terça-feira, 31 de julho de 2007

Astro Rei








Chegou o Verão...


Chegou com atrazo...


Mas chegou...ufa...


De Verão é tudo melhor: as noites, os dias, os cheiros, as frutas, a conversa, a musiquinha, os amores...


Já tinha saudades...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Um dia como uma folha de caderno...






Hoje apetecia um dia como uma folha de caderno de escola em primeiro dia de aulas. Assim uma folha limpinha, sem dobras nem vincos, com aquele cheiro bom do papel novo.


Não tive esse dia assim...


Tive um dia amarrotado, com os cantinhos dobrados e os vincos do que já tinha sido e riscado nos dias anteriores.


Acho que amanhã vou ter o dia novo e se não for amanhã, mesmo amanhã, vai ser noutro amanhã qualquer.


Vou também ter outras coisas: um amigo que me telefona porque sim, sem pedir favores, sem pedir números de telefone, apoio moral ou outra coisa qualquer só porque sim. E vou também ver um pôr ou um nascer do sol, sozinha, calada a ver as gaivotas sobre o Tejo no lodo da maré baixa (e o lodo parece prata), ou Lisboa muito nítida muito limpa sem barulho, muito perto, a pairar sobre o Tejo em maré cheia...E vou olhar para os moinhos como quando tinha 6 anos e inventávamos habitantes e enredos como se os moinhos se transformassem em castelos...


Até amanhã...



segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Harry Potter, o Telejornal e as Casas de Alterne de Bragança













Confesso que sou fã, este novo imaginário é engraçado. Engraçado porque lemos o livro e vemos o filme num escapa o outro! Vou explicar li "Harry Potter e Ordem de Fénix" e gostei, pronto é assim uma coisinha como o melhoral não faz bem nem mal e é um bom substituto para o Júlio Verne ou o Emilio Salgari, mais actual e em vez de alta tecnologia tem BRUXARIA.( o que para algumas pessoas é o mesmo)



Entretanto vi o filme e assustei-me! Mais que tudo o filme fala de OPRESSÃO e da capacidade que os opressores (os profissionais que levam a coisa muito a sério) nos retirarem pouco a pouco os direitos e liberdades. Sempre com o argumento que é para o nosso bem... Neste filme (porque a visualização é fundamental neste caso) a opressora veste rosa, tem aquele ar de senhora que faz lembrar a Dª Manuela Eanes e a Mª de Belem, fala sempre com um tom de voz muito pedagógico e em nome de uma boa educação inflige torturas odiosas (para além da quebra de liberdades). Esta personagem está ao nivel de qualquer vilão, mas dos verdadeiros...



Por um destes dias assisti a várias noticias nos nossos telejornais, uma que me espantou foi a reportagem do Canal 1 sobre a grande quebra sofrida pelos comerciantes de Bragança (taxistas, engomadorias, cabeleireiros e boutiques) com o fecho das casas de alterne da zona. Este fecho é consequencia do processo judicial que teve inicio com o protesto das "Mães de Bragança". Agora os comerciantes da zona declaram uma quebra de 30% do volume de negócio, ao lado em Espanha (para onde as meninas se transferiram) o comércio local regojiza com o aumento do volume de negócios acham as chicas mui ricas e mui guapas. Os clientes parece que são os mesmos.



Em conclusão no Telejornal da TVI passava a noticia que vão existir computadores de fartura para o os alunos portugueses e aparecia escrito "OBJETILO do Ministério da Educação um computador para cada dois alunos."



Confesso fiquei parva e o meu espirito confundido...


Será que a Ministra da Educação ainda vai aparecer no Harry Potter ligada ao terrivel Voldemort e enquanto não aparece nos livros e filmes anda cá a treinar com os muggles?


Será que Portugal vai requerer um Fundo Comunitário para Bragança para compensar esta deslocalização tão gravosa para o comércio local?



Será que na TVI exigem mais do que soletrar e assinar o nome para a redação das noticias?


Será que estou mesmo a precisar de férias ?



quarta-feira, 11 de julho de 2007


Donas de Casa desesperadas

A série de ficção americana "Donas de Casa Desesperadas" retrata o dia a dia de quatro mulheres num subúrbio dos Estudos Unidos da América, com especial incidência para os desaires amorosos das ditas.
A série é um sucesso, particularmente por ser ficção…
As donas de casa da série não apresentam problemas financeiros, vivem em casas lindas, tem bons carros e os subúrbios são zonas de qualidade de vida com baixa criminalidade onde se pode criar uma família deixando as crianças brincar na rua ou ficando em casa do vizinho.
Comparando com a o crescente desespero das nossas donas de casa nacionais a caso pois que muda de figura:
Não sendo o deserto apregoado pelos nossos governantes, os subúrbios caracterizam-se: pela falta de acessibilidades, pela tortura das filas de transito, pelo atravessar do Rio, pela falta de investimento nacional nas zonas onde residem uma grande parte da população. Também não podemos aspirar viver um pouco mais para o interior, porque obviamente não existem condições para criar uma família quando a juntar ao crescente desemprego se junta o fecho de maternidades, Centros de Saúde e Escolas.

O dia a dia da comum das portuguesas é desesperante porque mesmo as conseguem constituir família arrastam consigo essa situação como se de um crime se tratasse: mesmo que consigam um emprego, mesmo consigam ter um filho e gozar a licença de maternidade sem ser despedida com a capa de qualquer outra "flexibilidade empresarial", irão arrastar-se no calvário de tentar arranjar cresce, ama ou afim para o pequeno rebento, angustiar-se com as fraldas com IVA a 21%, aplicar-se no malabarismo orçamental para adquirir livros e materiais para um "Ensino Gratuito e Obrigatório", temer qualquer exame em que os rebentos sejam postos á prova acalentado sempre a esperança "Deus queira que calhe ao miúdo um exame sem erros", depois quando tudo isso for superado angustiar-se mais uma vez com o ingresso na vida profissional dos filhos, tão difícil que é quase com os prémios da Lotaria Popular.
No final do dia as donas de casa portuguesas estão ainda desesperadas com a sobra de mês no final do salário, com o aumento do custo do petróleo (que arrasta sempre consigo o preço das carcaças, das alfaces e dos bifes), com a improbabilidade de ser talvez um dia reformada e se o chegar ser pensar como é que vai fazer face a tudo com a pensão que é cada vez mais diminuída com as medidas de "justiça social" que emanam quase diariamente do poder central.
As donas de casa portuguesas tem um ar muito menos glamoroso que as a série, também pudera…

Megaregabofe

No início deste verão, entre o fazer o jantar e tentar acompanhar o resumo diário do dia dos meus filhos vi/ouvi a mini entrevista com o Sr. Dinamarquês de nome impossível de pronunciar, que foi pomposamente apresentado com o pai da flexisegurança.
O Sr. explicou sucintamente que o modelo não pode ser aplicado precipitadamente, que levará anos até ser implementado, deverá ser constantemente adaptado á realidade portuguesa, que somos países muito parecidos (Dinamarca e Portugal), que o modelo deverá ser aplicado pelos empresários de forma criteriosa….
Ora aí é que a porca torce o rabo!
O Portugal é um país pequeno, como a Dinamarca, com um gigante ao lado, como a Dinamarca, com o mar do outro lado, como a Dinamarca, mas acaba aí…
Em Portugal os fundos de coesão de estrutura, de desenvolvimento, e não sei que mais atribuídos pela Comunidade Europeia são há cerca de duas décadas desperdiçados em barcos de luxo, carros de luxo, casas de luxo, férias de luxo pelos empresários Portugueses com a complacência de sucessivos governos.
Por outro lado esses mesmos Governos distribuem esses Fundos não pelas Regiões, Autarquias ou Projectos necessários ou merecedores mas por clientelas de amigos, compadres, familiares, lobbys, etc…
Mais, os nossos governantes conseguem, neste afã de ajudar quem os ajuda, de pelo caminho destruir a agricultura, as pescas, o sistema de ensino, a segurança social, os serviços públicos, e tudo mais que nós por vezes não conseguimos imaginar.
Em países como a Irlanda e a Grécia, de dimensão, passado e economia semelhante á Portuguesa no seu ponto de partida, estes fundos ou subsídios, serviram para transformar a economia e desenvolver os países, criando postos de trabalho, mão de obra qualificada, desenvolver a agricultura, o turismo, a industria, enfim criar bem estar e qualidade de vida para a maioria dos seus cidadãos. Curiosamente não realizaram Exposições Mundiais, Campeonatos Europeus de Futebol e Quilómetros de Auto-estrada, também não se mostram muito preocupados com a criação de linhas de comboio de alta velocidade ou com a criação de novos aeroportos de raiz.
É de recear que este novo conceito de relação de trabalho seja aplicado como tudo o resto – á portuguesa – prevendo-se seja mais uma forma de despedir por dá cá aquela palha, por retirar (ainda mais) direitos aos trabalhadores, que seja enfim mais uma forma de delapidar o povo português.
A Flexisegurança pode ser um sucesso na Dinamarca onde as semelhanças com Portugal são pura coincidência, poderemos sempre adaptar o modelo talvez baptizando-o de Flexinsegurança ou em Português com um avanço tecnológico Megaregabofe…

O simplex


O simplex é um sistema que visa facilitar o acesso do cidadão ao estado em todas as suas vertentes.
Muito bem!
Do simplex constam medidas tão bonitas, práticas e tecnológicas como adquirir o selo do carro, um imposto especial de corrida para os portugueses que já são sobre taxados quando adquirem uma viatura, pela Internet. Esta medida revela-se num grande avanço para alguns, numa grande chatice para outros e também no crescimento da economia paralela para outros. Passo explicar, a mim até me dá jeito, para o todos os que não acedem á Internet e até acham que isso é coisa de ficção cientifica tudo isto se converte em pagar mais 5 euros para além do valor do selo, em agências de documentação ou a particulares para terem colocado o dístico no vidro do carro.
O simplex também equaciona outras medidas todas elas traduzíveis num grande desgaste para o cidadão, por exemplo quem passa a fazer parte do rol dos desempregados, situação comum em qualquer família portuguesa, vai ao Centro de Emprego da área entregar a documentação e pronto. Aparentemente tudo só que nos Centros de Emprego não foi dada a formação necessária para esse serviço, nem se aumentaram os efectivos, passou-se só a fazer mais esse serviço, mas amiúde não muito bem feito, não por incompetência ou desleixo de quem lá trabalha, mas só porque não se sabe o suficiente para se o fazer. Depois começa a peregrinação, no nosso caso para a Segurança Social de Setúbal, onde também abrangidos pelo simplex se aguarda cerca de quatro horas para esclarecer uma situação que podia ter sido evitada.
Depois quando se é um desempregado oficial fica-se com a estranha sensação de ser um pouco criminoso dado que quinzenalmente o desempregado deve de se apresentar num local pré estabelecido e fazer prova que se procurou activamente emprego?!
Está mesmo a ver, depois de enviar umas dezenas de candidaturas o desempregado pedir ao senhor dos correios um recibo dos selos, fotocopiar quiçá os anúncios e os envelopes, para apresentar. Ou então sempre que vai á bendita da entrevista levar uma caderneta e pedir por amor de Deus para lhe colocarem o carimbozinho em como lá esteve, ou melhor fazer uma reportagem em vídeo do acontecimento e enviar por mail ou colocá-la no you tube?!
Mais, não consta do simplex mas sim do novo sistema governamental de combate ao funcionário público, as medidas que visam simultaneamente reduzir o número de funcionários do estado e pô-los a trabalhar até morrerem de modo não se pagar mais reformas, dessas medidas resultam coisas tão deprimentes como o caso do Professor de Braga que foi considerado apto para as suas funções mesmo com um cancro na garganta e impedido de falar. O Professor acabou por morrer três meses depois da Junta médica que o considerou apto. No mínimo chocante.
Também salta aos olhos os casos de perseguição de funcionários públicos que ousaram criticar o governo, na figura do primeiro-ministro ou de um qualquer ministro. Despedimentos, sanções., etc. Faz lembrar um bocadinho o Regime do Grande Português Oliveira Salazar…
È esta politica de quem visa a aproximação do Estado e dos seus Governantes da População.
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