sábado, 31 de maio de 2008

DESCONFIANÇAS.












O ministro Jaime Silva e as Sardinhas

O ministro Jaime Silva é um senhor de porte aristocrático que aparece na televisão a falar de muita coisa: vacas, leite, PAC’s, etc… Parece que é ministro da Agricultura e Pescas. Eu não tenho a certeza e acho que ele também não.
Face á subida dos combustíveis o senhor aparece a justificar que pescadores e armadores não tem um pinguinho de razão em reivindicar apoios para o gaisoil, é isso mesmo que ele diz gaisoil (penso eu que será um derivado do pitroil).
É normal que todos os membros do governo achem que esta história de reivindicar é despropositada e acima de tudo invenção dos comunas. Aliás deve ser condição para ingresso no Governo.
Eu também desconfio que o senhor não gosta de peixe o que é de todo lógico, porque todos sabemos que o peixe faz bem á carola e um ministro que fala no gaisol não comeu peixe em pequenino.
Conclusão Santos Populares com Febras e Entremeadas, porque desconfio que não vai haver sardinhas


Os fatos da Selecção Nacional


Parece que a Selecção Nacional tem uns fatinhos novos que estreou agora na estadia em Viseu.
Foi feita uma reportagem sobre o assunto: os moços muito aprumados no fato a circular de autocarro em Viseu, com um ar aristocrático, direi mais real, abanando a mãozinha ao povo qual rainha-mãe.
O povo acotovelou-se durante horas a fio á porta do Hotel, dos Restaurantes e WC’s onde se encontrava a Selecção. Quando os jornalistas perguntavam se tinha valido a espera pois que respondiam que sim que tinha sido inesquecível, o dia mais feliz da sua vida, muito emocionante…
A reportagem continuou com o depoimento da Fátima Lopes (não a dos yougurts para dar volta á tripa mas a outra do penteado esquisito que faz biquinis de diamantes), a moça dizia que tinha sido emocionante fazer os fatitos, pois que os rapazes estão em boa forma e tem um corpito excepcional.
Não, a reportagem não terminou aqui, ainda apareceu outra criatura parece que é da firma que vendeu o tecido ou fez fatos ou o caraças, a explicar que os fatos são feitos com um tecido muito bom que só se fabrica em Itália e não sei quê. Parece que as ovelhas é que são virgens e com pedigree, olhos azuis e cornitos com um formato de design.
Desconfio que estão gozar com a malta. Não?

As Directas

Parece que sempre ganhou a Manuela Ferreira Leite.
Desconfio que amanhã ou hoje mesmo todos os outros candidatos á liderança vão dizer que sempre estiveram do lado da piquena, sempre acharam que era uma óptima líder, que foi uma ministra incontornável e o que interesse é a unidade do Partido e o Bem da Nação.
Desconfio que só Santana Lopes pode destoar um pouco e dar uma Conferência de Imprensa dizendo que nunca mais se candidata á liderança do PPD/ PSD, que desta é que foi a ultima vez, que também nunca mais, mesmo nunca mais se candidata a mais nada.
Desconfio que para o ano vai candidatar-se ás autárquicas e legislativas. È rapaz para isso!


Ainda a China e o seu terramoto

Confesso que não me sinto muito identificada com os orientais, mas desconfio que eles retribuem.
Posto vamos a alguns factos:
Ainda o Viriato andava embrulhado em peles de cabra e atascado em estrume já a China tinha uma civilização milenar.
A muralha da China é a única construção humana vista do espaço.
Os chineses são muitos e capazes de feitos grandiosos que vão desde a invenção da pólvora até á criação de um sistema económico misto que ninguém, senão eles percebe e que pelos vistos funciona.
No entanto a respeito da tragédia recente que se abateu sobre a China tropecei em duas noticias que vou enunciar:

A CNN fez uma Reportagem mostrando que muitos casais perderam o seu único filho permitido por lei e que agora não tem tão pouco o consolo de terem outros filhos.
Sharon Stone alvitrou que terramoto pode ter a ver com o mau carma dos chineses.

Desconfio que está tudo parvo!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Elogio da Dialéctica



A injustiça avança hoje a passo firme

Os tiranos fazem planos para dez mil anos

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são

Nenhuma voz além da dos que mandam

E em todos os mercados proclama a exploração;

isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem

Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca

O que é seguro não é seguro

As coisas não continuarão a ser como são

Depois de falarem os dominantes

Falarão os dominados

Quem pois ousa dizer: nunca

De quem depende que a opressão prossiga?

De nòs

De quem depende que ela acabe?

Também de nòs

O que é esmagado que se levante!

O que está perdido, lute!

O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha

E nunca será: ainda hoje

Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

Bertolt Brecht
(Augsburgo, 1898 - Berlim, 1956)


Fica aqui este poema esclarecedor e intemporal, para quem tenha dúvidas.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os idos de Maio






Há mais ou menos quarenta anos um fenómeno conhecido com Maio de 1968 abalou estruturalmente o “Mundo Ocidental”.
Primeiro em França, mas abrangendo de um modo geral os países fronteiriços, o Reino Unido abalou, o Japão também, nos Estados Unidos da América o Movimento do flower power sustentado com horror da Guerra do Vietname, também mudou a face da sociedade.
Cá em Portugal, com um atraso de um ano, apesar de um regime repressivo, apesar da censura e da PIDE, a sociedade abalou com Movimento Estudantil.
Por todo o mundo dito civilizado jovens, estudantes, cultos, pouco ou nada politizados, conseguiram abalar uma sociedade onde imperava uma paz podre a coberto de um período de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial e uma pseudo qualidade de vida.
A Guerra da Argélia, a Guerra do Vietname, a Guerra Colonial Portuguesa, não eram comparáveis á segunda Guerra Mundial, não estávamos do lado dos “bons” e esses jovens sabiam-no.
Como em todas as convulsões e conforme quer queiram quer não, a dialéctica de Marx provou-se, tal como nos ensinam na Escola: a Tese estabelecida contrapôs-se a Antítese, o que fica é sempre outra Tese.
Os jovens dos idos anos sessenta do Século XX que desafiaram as convenções, que arrastaram consigo operários e donas de casa numa revolta justa onde estão hoje?
São Ministros?
Euro Deputados?
Ex-Presidentes dos Estados Unidos da América?
Altos Dirigentes de Partidos Neo-Liberais?

Tal como De Gaulle atraiçoaram aquilo porque se tornaram notórios, a sua luta pela justiça e pela liberdade, o seu ímpeto contra a Guerra foi transformado em apoio directo ao avanço militar sobre o Iraque, ao fechar dos olhos sobre as Birmânias, aos acordos com as grandes companhias multinacionais, mesmo que isso implique trabalho escravo de crianças na Índia, as preocupações ecológicas ficaram em definitivo amarradas á lógica brutal das Companhias Petrolíferas e da Industria Automóvel.

Tiveram no entanto um cuidado extremo em educar uma geração pouco culta, pouco atenta, facilmente manobrável, incapaz de distinguir a solidariedade da caridade, incapaz de distinguir um acto de revolta de uma moda.
No entanto ainda assim esqueceram-se da capacidade infinita do ser humano de se renovar, de evoluir, de tirar conclusões por si só, de se defender quando se encontra encurralado.


Estão preparados para sentir o embate quando os jovens de hoje acordarem?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Modernices...





Nestes últimos vinte anos meteram-nos na cabeça que somos modernos e europeus (como se geograficamente a nossa localização tivesse sido alterada), vai daí foi um construir desabrido: auto-estradas, estádios, Centros Comercias, Super Centros Comerciais, Outlets, Festivais de Música.
Há vinte anos atrás a coisa mais parecida com um festival de música era só a Festas do Avante. È claro que se tinha a realizado o mítico Festival de Vilar de Mouros, Numa edição única e irrepetível.
Há trinta anos atrás um corredor com meia dúzia de lojas como era o Apolo 70 em Lisboa era um centro Comercial, para além disso havia o Grandela.
Os grandes Centros Comerciais eram as “baixas” a Baixa de Lisboa, Baixa do Porto, a Baixa de Setúbal…Locais aprazíveis com lojas a correr de vista onde ser empregado de comercio era uma profissão respeitada e como tal exercida com profissionalismo, quando se entrava numa dessas lojas éramos atendidos com deferência e muita atenção mesmo se fosse para comprar um par de meias.
Hoje existem vários Festivais de Música (Sudoeste, Super Bock Super Rock, etc.), todos tem grandes nomes como cabeça de cartaz, depois existe ainda o Rock in Rio, uma espécie de Festival de Rock para Betinhos, onde é tudo caríssimo e muito arrumadinho.
Estádios de Futebol é o que sabe, para um país que nunca tem apoios para qualquer tipo de desporto que não seja o futebol onde por acaso nunca se atingiu nenhum título, supostamente temos um leque de jogadores de luxo, que não devem de saber trabalhar em equipa (digo eu que não pesco nada sobre o assunto), e somos sempre quase campeões de qualquer coisa, até já devíamos de ter uma taça dessa condição.
Centros comerciais existem grandes, monstruosos mesmo. Todos quase iguais com as mesmas sandes de baguete, as mesmas lojas do Gato Preto, as Lojas de Roupa todas iguais, as mesmas empregadas tristes de olhar sofrido que não conseguem arrancar um sorriso depois das licenciaturas tiradas a ferros nas faculdades privadas que lhes servem para dobrar camisolas da Springfield.
Salazar deixou-nos como herança maior sermos um povo poucochinho, poucochinho ambicioso, poucochinho reivindicativo, poucochinho orgulhoso…
A modernidade dos últimos vinte anos tem vinda a descaracterizar-nos ainda mais: saímos para a rua a idolatrar um grupo de desportistas milionários, pagos com o nosso dinheiro em detrimento de Hospitais, Escolas e outras coisas, que são geridos por uma espécie de Cosa Nostra com apitos dourados; passeamos aos fins de semana, voando nas novas auto-estradas nos nossos carros de prestação eterna, pagando portagens infinitas para irmos a Centros Comercias todos iguais, como replicas de um admirável mundo novo, deixando na degradação as “baixas” das cidades onde se fecham as lojas com o café moído na altura e a camisaria com camisas feitas á medida, nesses Centros Comerciais pagamos com Cartão de Crédito com juros exorbitantes a roupa da Zara, que toda a gente vai usar igual, alimentado o ciclo infinito de garagens em Felgueiras onde trabalhadoras precárias recebem á peça para depois outros trabalhadores precários e mal pagos as venderem.
Esta modernidade aborrece, embrutece quase o mesmo que o ranço salazarista. Ou não?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Não sei o que escrever











Hesitei muito sobre o tema deste post:
Pensei em escrever sobre o assassínio lento dos serviços de saúde, como utente, infelizmente assídua de um Hospital, verifico que tudo está mal, os médicos andam em stress e atendem doentes a mais, os enfermeiros ganham pouco, trabalham muito e não são valorizados, os auxiliares ganham ainda menos. Há doentes a mais, equipamentos a menos, falta de material, etc. No entanto neste momento o “negócio da saúde” é cobiçado pela maioria dos grandes grupos económicos, enfim parece que alguém lhes anda a fazer o favor de acabar com o Serviço Nacional de Saúde. Não?
Depois achei que não que iria debruçar-me sobre o facto do nosso Presidente da República ter dito ontem, a respeito de uma visita a firma de sucesso na área das novas tecnologias em Braga, que o seu papel é mostrar e chamar a atenção para o que de bom existe no país. Ahn?
Então, mas é para isso que serve? Para isso existe a Secretaria de Estado do Turismo, contrata-se um Relações Publicas de gabarito internacional, sei lá, uma coisa mais em conta que afinal a crise não pode ser só para nós.



Tenho vindo a pensar escrever sobre a população crescente de "colunaveis" por metro quadrado em portugal, parece que nunca fizeram nada de jeito, não sabem cantar, dançar, pintar, escrever, nalguns casos nem falar, mas enchem várias revistas cor de rosa (que leio com dois anos de atrazo na sala de espera do consultório). Nunca percebi muito bem o fenomeno.



Pensei também no infindavél mistério que constituem para mim as eleições presidencias dos EUA, parecem-me complicadas, pouco claras e muito pouco democratas, mas também confesso que nunca as percebi.
Mas ainda assim achei que não.
Lembrei-me ainda de outros temas: do anuncio da Coca Cola Zero que é de uma estupidez atroz, basicamente são duas línguas (com uma aparência obscena) e patas de elefante, a discutir com um olho com pés de galinha; ainda outro anuncio que me irrita é o do Jumbo com aquele slogan irritante “Como encontrar um trevo na tromba de um elefante”, que é uma coisa que não é de todo fácil, o que faz com que o anuncio leve a pensar que não se encontram preços baixos no Jumbo, eu quando vi elefantes nunca vi trevos nas trombas; ou sobre o facto de o Procurador Geral da Republica ter admitido que existe um vazio legal que permite a um pedófilo adoptar uma criança (é isso mesmo); ainda me lembrei de outras coisas, como o facto de Vale e Azevedo ser oficialmente um fugitivo da Justiça (um espanto); como as propostas e contra propostas para a Educação, que servem basicamente para baralhar pais, alunos e professores, ou sobre mais um aumento dos combustíveis…



Mais ainda lembrei-me de um comentário atroz que ouvi a propósito do o sismo que se abateu na China: "Bem feita para não andarem a bater nos outros...". Gelei, não é possivél tanta estupidez

Enfim estou cansada, não me consigo decidir.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pensamentos Avulsos


O Caso BCP:

Por BCP entenda-se Banco de Crédito do Pai
È claro que os administradores não sabiam de nada do que se passava lá dentro
È claro que quando ocupam estes cargos fazem-no de forma abnegada e altruísta

A Crise:

Ninguém estranha que a maré encha e vaze, não percebo porque é que estranham a crise.
Desde pequenina que ouço falar na crise, tanto como ouço falar no futebol.
A crise é uma coisa natural como as andorinhas voltarem na Primavera.
O Português é um povo que gosta de crise, se assim não fosse deixavam de eleger a cambada de incompetentes que elegem alternadamente.
A crise é uma coisa que dá muito jeito porque serve de desculpa a mais uma dúzia de medidas de contenção orçamental daquelas que vão sempre bater á porta dos do costume ou seja NÒS.

Outras siglas de relevando interesse em descodificar

CCBCasa das Coisas do Berardo
FAMELFoda-se A Mota É Linda
UEUnidos a Espremer
PRPrimeiro-ministro Reformado
PSPorra, é o Sócrates!


(A imagem como devem de calcular é do estado actual do meu mealheiro)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A BEM DA NAÇÃO. (Parte I)


Considerandos de uma mulher assustada:

A crise energética – A crise energética é uma coisa muito grave. A crise energética se não se fizer nada vai levar-nos no futuro a viver como se via nos filmes do Mad Max: cabelos sem amaciador, dentes estragados, bronze tipo australiano, a conduzir uma espécie de carros feitos com pedaços de outras coisas, sei lá torradeiras, aspiradores, berbequins, asas delta, gravadores de vídeo e game boys. Depois vamos todos andar no deserto (deve ser aqui para as minhas bandas) á bordoada por meio litro de petróleo. Não queremos este futuro! Até porque sem amaciador o meu cabelo fica péssimo. Então o que fazer?
Já sei, vamos fazer uma espécie de gasóleo com o óleo das farturas, das fanecas e das batatas também. Só o Mac Donald e aquelas tascas da Rua das Portas de Santo Antão que tem montras cheias de panados, pastéis de bacalhau e afins passam a render mais que todos os poços de petróleo do médio oriente.
Mas não o Governo na sua infinita sabedoria já viu que não pode ser assim, vamos com calminha, nada de excessos. Recolhe-se o óleo das farturas mas com limites, mais propriamente com um limite de nãoseiquantas toneladas, para além disso essa quota de recolha tem ficar salvaguardada já para os moços que importam/fabricam/vendem a gasolina e o gasóleo propriamente ditos. Não se pode começar a estragar assim o negócio ás pessoas.

A Lei do Tabaco – A lei do tabaco é para cumprir. Não se pode fumar em Centros Comerciais, Restaurantes, Cafés, Discotecas e Bares. É pá acabou-se.
Mas esta lei tem objectivos claros e concisos:
1-Ajudar o lobby das máquinas Nespresso. Sim porque desde que começou a ser aplicada a lei a venda desta maquinetas disparou, isto porque: o pessoal fica em casa porque isto de ir beber a bica á esquina e ter de vir fumar para a rua não tá com nada, eles porque ficaram convencidos que vistos de certo ângulo junto á maquina ficam iguais ao George Cloney, elas porque tem a esperança secreta que o artista venha como brinde com a máquina.
2-Promover o aumento dos ataques cardíacos no país. Sim é isso mesmo. Porquê? Porque agora para além do pessoal fumar á mesma, fuma com muito mais ganas e fuma ás escondidas. O que aumenta as pulsações e a taquicardia, faz de conta que estamos todos outra vez na adolescência a fumar na casa de banho com a janela aberta a o ouvir os passos no corredor e a gastar uma lata de brise por cigarro.
Perguntem agora que bem advém daí? È simples, o pessoal que já anda enervado com facto de poder ser despedido porque sim, de talvez não conseguir pagar a casa, de não saber qual vai ser o futuro dos putos, de não conseguir passar umas férias decentes, e mais uns acrescentos, com a história de fumar ás escondidas junto com o enquadramento anterior começa a morrer como tordos antes dos sessenta, com ataques cardíacos fulminantes, sem nunca chegar a recorrer á reforma ou pré reforma ou ao internamento prolongado no hospital.
Para além há que ver que a chamada alimentação saudável é do mais caro que existe (peixe fresco, frutas e legumes e tal), o que também ajuda.
Reduz os custos da saúde e da segurança social e equilibra-se as finanças nacionais.
Obviamente que esta lei não se aplica em veículos fretados que circulem a uma certa altitude...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Eu quero ser feliz agora!



O trânsito que não anda e o senhor da frente que está a ver a montra ou as pernas das miúdas que passam e não anda caramba!
E o sol está a aquecer e eu que gostava tanto de dar uma escapadela de férias, um fim-de-semana, qualquer fuga, mas não, não pode ser, não pode ser...
Anda lá com essa m**** ó caramelo que eu tenho mais que fazer, ainda por cima não fazes pisca, deve ter sido mais barato o sacana do carro.
Olha, começou a campanha do Pirilampo Mágico, mais uma coisa a pedir dinheiro. Mas pronto que se lixe á para uma boa causa.
È para uma boa causa? Então e os apoios que cada vez são mais pequenos tanto para os pais como para as instituições, caramba!
E isto resolve-se com um mini boneco de peluche e muito boa vontade?!
E agora reciclar é dar dinheiro para combater o cancro da mama e comprar o relógio tal e coisa da swatch (até são giros!) é ajudar as crianças desamparadas!
Então e os meus impostos, servem para quê?
Pago taxas moderadoras e de internamento; propinas, inscrições e livros escolares; selo do carro; imposto municipal sobre imóveis e mais valias de vende o que é meu; portagens; imposto de valor acrescentado nas alfaces, nos pensos higiénicos na aspirina, nos anti depressivos e nos óculos de ver ao longe ao perto e assim assim, na pomada para as picadas de insecto, nos sapatos, no bilhete do cinema, nos bifes, nas carcaças e na manteiga; pago taxa de saneamento e pago imposto no combustível.
E agora vai aumentar o pão por causa do bio diesel que é feito com cereais. E fazem bio diesel porque o petróleo está a acabar e está muito caro e é preço do barril do crude. ..
MAS O QUE É ISTO?
Eu sou como o José Mário Branco-QUERO SER FELIZ AGORA!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Hoje só me apetece dizer palavrões

Energúmenos Pedófilos Inflação Desemprego



Anticonstitucionalmente
Agressão Petróleo (sob qualquer forma) Banca (sob qualquer forma)
Impostos
Despedimentos Burocracia Zona euro Taxas Moderadoras
Deslealdade
Traição Machista Guerra Bomba Futebol Listas de Espera
Conjuntura Económica


(Aceitam-se contribuições)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Cansa-me este peso guardado das asas que não uso.


Agora agarro os dedos entrelaçados e fito as minhas mãos cheias de nada.
Nada deste instante se repetirá, nada dos instantes em que não parei se repetirá, nada mesmo nada se repetirá.
Ensinaram-me isso na escola, parece-me ou li num livro, já não sei.
O que penso que sei baralha-se na minha cabeça, as horas, os números: códigos de telemóveis, pins’s de Multibanco, número de bilhete de identidade, passaporte, contribuinte, eleitor, passwords de acesso, datas, números de telefone, datas e horas de reuniões, contactos, visitas de estudo, testes, aniversários, saldos bancários.
Oiço de repente vozes e sons que sei que já não existem, vozes que desapareceram, que já não se repetem.
Sinto ainda cheiros, da maresia, e eu pequena junto á lota a ver os barcos e os caixotes de peixe a serem descarregados e os peixes a palpitar num desgosto aflito de sentir o mar ali ao lado e saber que não voltavam mais ali a nadar, o mar que julgavam banal, eterno e garantido.
Agora sou um peixe aflito, tenho falta de um mar que não sabia dar valor, um mar que era meu.
Agora estou no trapézio e sinto falta daquela rede invisível que eu não queria mas estava lá, segurava-me sem prender, a rede onde podia sempre cair, feita de afectos, de respeito, de carinho, de amor?
Dói-me uma parte qualquer, uma parte de mim que não identifico, não é a cabeça, nem um braço, as costas? Não é outra coisa.
Cansa-me este peso, do trabalho, dos amigos, da família, das notícias tristes gritadas nos noticiários, impressas em folhas de jornais.
Noticias das fomes, das guerras, dos que matam, dos que roubam, e é mais uma criança maltratada e mais outros abandonados e mais outras misérias avulsas.
Quero ir para uma toca, ser uma toupeira, fechada num buraco morno, na terra amarga, seca e quente.
Cansa-me este peso guardado das asas que não uso.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

As Canseiras desta vida


O Poema que aqui transcrevo é a letra de uma música de José Mário Branco com mais de quarenta anos.

Infelizmente as canseiras desta vida não mudaram muito, como mãe, co-gestora dos recursos familiares, revejo-me nestas palavras de uma forma quase assustadora.

A foto é de uma das "Sopas dos Pobres" instituida pelo fascismo e apadrinha por Salazar, que vimos recentemente ser glorificado em programas de TV e construções de Museus.

Parece que é para um modelo desses que este governo se encaminha, nada se muda estruturalmente, não se cria emprego, não se criam condições de vida, fecham-se fabricas, cortam-se regalias, apela-se á caridade.

É isto que queremos? Eu não e tu?




As Canseiras desta Vida

As canseiras desta vida

tanta mãe envelhecida

a escovar a escovar

a jaqueta carcomida

fica um farrapo a brilhar

Cozinheira que se esmera

faz a sopa de miséria

a contar a contar
os tostões da minha féria

e a panela a protestar

Dás as voltas ao suor

fim do mês é dia 30

e a sexta é depois da quinta

sempre de mal a pior

E cada um se lamenta

que isto assim não pode ser

que esta vida não se aguenta

-o que é que se há-de fazer?

Corta a carne, corta o peixe

não há pão que o preço deixe

a poupar a poupar

a notinha que se queixa

tão difícil de ganhar

Anda a mãe do passarinho

a acartar o pão pró ninho

a cansar a cansar

com a lama do caminho

só se sabe lamentar

É mentira, é verdade

vai o tempo, vem a idade

a esticar a esticar

a ilusão de liberdade

pra morrer sem acordar

É na morte ou é na vida

que está a chave escondida

do portãodo portão

deste beco sem saída

-qual será a solução?


terça-feira, 6 de maio de 2008

Sopas de Cavalo Cansado










Ontem ouvi o nosso Primeiro afirmar que Portugal está disponível para apoiar com géneros alimentícios de forma a mitigar a fome no mundo.
Como é, desculpe?
Não sei onde irá buscar essas reservas, segundo sei Portugal não é auto-suficiente em quase nada, importamos quase tudo, cereais, frutas, legumes, azeite, carne de vaca.
Aliás o exercício é simples é só passarmos nas prateleiras dos supermercados, é difícil encontrarmos produtos nacionais sejam maçãs de Alcobaça ou carapaus que não tenham sido pescados por barcos espanhóis (apesar de eu considerar que os carapaus são cidadãos do mundo e quando os adquiro não é para falar com eles).
Os Açores foram penalizados por excesso de produção lacticínios, as oliveiras foram arrancadas junto com as amendoeiras e outras coisas a troco de efémeros subsídios, por todo o país os barcos de pesca foram abatidos com incentivos Europeus, apesar de termos uma Costa impar virada para o Atlântico, foram desencorajadas as produções de fruta, subsistem algumas coisas especiais como a maçã riscada de Palmela, a pêra rocha ou Bravo Esmolfe, muito a custo da promoção local não de incentivos governamentais.




Como Europeus comemos peixe pescado por barcos espanhóis, lacticínios da Holanda e França, legumes espanhóis, fruta francesa, bifes irlandeses, nosso parece que é quase toda a carne de porco e de aves que consumimos.
Teimosamente produzimos ainda vinho que chegue, isto porque a campanha de incentivos para arrancar vinhas não foi tão bem sucedida como outras.
No Verão passado vi com descrédito que em pleno Algarve só encontrei laranjas de Israel!
Por isso não sei o que está a pensar mandar seja lá para onde for comida só se for vinho para sopas de cavalo cansado mas o pão terão de ir busca-lo a outro lugar.


domingo, 4 de maio de 2008

Dia Da Mãe




Hoje é Dia da Mãe, nas nossas casas foram dados pequenos presente, os mais engraçados feitos por mãos pequeninas e laboriosas que na escola ou no jardim de infância fizeram um pequeno trabalho, uma moldura com molas da roupa, um colar de massa pintada, com apoio sempre de professores e de educadores.
Ser mãe muda-nos a forma como passamos a ver mundo, nunca mais pensamos só em nós.
Porque hoje é Dia da Mãe fomos inundados na TV com anúncios de perfumes e relógios, os telejornais falaram outra vez até à exaustão da menina desaparecida na Praia da Luz, mas outro assunto surgia surdo: A Fome. A recolha de alimentos para apoio ao Banco Alimentar contra a Fome que apoia já mais de 230 mil pessoas e que não consegue apoiar mais, a Caritas Diocesana que diz que Portugal tem de se preparar para a fome que aí vem, a crise mundial de alimentos….Ficaram fora deste fim de semana as noticias do desemprego e das firmas que vão fechar ou já fecharam aumentado o caudal do desemprego.
Como mãe fiquei a pensar no horror das mães que não sabem como vão alimentar os seus filhos, como vão distribuir a sua miséria pelos trinta dias do mês e ainda assim dar aos seus filhos o essencial para vê-los crescer como todas as mães querem: fortes e saudáveis.
Ainda existem outras mães que não estão desempregadas mas arrastam-se todos os dias para um emprego longe e mal pago numa qualquer grande superfície, que lhes rouba o direito de maternidade, rouba o tempo com os seus filhos, o fim de semana em família, o acompanhamento das actividades escolares, de saber quem são os seus amigos, de saber o que fazem no espaço entre saírem cedo de casa e voltarem tarde, tudo isto encapuçado por um qualquer Código de Trabalho, de cariz Europeu.
As mães deste país vivem ainda apreensivas com o futuro dos seus filhos, pensando que as perspectivas de emprego são poucas ou nenhumas, que será difícil a continuar assim ver um filho concretizar a sua vida.
As mães deste país estão tristes.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Banal


A luz dourada cai em jorros entre as copas dos pinheiros.
No chão deitada sobre a manta velha e áspera deixei cair o jornal com preguiça, ao longe o som dos carros na estrada, aqui o som do estalar dos pinheiros e das pinhas e um adejar de asas entre as ramadas.
O corpo dói com prazer, amachucado pelas ondas do oceano, torturado pelas pequenas lágrimas de sal que ficaram como testemunho, do mergulho gelado da alegria do encontro com o mar salgado e cristalino.
A preguiça coroa o repasto que terminou com o banquete de frutas de Verão, fatias rubras de melancia, como se de feridas se tratassem, figos rebentados pelo calor doce do verão.
A mão que me afaga do ombro à coxa fá-lo de forma distraída, natural.
A manhã de praia foi banal, a praia de sempre de areia de açúcar, de toldos ás riscas, da Serra a espreitar, dos gritos das cigarras no restolho.
O pinhal não é diferente, se nenhuma força do progresso não o transformar em urbanização, continuará, com o seu cheiro a pinho, a caruma a picar os pés descalço e o estalar das árvores.
A tua carícia não é anormal, nem o teu olhar, que já foi de surpresa, porque uma carícia é nova mesmo que igual a todas as outras, porque é sempre única.
Todo é normal, banal, único e irrepetível: o grito das cigarras, o arranhar do sal, o estalar das pinhas, o adejar de asas, os figos rebentados, a carícia indolente, o cheiro a pinho, a luz dourada que cai em jorros.