo nu em pelo

Dizer que hoje o dia está perfeito

Pôr óculos de sol a torto e a direito

Pois hoje vou pegar na guitarra

É hoje que eu me faço à estrada

Olá ó vida malvada


Escorrega e desliza

Nessa estrada de vento

Sempre, sempre, sempre


Adeus às práias

Cheias de gente

E um beijo p`ra quem fica






Quem me conhece sabe que tenho um fraquinho com Xutos e basicamente acho as suas letras poemas. Espero sempre que num futuro não muito distante sejam reconhecidos pela sua lírica. Acho que os meus filhos têm sempre um bocadinho de vergonha desta faceta roqueira da mãe, mas paciência.
Hoje, sexta-feira 13, dia de sorte ou azar na roleta do referendo na Irlanda, tudo aponta para que a sorte nos dê a todos habitantes deste cantinho do mundo a vitória do Não.
Tenho que dizer que não tenho pena nenhuma que esta situação venha a invalidar a carreira politica do nosso primeiro-ministro ou doutro qualquer ex-primeiro ministro daqueles que acharam o Tratado de Lisboa Porreiro.
Eu cá não acho!
Voltando á letra do Xutos acima transcrita, é isso mesmo que me apetecia fazer, pegar na Vida Malvada, deixando para trás todas as pequenas coisas do dia-a-dia que nos amesquinham e diminuem, que nos fazem sentir menos livres.
Felizmente está a chegar o calor e astro-rei a brilhar no céu dá-me sempre mais alento.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Os meus meninos


Os meus meninos já não são meninos.
Cresceram depressa demais, sem eu quase dar por isso, das fraldas e babetes passaram aos bancos de escola, de meninos de colo passaram a querer ir ao cinema com os amigos, de histórias á noite passaram eles a contar-me histórias.
São dois homenzinhos, grandes, a quem tenho que mandar fazer a barba, com duas personalidades únicas e desiguais que me deixam no espanto do mesmo material genético produzir cocktails tão diversos.
Calçam uns sapatos enormes, vestem a roupa que escolhem, dão respostas como se pai e eu fossemos tontos e ignorantes, descobrem a música dos anos 80 como se tivessem descoberto a pólvora e ficam espantados quando lhes mostro os mesmos discos em vinil.
Monitorizam as nossas saídas e quando nós país chegamos a casa um vai-se deitar já tranquilo com a complacência de já termos chegado e outro pede satisfações face ao adiantado da hora.
Os meus meninos já saem sozinhos.
Os meus meninos descobriram o amor, andam com aquele olhar esgazeado e contam os minutos para estar com elas.
Parece que ainda ontem eu fazia o mesmo, ainda me lembro da aflição, do estômago cheio de borboletas, dos primeiros sussurros, das primeiras carícias, dos primeiros desgostos.
Tento dizer-lhes umas coisas, coisas para além das doenças e das gravidezes inesperadas, tento dizer que vão ter muitos amores que ainda é cedo, que tenham calma.
Sei que não serve de muito ou melhor não serve de nada, os meus meninos vão aprender sozinhos.
Logo lhes darei a mão.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A rã



Já morreu um camionista.
O Governo está preocupado com a liberdade de quem quer trabalhar.
O Presidente da Republica não se retrata do “Dia da Raça”.
Os aviões já não podem ser abastecidos na Portela.
Os Transportes Públicos podem começar a falhar.
O Zé diz que não pode dar troco a todos os que protestam.
Os supermercados começam a ficar despidos de comida.
A capacidade de armazenagem de leite está a ficar a esgotada.
O Zé diz que não pode dar troco a todos os que protestam.
Há camiões incendiados.
A Europa discute o aumento do horário semanal de trabalho para 65 horas.
O Zé diz que não pode dar troco a todos os que protestam.
O Aníbal podia dizer-lhe que o seu princípio do fim também foi com os camionistas.
O Zé diz que não pode dar troco a todos os que protestam.
Portugal vai jogar outra vez com os Checos, isso é que importa.
O Zé diz que não pode dar troco a todos os que protestam.

Há uma teoria:

Uma rã numa panela de água quente salta.
Uma rã numa panela de água fria aquecida lentamente, fica.
Fica até ficar cozida e morrer.

Ainda não viram que isto está a escaldar?!

terça-feira, 10 de junho de 2008

O PORQUÊ DAS COISAS

Ofereceram-me o livro tinha eu uns dez anitos, o livro explicava uma série de coisas, na sua maioria inúteis, mas era o nosso tira teimas de duvidas existências diversas. Á medida que fomos crescendo o livro foi-se revelando inútil, acho que ainda anda cá por casa, os meus filhos também não lhe ligaram grande importância.
Poucos anos decorridos sobre o final do interesse do livro, os meus primos descobriram vários volumes sobre a vida sexual, eu descobri um livro do meu pai sobre o erotismo no cinema e a minha melhor amiga descobriu o Kama sutra escondido atrás das garrafas no móvel bar do pai, pois que passámos estar entretidos com múltiplas teorias sobre todas aquelas imagens e dados recentes que nos atingiram em cheio naquela fase da adolescência em que as hormonas andam ao estalo e com as garrafas do Bar, obviamente.


Enfim, hoje fazia jeito uma edição revista, actualizada e para adultos de um Livro que me explicasse o Porquê de coisas que cada vez mais são incompreensíveis e me deixam num limbo de obscuridade:

Miamar, que antes foi Burma, que antes foi Birmânia sofreu um terramoto que matou, estima-se mais de dez mil pessoas. È um país pobre, governado por uma Junta Militar, daquelas que se pensava que já não existiam. A Junta Militar impede a chegada de ajuda humanitária e existe a ideia que muito mais de dez mil vão morrer em consequência desta situação. O grande mistério que gostava de ver explicado é porque que a porcaria da ONU ainda não determinou uma intervenção naquele país? Onde é que está a sagrada aliança defensora, supostamente, dos Direitos Humanos, refiro-me á NATO e acima de tudo aos EUA? Estão de folga? Não há lá petróleo, nem diamantes, nem nada que lhes interesse? Pois.



O Presidente da Republica deu conta do seu espanto e receio aquando das Comemorações do 25 de Abril, face ao afastamento dos jovens da política e ao desconhecimento generalizado da história recente. Para chegar a essa conclusão encomendou um estudo a uma Universidade qualquer, que foi pago por nós. Mas era perfeitamente dispensável tanto trabalho, foi a actuação dos governos nos últimos anos na qual se inclui Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Vítor Constâncio, Pedro Santana Lopes, António Guterres, Durão Barroso, Isaltino de Morais, Paulo Portas, Paulo Pedroso, Ferreira do Amaral, Jorge Coelho, e tantos outros, que moldou a imagem geral do politico português: corrupto, mentiroso, empenhados em retirar Direitos e Regalias aos Portugueses, em busca de tacho, dado a negócios estranhos onde os prejudicados são os mesmos que pagaram o estudo. Nós. Agora pergunto: referir-se ao 10 de Junho como o “Dia da Raça” não será mais uma contribuição para esta situação Senhor Presidente? Não?!



O Primeiro-ministro foi vaiado por populares nas Comemorações oficiais do 10 de Junho. Trivial, começa a ser tradição, no entanto ele desvaloriza, acho que não é significativo. Então os protestos dos camionistas? Não também não significativos, percebe, mas não são significativos e o governo está convicto que está a tomar o melhor rumo para o país, não se pode neste momento tomar medidas populistas (tem que se esperar pelo ano que vem). Então não poderá ter de recuar como foi no caso dos pescadores? Não, não repare que no caso dos pescadores o Governo não recuou antes pelo contrário. – ANTES PELO CONTRÁRIO? Então uma pescadinha de rabo na boca antes pelo contrário é uma marmotinha com a boca no rabo. Deve ser. Qual Mistério aqui? É perceber, no caso de Deus existir, porque não o extermina, fulmina, reduz a pó a sal, qualquer coisa. È que para além de mentiroso e mau é estúpido.

Constatações sem mistério mas dignas de registo:

Existem Bombas de gasolina a ficar secas sem abastecimento.
Os bens essenciais começam a escassear devido á paralisação dos transportes.
O 10 de Junho é dia da Peregrinação a Fátima de crianças acompanhadas de catequistas.
O que importa é que a selecção ganhou á Turquia.

Um pedido:

Se por acaso encontrarem a tal edição do Livro, digam-me. Obrigado



sexta-feira, 6 de junho de 2008

Indiana Jones e o realizador taralhouco.



Devia de ser o título deste ultimo filme.
Não sei estão a ver um bolo com: chantilly, cereja no topo, caramelo, fios de ovos, glacé, chocolate, gila, amêndoa torrada, nozes, caganitas de chocolate e ás cores, creme de pasteleiro, açúcar de confeiteiro e sei lá…mostarda! È assim este filme.
Pronto o moço está velhote, isso já se sabia, mas pronto o 007 não é nenhum rapaz novo, nós sabemos que aquelas proezas são de facto impossíveis mas são verosímeis, agora isto é uma salada.
Ver este filme foi tão penoso como seria ver a Liza Minneli agora a fazer o Cabaret, percebem? È assim uma má caricatura de si próprio.
Então neste filme entra: O Indiana Jones;o filho do Indiana Jones; a primeira namorada do Indiana Jones na “Arca Perdida”; uma Russa muito má que é a Cate Blanchet (que parece uma versão morena da personagem que fez no Senhor do Anéis); um grande amigo inglês do Indiana Jones que nunca tinha aparecido e que está passado da marmita; mais outro inglês amigo do Indiana Jones que nunca tinha aparecido mas que é um traidor, e depois não é e volta a ser; os elementos do KGB, que movimentam-se com toda a naturalidade na área 51 e noutros locais dos States, isto em 1957, também carregam carros anfíbios, camiões e outras coisas para meio de nenhures na Amazónia (pronto tá bem isso também acontece nos outros filmes); o ET (sim senhor); o Alien; uma tribo saída do Apocalitpo (parece que o Mel Gibson fez um saldo); os Maias, Incas, egípcios, sumérios, e tudo quanto é povo antigo; uma nave espacial e o Stargate.
O ante final do filme é muito, mesmo muito parecido com a Múmia.
Levei o filme todo à espera de entrar em cena: a M, o Q, o Dr. No ou outro qualquer do 007; o Austin Powers; O Gandalf, o Frodo e o Legolas; O Gladiador; a Lara Croft; o Dirty Harry; o Predator; a Tenente Ripley; o Harry Potter e o Valdemort.
Enfim não quero estragar o prazer de uma ida ao cinema quero apenas poupar-lhes cento e vinte e dois minutos de tédio e estupefacção e já agora o dinheiro do bilhete.Vão antes ver o Sexo e a Cidade… ou desenhos animados.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Estado a que isto chegou!





Hoje discute-se o facto de ASAE, força pseudo policial recente, que tem como objectivo a Segurança Alimentar e Económica, é ou não constitucional.
Eu cá até acho que sim que existe muita coisa que precisava de fiscalização, que existiam javardices a dar com um pau em Restaurantes, Cafés, Pastelarias e afins. Mais, acho que cada camisolita contrafeita vendida nas feiras não nos sai barata, mas sim muito cara, porque os impostos que aquelas pessoas não pagam, pagamos nós.

Por outro lado com a crise que grassa por aí muitos dos pequenos comerciantes e produtores não conseguem de todo financeiramente adequar-se à nova realidade.
Esclarecido este ponto o que é facto é que esta força (ASAE) está fora de controle, passámos como é hábito do 8 para o 80, de fiscalizar a higiene de fabrico de bolos ou pão ou as condições das cozinhas dos restaurantes, e muito bem, passamos ao delírio de ser posto em causa coisas tão portuguesas como as alheiras ou os ovos moles de Aveiro.
Se a ASAE for anti constitucional a culpa não será dos seus agentes, no entanto dentro da instituição deverá imperar regras claras, temperadas de um bom senso que parece não existir.
Um apelo, por favor não me tirem: qualquer variedade de queijo nacional, qualquer variedade de enchido, as arrufadas, as broas de milho, a bola de Berlim vendida no areal da praia, o polvo assado vendido no fogareiro da feira, a bela da fartura, o vinho verde tinto em malgas, as barricas de ovos moles e as cavacas das Caldas.
Aviso também que cá em casa recuso-me a deixar de usar colher de pau (faz parte do tempero).

Estou farta de ouvir falar da fome no mundo. Desculpem lá, não fazemos parte de uma confederação de estados que pagou para se arrancar vinhas, abater barcos de pesca, arrancar oliveiras? Desculpem lá não é aqui, na dita Europa civilizada, que se enterram toneladas de fruta para manter cotas, que se multam os açorianos por produzir leite a mais? È não é?

Obama se tudo correr como parece vai ser o próximo Presidente dos Estados Unidos da América. Democrata, americano filho de estrangeiros, nome do meio Hussein e negro.
Não digo que lhe espetem um balázio como o Kennedy, mas se tentar muitas mudanças, arranjam-lhe uma Mónica como arranjaram ao Bill.

Por fim, hoje uma vez mais, saíram à rua milhares em protesto. Provavelmente Sócrates e o resto do Governo irão desvalorizar, dizer uma vez mais que é obra dos comunistas, enfim. Até quando este autismo?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

E agora algo completamente diferente!




Desconfio que este post vai ser do agrado dos rapazes que aqui blogam.
Num grupo de amigos ou em conversas soltas vem sempre amiúde um assunto: as mulheres (principalmente as casadas) não gostam ou evitam o sexo.
Isto é o que a maioria dos homens tem na ideia e propagam sob a forma de anedotas e indirectas.
Como mulher não posso falar em nome de todas, mas posso exprimir a minha opinião: Rapaziada as mulheres gostam de sexo, sim senhor!
Do que é que as mulheres não gostam:
-Sexo feito á pressa
-Sexo sem preliminares
-Sexo para cumprir calendário
-Sexo sem carinho (preferência é sexo com amor)
Mais ainda: olhamos com carinho para a falta de cabelo dos nossos homens, para o excesso de barriga, porque quem está apaixonado cristaliza para sempre no seu intimo a imagem do outro no dia em que se apaixonou
Gostamos que olhem para nós assim também, mesmo que a nossa roupa se já aquela t-shirt larga e as calças velhas de fato treino com lexivia e o cabelo apanhado ás três pancadas com um elástico rosa choque.
Gostamos que nos digam que aquela roupa nos fica bem mesmo que o tempo nos tenha dado para além da sabedoria mais uns quilitos a mais.
Gostamos que nos beijem apaixonadamente porque sim.
Gostamos que nos abracem porque sim.
Gostamos que nos digam que tinham saudades nossas ou que nos chamem amor, mesmo quando temos olheiras e o cabelo branco a aparecer sobre a tinta.

Tenho escrito…